Como recorrer ao crédito à habitação para comprar a primeira casa

Taxas, spread, IMT e IMI. São várias as questões com que nos deparamos quando pedimos um crédito à habitação para compra da primeira casa. Os especialistas em finanças pessoais desmitificam as principais dúvidas.

Comprar casa pela primeira vez pode ser um processo complexo e até confuso, havendo certos passos que devemos ter em conta antes de tomar esta decisão. Rui Barrada, CEO do Doutor Finanças, uma empresa especializada em finanças pessoais e familiares, resume em comunicado que "é muito importante que na compra da primeira casa saibamos o montante que podemos oferecer. Até onde é que podemos ir, tendo em conta os nossos rendimentos e alguma poupança que já tenhamos de parte. É determinante saber que há encargos avultados logo no início e que temos de estar preparados para eles".

Desta forma é fundamental fazer contas e para isso deve recorrer à calculadora de prestação de Crédito à Habitação, em que pode testar os vários cenários possíveis relativamente ao valor da casa, das taxas de juro e das prestações.

1. Escolha a melhor taxa: Existem vários tipos de taxa de juro nos créditos à habitação e é fundamental perceber aquela que nos é mais vantajosa, já que não se deve apenas basear no valor da mesma.

Segundo o Doutor Finanças, a situação mais comum em Portugal é celebrar contratos indexados à taxa Euribor, cuja prestação vai oscilando ao longo do tempo de acordo com a evolução dos juros europeus. Mas há ainda as taxas fixas, em que apesar de contarem com uma prestação mais elevada, o valor não sofre oscilações e dessa forma torna-se mais previsível e seguro.

Com a taxa mista, também consegue ter essa estabilidade nos primeiros anos, mas terminando esse período o valor acaba por voltar a ficar dependente da taxa Euribor.

Cada caso é um caso e escolher uma taxa depende das suas preferências, como se prefere uma prestação mais baixa ao início, mas instável ao longo do contrato, ou uma prestação mais alta, mas sem surpresas.

2. Tenha em conta os documentos necessários: Para pedir um crédito à habitação, os bancos exigem alguma documentação, como o documento de identificação, o número de identificação fiscal, a última declaração de rendimentos entregue nas Finanças e a respetiva nota de liquidação, os últimos três recibos de vencimento, o mapa de responsabilidades de crédito, os últimos três extratos mensais das contas de depósito à ordem de outros bancos como comprovativo do vencimento e a declaração da entidade patronal.

3. Certifique-se que tem dinheiro suficiente para a entrada: Os bancos só podem financiar até 90% do valor da compra a escriturar ou da avaliação (sempre o valor mais baixo), enquanto o resto tem de ser suportado pelo cliente. Como por exemplo, se quiser comprar uma casa de 100 mil euros, pelo menos 10 mil euros vão sair do seu bolso para a entrada.

4. Não se esqueça dos seguros obrigatórios: Para além da prestação mensal, é preciso ainda pagar o valor dos seguros obrigatórios: o de vida e o multirriscos. Se fizer o seguro junto do banco que está a financiar o crédito, pode ainda beneficiar de uma redução do spread, ou seja, do valor fixo na assinatura do contrato - mas o ideal é comparar os valores e as condições das apólices entre seguros à parte ou junto do banco que irá conceder o crédito.

5. Simule e compare bancos: Para chegar à melhor proposta de crédito, é fundamental pedir várias simulações e comparar a TAEG (Taxa Anual Nominal) e o MTIC (Montante Total Imputado ao Consumidor), isto é, a soma do montante total do empréstimo correspondente aos custos associados ao crédito.

6. Tenha em conta a avaliação da casa: Os imóveis são colocados à venda por um valor, mas podem ser avaliados por uma quantia diferente, que alterará o crédito à habitação. O banco só pode financiar até 90% do valor da avaliação ou de aquisição (ver ponto 2), contando sempre o valor mais baixo.

7. Conte com um extra em comissões e despesas adicionais: Referimo-nos à comissão de dossier, avaliação, formalização da escritura, entre outros. Os valores podem variar consoante os bancos, mas é melhor contar sempre em gastar mais de 2 mil euros.

8. Prepare-se para o embate do IMT: o Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis paga-se uma única vez e varia consoante o valor de aquisição do imóvel ou o valor patrimonial tributário. A sua taxa pode variar entre 1% a 8%, sendo possível simulá-la aqui. Por sua vez, o Imposto de Selo é calculado através de uma taxa equivalente a 0,8% sobre o valor de escritura.

9. Faça contas ao IMI e ao condomínio: Depois da compra da casa, ficam ainda por pagar regularmente o condomínio, se se aplicar, e o Imposto Municipal de Imóveis (IMI). Como é a primeira vez a comprar casa, é possível ficar isento do IMI nos primeiros três anos, dependendo do valor da casa. Pode também simular o valor pagar de IMI aqui.

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