África diz que benefícios da vacina da AstraZeneca "compensam os riscos"

A União Africana (UA) afirma: "vamos continuar a recomendar a utilização da vacina da AstraZeneca".

A União Africana (UA) mantém a recomendação da vacina da AstraZeneca, por considerar que os seus benefícios "compensam os riscos", afirmou esta quinta-feira o diretor do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana (Africa CDC).

"Esta semana, a Agência Europeia de Medicamentos [EMA] indicou, no quadro da questão dos coágulos de sangue, que estes deveriam ser listados como efeitos secundários muito raros da vacina AstraZeneca", começou por afirmar John Nkengasong.

"Contudo, ainda se reconhece que os benefícios de receber a vacina compensam os riscos destes raros efeitos secundários", salientou o diretor do Africa CDC, em declarações hoje na conferência de imprensa semanal da organização, em formato digital, a partir da sede da União Africana (UA) em Adis Abeba, Etiópia.

"A palavra-chave aqui é 'raridade'", reforçou o diretor do Africa CDC.

"Portanto, penso que esta vacina ainda é segura. Vamos continuar a recomendar a utilização da vacina", disse o virologista camaronês, defendendo que se desse "crédito ao que a EMA fez" através de "sistemas de vigilância muito fortes".

Embora quatro semanas de investigação não tenham conseguido definir fatores de risco específicos para explicar coágulos de sangue invulgares em pessoas que receberam a vacina de AstraZeneca, a EMA fez saber que constata uma "forte associação" destes eventos "adversos", que são um "sinal de que existe uma provável relação causal" entre a droga e os tromboembolismos.

Não obstante, o diretor executivo da EMA, Emer Cooke, afirmou que "o benefício da vacina da AstraZeneca na prevenção da covid-19 supera o risco de efeitos secundários", tendo demonstrado ser altamente eficaz na prevenção de doenças graves.

O produto da empresa farmacêutica anglo-sueca é a principal vacina utilizada em África, onde chegou principalmente através da COVAX, um mecanismo promovido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para facilitar o acesso equitativo ao medicamento por parte dos países menos desenvolvidos.

Para além da vacina da AstraZeneca, a UA confirmou no final de março a compra de 220 milhões de vacinas de dose única covid-19 à Janssen, uma subsidiária da Johnson & Johnson Pharmaceuticals, a serem distribuídas no terceiro trimestre de 2021. O continente tem planos para adquirir mais 180 milhões de doses desta vacina em 2022.

África, continente com cerca de 1,3 mil milhões de habitantes, administrou até agora 11 milhões de vacinas contra a covid-19, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), que esta quarta-feira alertou para as "desigualdades" no acesso às vacinas.

Na conferência de imprensa de hoje, Nkengasong manifestou ainda a oposição do Africa CDC à imposição de um "passaporte de vacinação", que o Reino Unido, por exemplo, a par de outros países, está a contemplar como estratégia para a abertura da sua economia.

"A nossa posição é muito simples: qualquer imposição de um passaporte de vacinação irá criar enormes desigualdades e exacerbá-las ainda mais", disse John Nkengasong.

"Já estamos numa situação em que não temos vacinas, e será extremamente lamentável que os países imponham como requisito de viagem um certificado de vacinação, quando o resto do mundo não teve a oportunidade de ter acesso às vacinas", acrescentou.

Segundo a OMS, apenas 2% de todas as doses de vacinas administradas a nível mundial foram administradas em África.

O África CDC advertiu na semana passada que é pouco provável que o continente atinja os seus objetivos de vacinação perante vários atrasos no fornecimento por parte de um fabricante importante, o Serum Institute of India, que anunciou recentemente que cerca de 90 milhões de doses da vacina AstraZeneca destinadas à COVAX em todo o mundo serão adiadas até ao final de abril, porque o governo indiano tem que dar resposta a um pico de infeções no país.

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