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Dez gestores revelam como um retiro ajuda a decidir melhor

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São dez gestores que levam a fundo o aperfeiçoamento pessoal. São exemplos em que a gestão e o ser espiritual dão frutos, muito para lá dos lucros.

“Acabo de concluir dez dias de meditação em silêncio. Uau, que reset! Sinto-me grato e afortunado por ter podido tirar esse tempo.” A frase é do presidente executivo da rede social Twitter. Foi através de um tweet na sua conta pessoal, na rede, que Jack Dorsey tornou público, em janeiro deste ano, que tinha feito um retiro, conhecido como Vipassana. Nos negócios, a inteligência espiritual tornou-se um requisito, num mundo em que a inteligência artificial ganha espaço.

Em Portugal, quando se fala em espiritualidade e gestão, o primeiro nome que surge é o de Carlos Quintas, ex-presidente executivo da Altitude Software, que rumou ao Tibete para um retiro.

Outro gestor ligado ao tema é Luís Portela, presidente do grupo farmacêutico português Bial. Portela é autor de diversos livros, nos quais a espiritualidade e a pesquisa científica andam de mãos dadas.

“A procura pelo aperfeiçoamento, além da formação mais técnica, tem vindo a aumentar em Portugal”, afirmou Sofia Costa Quintas, diretora da Egor Alchemy, que aplica uma metodologia que criou de raiz. Há um ano, Sofia Costa Quintas vendeu a maioria do seu negócio à Egor. O método é “fora da caixa”, tendo uma vertente espiritual. No seu percurso constam gestores de diversos países. Em outubro vai lançar um programa internacional de certificação na metodologia que criou. O objetivo é ajudar os gestores a fundar empresas com um propósito e a fazer uma mudança de “ambição” para “significado”.

Para alguns gestores, a espiritualidade está intimamente ligada a uma religião. E têm uma rede de amigos que partilham a sua fé e os ajudam nos momentos mais desafiantes.

Mas seja a meditar, a orar, a fazer silêncio ou a viajar, os dez gestores que falaram ao Dinheiro Vivo partilharam experiências com significado e reconexão com eles próprios. Para estes gestores, parar não é só importante. É essencial para serem melhores pessoas e melhores gestores. E para conseguirem atingir ou superar as metas de gestão e entregar lucros aos acionistas. Mas não só. Transformar as suas empresas em locais de trabalho cheios de talento, humanos e que produzem muitos frutos.

Nuno Ferreira Pires, CEO da Sport TV

“Eu, por natureza, sou um otimista e, portanto, acho que tudo o que acontece na vida tem um propósito bom.” É assim que o presidente executivo da Sport TV começa por se descrever. Nuno Ferreira Pires transpõe esta sua atitude positiva para a Sport TV. Dedicado à carreira e à família, é católico e faz retiros anualmente e pausas semanais. Conta com uma rede de amigos que partilham a sua fé e visão positiva e o apoiam nos desafios. “Mesmo as adversidades trazem algo de bom e de construtivo no nosso percurso”, diz. Defende que a “primeira regra básica para se ser um bom gestor é estar sempre aberto a fazer uma pergunta: ‘Porquê?’” “Qual é o propósito maior de a empresa existir, além só do lucro, do acionista e da geração de valor para a economia, porque há valores para além disto.” Para isso, parar é fundamental. “Fazer estas paragens é a única maneira de fazer uma recalibragem.” Diz que o segredo para o sucesso e o bem-estar pessoal é estar “tecnicamente habilitado, espiritualmente orientado e fisicamente apto”. E agora está a “tratar rapidamente de garantir que a Sport TV torne claro, publicamente, que não é apenas entretenimento e levar conteúdo a casa dos portugueses”. Promover a prática desportiva e a alimentação saudável faz parte da missão da empresa que dirige.

