dia internacional

Café é um vício que vale milhões de euros

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Portugal não é exceção no apetite pelo café. O valor deste mercado tem aumentado. Os hipermercados e os cafés de rua vão alimentando o vício.

O café é um vício que movimenta 556 milhões de euros só em Portugal. O Dia Internacional do Café assinala-se esta sexta-feira, dia 14, motivo para rever o que vale este mercado e como tem evoluído desde os tempos mais antigos até a uma atualidade marcada pela emergência das cápsulas, passando pelos hábitos sociais que tornaram alguns dos nossos espaços comerciais dignos de figurarem na História (ver galeria em cima com alguns cafés históricos portugueses).

Segundo a Nielsen, o café (misturas e sucedâneos torrados) vale neste momento 222,7 milhões de euros, mais 7% do que em 2016, enquanto o segmento dos solúveis baixou 2%, para os 55,4 milhões de euros, no ano móvel terminado na primeira semana de abril. Estes valores dizem respeito às vendas por via dos supermercados, hipermercados e comércio tradicional.

O fenómeno das cápsulas

Fotografia: direitos reservados

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“No último ano, o café cresceu a um ritmo superior ao da média dos Bens de grande consumo nos hipers+supers+tradicionais. O driver deste dinamismo têm sido os cafés torrados, que valem cerca de 75% do negócio das bebidas quentes, seguido dos chás+infusões. Dentro dos cafés torrados, destacam-se segmento das cápsulas, que ganham cada vez mais peso. O aparecimento das cápsulas alterou e continua a alterar a forma como consumimos café. Se, nos últimos anos, o consumo de cafés torrados não tem chegado a mais lares (mantém-se uma penetração de 80%), o mix do tipo de moagem alterou-se. As cápsulas têm sido o motor de crescimento da categoria. Há cada vez mais lares a consumi-las, em detrimento do café em grão, em pastilhas ou moído. Se em 2013, cerca de 70% dos lares que compravam cafés torrados eram compradores de cápsulas, em 2016 foram cerca de 80%, o que perfaz um incremento de 10 pontos percentuais neste período”, explica Tiago Aranha, Client Business Partner da Nielsen.

O estudo da Euromonitor, intitulado “Tendências Internacionais do Consumo de Café”, menciona que as máquinas de cápsulas representaram 84% das vendas de máquinas de café em 2016, com uma penetração no mercado português de 59%.

O consumo de café está a aumentar em toda a Europa, o continente que mais consome o produto, mas, no que toca à opção pelas cápsulas, há diferenças assinaláveis entre os países do Norte e os do Sul, conforme assinalou, ao JN, Cláudia Pimentel, secretária geral da Associação Industrial e Comercial do Café (AICC) : “Os primeiros têm mais preocupação ambiental e optam menos pelas cápsulas, ainda que se registe um aumento moderado desta opção. Ao invés, nos países do Sul, onde a questão ambiental não tem tanto peso, o crescimento das cápsulas é mais evidente”.

Cafés de rua ainda com peso importante

Fnac e Starbucks abrem no Aeroporto de Lisboa

Starbucks é o moderno café de rua

Outro segmento diz respeito aos cafés, snacks e restaurantes, onde o mercado também está muito ativo, valendo 278 milhões de euros, mais 2% do que no ano móvel comparável de 2016. No total do Índice Nielsen de Consumo Imediato, e no que diz respeito aos locais de compra, os cafés representam cerca de 57% do negócio, os restaurantes e os snacks 4% e 39%, respetivamente”, afirma Tiago Aranha.

Portugal é o país que tem mais estabelecimentos por habitante. Há um café de rua por cada 160 habitantes, o que contrasta com o que acontece na Europa, com um estabelecimento por cada 400 habitantes. Longe vão os tempos em que os cafés eram locais típicos de poetas ou de estudantes a ler afincadamente para os exames. O Nicola, que data do século XVIII (ver na galeria em cima), ficou famoso por ter Bocage como cliente.

Tudo somado, os vários tipos de café vendidos no comércio (tradicional e grandes ou médias superfícies) e nos restaurantes, snacks e cafés (estabelecimentos de serviços de porta aberta, com serviço de mesa e/ou esplanada), temos um mercado de 556 milhões de euros, só em Portugal.

Sucesso deve-se aos seus benefícios

O café foi descoberto em 575 d.C. na Etiópia e tem origem nos grãos da planta do café, Coffea Rubiaceae. Existem muitas espécies desta planta equatorial, contudo as mais exploradas comercialmente são C. arabica e C. canephora. Rapidamente difundiu-se para o Mundo através do Egito e da Europa.

Os seus benefícios são muitos e foram enumerados pela Associação Portuguesa dos Nutricionistas. Reduz a fadiga, aumenta os níveis de alerta e atenção, melhora o raciocínio e memória e, pode ainda, proteger contra doenças como cancro do cólon, diabetes tipo 2, cirrose hepática, carcinoma hepatocelular e depressão. O café também parece ajudar a manter as funções cognitivas no envelhecimento, reduzindo o risco de doença de Alzheimer e Parkinson.

Fotografia: REUTERS/Kai Pfaffenbach/File Photo

Fotografia: Kai Pfaffenbach/Reuters

Há horários mais aconselháveis para tomar café. Os momentos mais adequados são após os picos de produção de cortisol, uma hormona relacionada com a regulação do ciclo circadiano e com a manutenção do estado de alerta. A interação entre a consumo de cafeína e a produção da hormona pode induzir tolerância à cafeína. Deste modo, segundo a Associação Portuguesa dos Nutricionistas, o horário mais indicado para o consumo de café (cafeína) é entre as 9.30 e 11.30 horas e as 13.30 e as 17 horas.

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