Saiba como se proteger da subida da Euribor

É importante que comece a preparar-se para lidar com um cenário de menor margem financeira, com a subida das taxas Euribor e, por conseguinte, da prestação do empréstimo da sua casa.

As taxas Euribor a seis e a 12 meses já se encontram em terreno positivo. Um cenário a que não assistíamos desde 2015. Isto quer dizer que quem tem créditos com taxas de juro variáveis, vai ver a sua prestação aumentar. Isto porque as taxas de juro variáveis comportam a soma do spread com a Euribor. Por isso, a oscilação deste indexante faz com que a prestação suba ou desça.

À medida que as prestações forem revistas nos próximos meses, consoante o seu contrato tenha sido negociado com a Euribor a três, a seis ou a 12 meses, vai poder deparar-se com este aumento.

Assim, a não ser que garanta um aumento dos seus rendimentos -, o orçamento mensal disponível para fazer face às despesas será menor. E por essa razão, é importante começar a preparar-se para lidar com um cenário de menor margem financeira.

Em primeiro lugar, deve calcular a sua taxa de esforço, isto é, o peso que os seus créditos têm no seu orçamento mensal. Se apenas tem um crédito habitação, a sua taxa de esforço não deve ser superior a 30%. Já se tiver mais créditos, a totalidade dos encargos mensais não deve ir além dos 50%.

Reveja todas as suas despesas

Comece por rever todas as suas despesas mensais. Este é o momento para perceber onde pode cortar. Pode começar pelos gastos considerados supérfluos. E tenha atenção, se há despesas que parecem não pesar muito no orçamento mensal - aquele lanche na pastelaria, o serviço de streaming, por exemplo -, a verdade é que no final do ano a fatura pode ser elevada.

Claro que nem todas as despesas podem ser eliminadas, como por é o caso da fatura da eletricidade, da água ou das telecomunicações. Nestes casos pode mudar alguns hábitos em casa para tentar reduzir valor da fatura mensal, bem como renegociar os seus contratos.

Tente renegociar o seu crédito com o banco

O crédito habitação é, regra geral, o encargo que mais pesa no orçamento mensal. Assim, a sua renegociação pode traduzir-se numa prestação mensal mais baixa, o que o fará poupar e ganhar a tal folga orçamental. Pode questionar todas as condições ao seu banco: das taxas de juro, spread aos seguros que tem contratados.

No caso da revisão dos contratos de seguros relacionados com a casa - vida e multirriscos -, é fundamental rever as condições associadas. Isto porque por um lado o que está incluído no seguro pode já não fazer sentido, e por outro, o valor do prémio poderá descer consoante o capital em dívida.

Pondere mudar para taxa fixa

A taxa de juro fixa permite maior estabilidade já que não muda ao longo do contrato. Os contratos de crédito associados a uma taxa de juro fixa não sofrem qualquer impacto com a evolução das taxas Euribor. Ou seja, a prestação que tinham no ano passado será a mesma que vão ter daqui a um ano, independentemente de o Banco Central Europeu (BCE) decidir subir juros ou não. Mas as taxas de juro fixas são sempre mais elevadas que as taxas de juro variáveis.

Por isso, é importante fazer simulações antes de uma eventual mudança no contrato, até porque a prestação a pagar ao banco será mais elevada com uma taxa fixa.

Antes de tomar qualquer decisão deve responder a algumas questões como: O que é preferível para a sua situação financeira? Pagar mais agora e contar com estabilidade no futuro, ou pagar menos neste momento e arriscar pagar mais depois?

Deve ainda colocar em cima da mesa outra situação: A casa é para viver o resto da vida ou pretende mudar nos próximos anos? É que para terminar o contrato de crédito antes do período combinado inicialmente terá de pagar uma comissão por reembolso antecipado. E esta comissão é mais elevada para os créditos a taxa fixa.

É importante salientar que as subidas da taxa Euribor não serão bruscas, uma vez que, por regra, as alterações são implementadas de forma progressiva. No entanto, se a taxa de inflação continuar em níveis elevados, o Banco Central Europeu provavelmente vai ter de atuar. O que terá impacto nas prestações dos contratos de financiamento indexados a uma taxa variável.

Verifique se é vantajoso transferir o crédito

Além de renegociar com o banco onde fez o crédito, pode também analisar a concorrência e pedir propostas a outras instituições financeiras.

Imagine que o seu contrato de crédito prevê um spread superior a 2%, provavelmente encontrará propostas melhores. Deve comparar as propostas através da TAEG, optando pela menor.

Se lhe oferecerem melhores condições noutro banco pode transferir o seu crédito. Reduzir a prestação mensal do crédito habitação é possível, nomeadamente através da transferência de crédito.

Se tiver mais do que um crédito, pondere a consolidação

Se mais do que um crédito ao seu encargo, como por exemplo, um crédito automóvel, um crédito pessoal e ainda cartões de crédito, é normal que o total de todas essas prestações pese no seu orçamento.

O crédito consolidado permite juntar vários créditos num só, com melhores condições e uma única prestação mensal mais baixa. Sendo que, a taxa de juro do crédito consolidado é, regra geral, mais baixa do que a média das taxas de juros de todos os créditos que tinha anteriormente. Esta opção também lhe vai dar mais folga orçamental para fazer face a este cenário de subida da Euribor.

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