Susana Nereu, Membro do conselho fiscal da TAP

Susana Nereu passou por um dos desafios que todos os gestores receiam. Teve de liderar um dos maiores processos de despedimento coletivo na banca em Portugal, quando era administradora financeira do BBVA. O processo de reestruturação do banco começou em 2015. O facto de saber meditar e de fazer retiros regularmente ajudou a gestora a lidar com o processo. Mãe de dois filhos, Susana Nereu é presidente do conselho fiscal do EuroBic e membro dos conselhos fiscais da TAP SGPS e da Oitante. “Foi em 2011 que comecei a ter uma prática regular de meditação”, recorda. “Era uma pessoa com muita dificuldade em entrar num estado de relaxamento, por ser uma pessoa muito mental, com muita atividade cerebral”, diz. Teve de começar por aprender as técnicas e fez diversos cursos. “Ao princípio, não saiu de forma natural. Agora, consigo entrar em meditação só com uma intenção, uma visualização ou respiração que me coloque nesse estado de quietude”, garante. Passou a “estar mais atenta e mais presente”. “Como se toda a minha vida tivesse vivido dentro de uma cabeça e passasse a viver dentro de um corpo e com todos os sentidos muito mais apurados, num estado de presença”, afirma. “Passei a estar mais atenta aos meus processos internos emocionais nos contextos onde eu estou, e isso modificou-me.”

Pedro Norton de Matos, CEO da COMMIT

“O retiro funciona para me reconectar, retirar-me do dia-#-a-dia, do quotidiano.” Pedro Norton de Matos faz retiros “há muitos anos”. Vive perto de Ponte de Lima, numa terra que é “um paraíso de biodiversidade”. É presidente executivo e fundador da COMMIT, prestando consultoria a empresas. E ainda sócio do Greenfest, evento dedicado a projetos ambientais e ligados à sustentabilidade. O seu gosto pela natureza – “fauna e flora e todos os mistérios das quatro estações” – é em si uma forma de “conexão”. Foi líder da multinacional Unisys para o sul da Europa, uma empresa onde esteve uma década. “Viajar tornou-se uma forma que encontrava de compensação, de encontrar algum equilíbrio”, recorda. “Tornei-me um viajante. E a viagem em si, no sentido filosófico, é uma procura, é uma busca”, sustenta. “E, em viagens, também estamos em retiro. São novas sensações, novas experiências, o valorizar o desconhecido, o diferente, sair das zonas de conforto”, afirma. Em viagem aprende-se a “ganhar humildade, a domesticar o ego”. “Tudo isso se consegue através dos retiros, ditos mais formais, que têm ganho mais adeptos e há cada vez mais oferta a nível mundial, tal como em Portugal.” Hoje, se voltasse atrás, “faria mais e melhor, do ponto de vista humano, um exercício de empatia, de nos pormos mesmo nos sapatos dos outros”.

Jorge Magalhães Correia, Presidente executivo da Fidelidade

“Se nós estivermos organizados na nossa cabeça e na nossa vida, melhor estamos no trabalho”, diz o presidente executivo da Fidelidade, a maior seguradora em Portugal. Para Jorge Magalhães Correia “somos pessoas integrais” e “tudo o que se possa fazer em termos de aperfeiçoar as características pessoais” tem impacto positivo a nível profissional. A Fidelidade foi pioneira no trabalho de formação e desenvolvimento pessoal conduzido por Sofia Costa Quintas, da Egor Alchemy. “Comprei facilmente. Percebi que estávamos a falar de uma dimensão fora da caixa em termos de gestão de talentos e de pessoas”, afirmou. O trabalho desenvolvido envolve a realização de retiros. “A metodologia da Sofia vai-nos tocando nos nossos pontos, a um nível profundo, numa ótica de aperfeiçoamento pessoal e profissional”, afirma. E o setor tem, sobretudo, profissionais com perfil “predominantemente analítico e técnico”. “Tratar a alma melhora as competências das áreas não técnicas”, refere. “Se não somos boas pessoas, não somos bons profissionais.” Há agora “uma maior conexão das pessoas dentro da organização”. Também sobressaiu a importância da diversidade, porque “traz amplitude de pensamento”. Quanto ao aperfeiçoamento individual e de equipa, diz que a sua “intenção é que se façam ações de vez em quando”.

