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Investir à distância de um clique

Fotografia: EPA/WALLACE WOON
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Hoje, já é possível obter conselhos de consultores robôs e pedir empréstimos e investir através de plataformas de crowdfunding

Se ainda havia dúvida de que a tecnologia iria dominar a gestão das finanças pessoais, o atual boom das Fintech veio provar o contrário. As startups que trabalham para inovar e otimizar os serviços do sistema financeiro estão a revolucionar a gestão das poupanças, não só ao nível das transações e transferências, mas também na forma como se investe. Segundo um estudo da Accenture, só nos últimos oito anos, foram investidos mais de 50 mil milhões de dólares em quase 2500 empresas desta área.

Esta disrupção tecnológica no setor tem vindo a derrubar barreiras no atendimento ao cliente e a mudar a forma como os consumidores interagem e investem o seu dinheiro. Além do acesso a novas formas de pagamento e a apps de online banking, também os serviços de investimento começam a ser automatizados.

Anteriormente, as entidades financeiras tradicionais detinham o conhecimento nas suas mãos e eram os únicos especialistas que podiam aconselhar o cliente sobre as melhores estratégias de investimento. Hoje, já é possível obter conselhos de consultores robôs e pedir empréstimos e investir através de plataformas de crowdfunding, uma alternativa cada vez mais popular. Aliás, de acordo com o mais recente relatório da Portugal Fintech, uma das áreas da atuação com mais soluções no país é precisamente a de “empréstimo e crédito”, com a de “alternativas de financiamento” logo atrás.

Entre as várias soluções de empréstimo, o chamado crowdlending, ou financiamento por empréstimo colaborativo, tem ganho bastante popularidade. Muito rapidamente, investidores e entidades que pretendiam angariar capital começaram a perceber as vantagens que este modelo tem, em comparação com instrumentos financeiros tradicionais. Neste caso, os investidores concedem um empréstimo a uma pessoa singular ou empresa para um fim específico, sendo que a entidade financiada remunera os investidores através do pagamento de juros.

Sem exigir uma grande quantia inicial, esta é uma forma fácil para pessoas com menos capital ou com vontade de diversificar os seus investimentos tradicionais, porem o seu dinheiro a render com rentabilidades mais atrativas, em alternativa a muitos bancos que impõem um valor mínimo para abrir um depósito a prazo. Números comprovam esta tendência à qual mais frequentemente os investidores recorrerem – um estudo da consultora Research and Markets, indica que o mercado global de crowdlending foi avaliado em 26 mil milhões de dólares em 2015 e está previsto atingir os 460 mil milhões até 2022.

Esta nova forma de investimento veio ainda oferecer taxas de juro altamente competitivas e democratizar o acesso a setores atrativos que no passado eram inacessíveis à maioria da população. Através deste tipo de plataformas, qualquer pessoa tem a possibilidade de investir em negócios em crescimento ou no setor imobiliário, como por exemplo na Housers onde é possível obter rentabilidades brutas que podem ultrapassar os 10%.

Simultaneamente, os processos de empréstimo tornaram-se mais simples e rápidos, na medida em que entidades podem ter acesso direto a grandes quantidades de capital mais rapidamente, sem passar por demasiada burocracia, ou como complemento à banca.

Perante este contexto, estas Fintechs não vão apenas revolucionar os atuais bancos de investimento, vão tornar-se um elemento importante para os mesmos. O que pode inicialmente parecer uma ameaça, será eventualmente uma grande oportunidade, permitindo aos bancos não só encontrar formas mais atrativas de competir com estas startups, mas também, incorporá-las nos seus próprios serviços ou estabelecer parcerias estratégicas.

Esta é a prova de que a tecnologia pode impactar positivamente os negócios e transformação das instituições e modelos de investimento tradicionais. Desta forma, o acesso e as oportunidades crescem, para que mais pessoas façam as melhores escolhas sobre onde investir o seu dinheiro.

João Távora 1

João Távora é diretor de Mercados Internacionais da Housers (Portugal e Itália)

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