finanças pessoais

Porque é tão importante a literacia financeira?

Nelson Machado
Nelson Machado

O desenvolvimento de bases financeiras adequadas na idade escolar permitirá dar às nossas crianças e jovens ferramentas úteis para a vida

A literacia financeira faz parte do nosso quotidiano e desempenha um papel determinante não só para uma economia mais saudável, como para uma sociedade mais informada do impacto das suas decisões financeiras.

Seja na gestão do orçamento familiar, na perceção da poupança, nos investimentos, no crédito ou no consumo, todos somos confrontados diariamente com formas de despender o dinheiro. Nos últimos anos, os temas do setor financeiro como a banca, os seguros, a bolsa, os investimentos e conceitos com elevado grau de complexidade ganharam mediatização, sendo frequente tópico de conversa e levantando o tema de, até que ponto, cada um de nós tem capacidade para entender muito do que é dito à nossa volta. Talvez por isso, a educação financeira, que não é nada mais que o desenvolvimento da compreensão de conceitos financeiros inerentes ao que se passa ao nosso redor e que influência diretamente a nossa vida, tem ganho destaque, sendo crucial para uma sociedade desenvolvida.

Não restam dúvidas que o conhecimento financeiro é um dos tópicos mais importantes para a resiliência das sociedades desenvolvidas do século XXI, sendo uma necessidade transversal a qualquer idade. Mas se assim é, quanto mais cedo se começar, melhor.

A OCDE reconhece a promoção da literacia financeira junto de crianças e jovens em idade escolar, como um dos meios mais eficientes para educar as gerações mais novas com uma cultura financeira que lhes permita, enquanto jovens e futuros adultos, desenvolver comportamentos e atitudes racionais face a questões de natureza económica e financeira. Acredito que o desenvolvimento de bases financeiras adequadas na idade escolar permitirá dar às nossas crianças e jovens ferramentas úteis, que irão desenvolver ao longo da sua vida, contribuindo para que sejam futuros cidadãos mais informados e aptos para os desafios financeiros da sua vida adulta.

Têm sido dados passos importante neste sentido, basta pensar no Referencial de Educação Financeira, no Plano Nacional de Formação Financeira ou na introdução da Literacia Financeira como um dos temas da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, mas há ainda um caminho a percorrer.

Se é inequívoca a necessidade, a forma, essa é chave, até porque este é um tema à primeira vista pouco atrativo e que não é simples de abordar.

Assim surgiu o desafio Ori€nta-te, sob a forma de um concurso, nesta 1.ª edição dirigido a escolas do 3.º ciclo do Ensino básico (1350 alunos de alguns concelhos do distrito de Lisboa) e cuja adesão ultrapassou as expectativas. O entusiasmo encontrado na comunidade escolar ilustra quer a valorização do tema em si quer a relevância da sua aplicação de forma prática: afinal os temas das finanças podem ser apelativos.

O Ori€nta-te materializa o desafio de sensibilizar as camadas mais jovens para as questões financeiras, a necessidade de poupar e preparar o futuro, levando-os a refletir na prática sobre temas como a gestão do orçamento familiar, despesas, receitas, estabelecimento de prioridades e formulação de estratégias de poupança para alcançar objetivos. Independentemente de o objetivo ser a preparação de uma viagem ou a ajuda a uma instituição, estes conhecimentos são importantes para a tomada de decisões acertadas, planeamento do futuro e responder de forma competente às situações do dia-a-dia que envolvem decisões financeiras. Com criatividade, empreendedorismo e trabalhando em equipa.

Porque a literacia financeira é mesmo importante e preparação é a chave da questão.

Nelson Machado é CEO Vida e Pensões Grupo Ageas Portugal

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