João Vieira de Almeida, Advogado

Dirige uma equipa de mais de 350 colaboradores como managing partner de um dos maiores escritórios de advogados do país, o Vieira de Almeida & Associados, criado há mais de quatro décadas. João Vieira de Almeida jogou rugby – “a melhor escola de carácter”-, aprendeu a meditar e chegou a fazer ioga. “Gosto de meditar sozinho, de ter o meu tempo e espaço”, afirma. Fez coaching com Sofia Costa Quintas, que tem uma metodologia com uma vertente de desenvolvimento espiritual. Há cerca de seis anos apaixonou-se pelo alpinismo, que agora pratica regularmente. “Estava completamente deitado abaixo”, recorda. Subiu o monte Kilimanjaro, no norte da Tanzânia, mas já escalou em locais desde a Antártida à Rússia. Tornou-se a sua forma de fazer retiro. “É uma partilha em silêncio.” À medida que o oxigénio vai escasseando, o silêncio torna-se imperativo. E já “evangelizou” colaboradores – chegaram a ser 29 numa só subida. “A subida em equipa é uma coisa extraordinária. Há uma espécie de compromissos silenciosos, aprende-se a vencer os instintos, é uma partilha espiritual.” Ser alpinista tornou-o “uma pessoa muito mais paciente”. “Às vezes, para se alcançar o cume, tem de se esperar mais um dia. Podemos falhar. Aprendemos a fazer sacrifício pelo coletivo e a ter humildade.” Até porque “a subida é só metade do caminho”.

Bruno Bobone, Presidente da CCIP

A espiritualidade e a igreja sempre fizeram parte da vida do presidente da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa. Bruno Bobone foi vice-presidente da Associação Cristã de Empresários e Gestores em Portugal, presidente europeu e vice-presidente mundial da mesma associação, e é atualmente membro do conselho internacional da União Cristã Internacional de Gestores Executivos. Na sua visão, “a pessoa é única” e não se divide em família/carreira. “Toda a vida liguei a vida familiar e profissional. Não separo as duas coisas. Tudo o que faço em casa, faço também na empresa”, afirmou o gestor. A religião faz parte do seu dia-a-dia. “Faço retiros, vou à missa”, explica. “Além disso, tenho uma prática pessoal.” Conta com o apoio de um grupo de casais e um acompanhamento de um padre. Uma rede que é fundamental, incluindo nos desafios. As vantagens que um qualquer gestor retira de uma prática espiritual e dos retiros são muitas, diz. “Uma pessoa que tem fé é uma pessoa que acredita que tem ajuda, que consegue fazer um caminho.” “Fortalece a pessoa” e garante que “toma decisões em linha com os valores” que tem. Para Bruno Bobone, fazer retiros e ter uma prática espiritual “dá uma estrutura onde a pessoa se pode apoiar e é uma mais-valia na tomada de decisões. “Claro que também é uma grande responsabilidade, porque tem a obrigação de aplicar os princípios.”

José Galamba de Oliveira, Presidente da APS

É, desde 2016, presidente da Associação Portuguesa de Seguradores. Antes, liderou a Accenture. Foi na consultora que iniciou o contacto com retiros, numa vertente de formação pessoal e gestão de talento e equipas. “Foi um trabalho de autoconhecimento. Percebemos onde podemos melhorar”, afirma. “Para a gestão de topo é fundamental sair das nossas zonas de conforto.” Mas sublinha que é preciso coragem. Fez um retiro de um fim de semana e voltou a repetir. “Há que ter a disponibilidade para nos abrirmos enquanto pessoas e, de uma forma aberta, partilharmos o bom e o mau que temos.” Não duvida que a aposta numa formação com uma componente de aprofundamento, mais espiritual, é um investimento. “Conhecemo-nos melhor, até onde podemos ir.” Para as empresas, #é crucial: “O sucesso das organizações tem que ver com as pessoas.” No seu caso em particular, recorda que aprendeu muito. Destaca que, num mundo em permanente mudança, o desenvolvimento das chamadas soft skills é fundamental. “O mundo muda todos os dias” e “recentrar é indispensável”, defende. Diz que “todos temos pontos de melhoria” e, hoje em dia, ninguém se pode acomodar”. Hoje aposta numa eficiente gestão do seu tempo e não dispensa jantar diariamente com a família. “Há que tentar viver a vida e a vida não é só trabalho.”

