Comprar ou arrendar casa, qual é a melhor opção?

Saiba o que deve ter em conta na hora de escolher entre comprar ou arrendar casa. A melhor decisão depende de cada caso em particular.

Comprar ou arrendar casa é uma dúvida que muitas pessoas têm na hora de escolher. Esta é uma decisão muito importante e que deve ser bem ponderada, pelo impacto que tem no orçamento familiar. Arrendar pode ser a solução para quem não quer um compromisso de longo prazo. Já comprar é uma escolha para aqueles que buscam mais estabilidade. Contudo, a opção vai sempre depender de quanto pode ou quer gastar.

Durante o processo de reflexão, existem algumas questões a que deve responder. E, atenção, tenha presente que nesta situação não existem respostas certas ou erradas. Cada caso é um caso e estas respostas servirão apenas para o guiar na tomada de decisão.

Pretende aumentar a família? Gosta da zona onde mora? Tem estabilidade profissional? Prevê alguma alteração da sua situação financeira no futuro? Estas são apenas algumas das questões a equacionar.

Arrendar uma casa

Optar pelo arrendamento pode ser a melhor decisão para aqueles que procuram uma solução de curto ou médio prazo. Esta opção implica menos custos numa fase inicial, em comparação com a compra de uma casa.

Ao considerar a possibilidade de arrendar casa, saiba que, depois de um período de abrandamento da subida dos valores do arrendamento, marcado pela pandemia de covid-19, as rendas para os novos contratos aumentaram 11,5% no segundo trimestre do ano, comparando com o período homólogo. Segundo o INE, no segundo trimestre, "destacaram-se com valores de novos contratos de arrendamento mais elevados e com diminuição nos valores de rendas, os municípios de Lisboa (11,00 €/m2 e -3,2%), Oeiras (9,88 €/m2 e -0,8%) e Porto (8,77 €/m2 e -0,2%). Em sentido inverso, com aumento dos valores de rendas, refira-se Cascais (10,69 €/m2 e +6,9%) e Almada (8,59 €/m2 e +11,3%). A Amadora registou uma taxa nula" (neste artigo encontra a variação nas principais regiões do país).

Não obstante a variação dos valores do arrendamento, esta pode ser a alternativa, por exemplo, para quem ainda não tem um pé de meia que lhe permita avançar com a compra de uma casa. Ainda assim, é preciso ter em mente que a grande parte dos senhorios exige um mês de renda e mais um ou dois de caução. Fora estes gastos iniciais, quem arrenda casa não tem de se preocupar com as despesas pontuais do condomínio ou com o Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI). Contudo, o pagamento das faturas de água e luz ficam a cargo dos arrendatários, por regra geral.

Outra vantagem do arrendamento prende-se com a mobilidade. Esta opção permite-lhe mudar de casa com mais facilidade devido à duração dos contratos. Atualmente, os contratos de arrendamento têm um prazo mínimo de um ano e, na primeira renovação, têm de ser mantidos por mais três anos, exceto se o senhorio precisar da casa para si ou para os filhos, como explica a Deco.

Aqui pode ter o cenário inverso: pode ser obrigado a mudar-se, mesmo não estando nos seus planos, no caso de o senhorio não ter intenções de lhe renovar o contrato.

Outra particularidade do arrendamento é o facto de que, apesar de pagar uma renda mensal ao senhorio, a casa nunca será sua. E, neste sentido, pode achar que está a desperdiçar dinheiro em algo que nunca será seu.

Comprar uma casa

Ao contrário do que acontece com o arrendamento, para comprar uma casa tem de ter mais dinheiro numa fase inicial. Partindo do pressuposto que irá recorrer a um crédito habitação, saiba que o banco não vai financiar a compra na sua totalidade. Leia também o artigo Cuidados a ter antes de avançar para um crédito à habitação.

Em média as famílias gastam 138 mil euros na aquisição de habitação com recurso a crédito. E o valor médio, segundo um barómetro do Comparajá.pt, é de 401 euros mensais. A maioria só acaba de pagar o crédito após a reforma.

Atualmente, de acordo com as regras implementadas pelo Banco de Portugal, os bancos emprestam, no máximo, até 90% do valor do imóvel. Assim, é exigido ao cliente que assuma o restante valor (que normalmente funciona como uma entrada para reservar o imóvel no ato de assinatura do contrato de promessa compra e venda). Por isso, se está a pensar comprar casa, é necessário ter esse montante disponível. Por exemplo, se for uma casa de 150 mil euros terá de ter pelo menos 15 mil euros só para dar de entrada.

Os encargos iniciais não ficam por aqui. Se está a pensar comprar uma casa, tem de estar preparado para ter outros encargos nesta fase inicial. Terá de pagar gastos notariais e de registo, o imposto municipal sobre as transmissões onerosas de imóveis (IMT), o imposto de selo, e ainda outras comissões iniciais.

No artigo Como recorrer ao crédito à habitação para comprar a primeira casa, especialistas em finanças pessoas dão resposta às principais questões - como taxas, spread, IMT e IMI - com que nos deparamos quando pedimos o primeiro crédito à habitação.

E não se esqueça, quem compra casa terá de ter seguro de vida e multirriscos (exigidos pelos bancos para o financiamento) e IMI. O valor do IMI a pagar dependerá da localização e do tipo de imóvel (utilize o simulador do IMI para saber mais).

Esta opção pode resultar para aqueles que procuram mais estabilidade. Outra questão é que ao comprar uma casa, está também a constituir património.

Antes de avançar com a sua decisão é importante que perceba até onde pode gastar de modo a não comprometer a sua situação financeira. Para isso, deve saber qual é a sua taxa de esforço. A taxa de esforço é a relação entre o rendimento mensal líquido de um agregado familiar e as suas despesas. O recomendado é que esta esteja abaixo dos 30%. O simulador que publicámos com o título Até quanto posso pagar pela prestação da casa?, vai ajudá-lo nestas contas.

A verdade é que esta é uma decisão pessoal, onde pesam vários fatores, além do financeiro. Deve avaliar a sua situação e perceber qual a opção que se enquadra melhor no seu estilo de vida.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de