Função Pública

Fesap responde a Centeno e diz que conhece os números

José Abraão (c), secretário-geral da Federação de Sindicatos da Administração Pública e de Entidades com Fins Públicos (FESAP).   MANUEL DE ALMEIDA/LUSA
José Abraão (c), secretário-geral da Federação de Sindicatos da Administração Pública e de Entidades com Fins Públicos (FESAP). MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Estrutura sindical ainda espera ser chamada para reunião antes da votação final do Orçamento. Em causa os aumentos salariais de 0,3% para este ano.

A Federação dos Sindicatos da Administração Pública (Fesap) respondeu esta quarta-feira ao ministro das Finanças que falou de um aumento da despesa de 3,6% com os trabalhadores do Estado, mas que na opinião da estrutura sindical “ignora” alguns pressupostos.

“A Fesap não compreende as afirmações proferidas hoje pelo Ministro das Finanças, Mário Centeno, que, de forma inaceitável, confunde a opinião pública e coloca trabalhadores contra trabalhadores, ignorando alguns pressupostos”, refere em comunicado a federação de sindicatos.

A estrutura sindical, afeta à UGT, lembra que “grande parte desse aumento de 3,6% da despesa com o pessoal da Administração Pública resulta da reposição dos salários e da progressão nas carreiras que haviam sido cortados e congelados durante o período de ajustamento económico e financeiro. Este facto vai naturalmente refletir-se no Orçamento do Estado para 2020, mas não significa, de forma alguma, que vai haver um aumento real dos salários dos trabalhadores”, assinala a Fesap.

No comunicado, a Fesap acusa Mário Centeno de “confundir a opinião pública ao misturar aumentos salariais com progressões nas carreiras e médias salariais, utilizando uma forma simplista de fazer contas que é, no mínimo, incorreta e imprecisa, uma vez que nem sequer estamos perante a recuperação dos níveis salariais de 2009”.

A guerra de números e a troca de argumentos entre o Governo e os sindicatos representativos dos trabalhadores da administração pública começou em meados de dezembro do ano passado quando o Executivo impôs um aumento dos salários de 0,3% em 2020, limitados à inflação registada em 2019.

Os sindicatos abandonaram as negociações, mas a Fesap ainda espera ser convocada “antes da votação final global do Orçamento do Estado para 2020 que terá lugar a 6 de fevereiro, para uma reunião negocial que permita estabelecer aumentos salariais reais para todos os trabalhadores da Administração Pública”, lembrando que o ministro das Finanças disse que “a negociação está sempre aberta”.

A Federação anunciou na terça-feira uma greve nacional para dia 31 contra a proposta de OE2020, que considera ser “ofensiva” e “inaceitável” por prever aumentos salariais de 0,3%.

O protesto da Fesap coincide com o dia da manifestação nacional marcada pela CGTP e a Frente Comum, e com a greve de professores convocada pela Federação Nacional dos Professores (Fenprof).

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