Nuno Pinto de Magalhães, Diretor da Sociedade Central de Cervejas

O provedor e diretor de Comunicação e de Relações Institucionais da Central de Cervejas começou a fazer retiros há 10 anos. “Uma ou duas vezes por ano, em média, tenho feito um retiro de um dia”, diz. “O local escolhido é habitualmente fora dos locais urbanos, para me ajudar a abstrair, nomeadamente através da contemplação da natureza.” Os retiros são uma pausa na sua agenda preenchida. É presidente da Câmara de Comércio Portugal Holanda, da Auto Regulação Publicitária, da Associação Portuguesa de Industriais de Águas Minerais e da Nascente e da Fundação Luso. “Estes retiros denominam-se ‘Parar para Arrancar/Só avança quem descansa’ e são de silêncio, com quatro reflexões, que servem como motor/provocação e são orientadas por um sacerdote”, explica. “A necessidade de parar a rotina e atividade frenética diária, fazer silêncio e assim dar-me a possibilidade de me ouvir e confrontar-#-me, avaliando o sentido da minha vida e a forma como estou nela, bem como identificar em determinadas situações coisas que tenho de rever, comprometendo-me, pelo menos, a tentar mudá-las”, diz. Nuno Pinto Magalhães deixa um conselho a gestores que ainda não façam retiros nem tenham uma prática espiritual. “Não tenham medo de ouvir o que vos diz o coração e para isso parem, com tempo, disponibilidade e abertura.”

Ricardo Parreira, CEO da PHC Software

O presidente executivo da PHC Software medita todos os dias entre 15 e 20 minutos, a maioria das vezes acompanhando com caminhadas. Com quatro filhos e uma vida profissional preenchida, encontrou tempo e espaço para meditar. “A meditação ajudou-me a treinar a mente”, afirma. Começou a notar quando a mente está a divagar ou a complicar, a conseguir manter o foco e a escutar. “Deixamos de divagar para nos concentrarmos no que está a acontecer. A nossa resposta é muito melhor, não reagimos espontaneamente”, garante. Ricardo Parreira já fez “muitos retiros, uns 15 ou 20”. “Acho que o retiro é uma coisa maravilhosa”, diz. Na maioria, os retiros incluíram uma boa parte de tempo em silêncio. “O silêncio ajuda-nos a aprender a saborear a vida, as pequenas coisas da vida.” Faz, no mínimo, um retiro anualmente, o que recomenda. Gosta de estudar e investigar o cérebro e o treino da mente. “Tirei Gestão mas podia ter tirado Psicologia. Estou sempre a estudar.” Foi há 15 anos que começou a aprender a meditar. “Fiz um curso de introdução à meditação e fiquei apaixonado.” Uma das maiores lições que traz a meditação é “a aceitação, aceitar o que vier”. Ricardo Parreira levou para a PHC o entusiasmo por meditação e ioga e lançou o programa My Happiness. “Se a pessoa é mais feliz é também mais produtiva.”

José Rui Felizardo, CEO do CEiiA

O cofundador e presidente executivo do CEiiA – Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produtos – acredita na formação de líderes na empresa e aposta forte nessa vertente. Encontrou na Egor Alchemy um programa de formação que alinha com os objetivos do CEiiA. Uma equipa de 20 colaboradores, incluindo José Rui Felizardo, está agora a dar os primeiros passos num projeto de desenvolvimento pessoal e formação. “Foi um feliz encontro”, diz. Um retiro faz parte do trabalho de formação conduzido por Sofia Costa Quintas, que trabalha com ferramentas com uma vertente de conexão mais profunda, espiritual. “A questão é: como é que nós conseguimos agarrar em talentos individuais e transformar em talento coletivo”, afirma o gestor. Uma questão crucial, sobretudo para o CEiiA, que desenvolve produtos e serviços para indústrias como a aeronáutica, mobilidade e transportes, e do espaço. Para o líder do CEiiA, os “valores de cada um refletem a sua identidade”, e a empresa vai refletir esses valores, pelo que é importante o trabalho individual. “Numa equipa, a minha evolução está dependente da evolução das outras pessoas”, diz. Na formação, os colaboradores do CEiiA estão “a aprender a conhecer a ferramenta para depois saber como usá-la”. E fazer apenas com alguns gestores de topo não tem impacto na empresa. “Isso é maquilhagem.”

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