Após críticas da NASA, China defende gestão de foguetão que caiu na Terra (e passou por Lisboa)

A NASA criticou oficialmente os métodos da China na exploração espacial acusando de não cumprir os padrões responsáveis, mas o Governo chinês defendeu a gestão do foguetão que se incendiou sobre o Oceano Índico e disse que está a ser acusado injustamente de ter adotado padrões diferentes dos de outros programas espaciais. Objeto voador terá passado por Lisboa antes de se despenhar.

João Tomé
Imagens do foguetão chinês 5G Longa Marcha © DR
Imagens do foguetão chinês 5G Longa Marcha © DR
Imagens da zona onde o foguetão chinês 5G Longa Marcha terá caído este fim de semana © DR

A NASA acusou a China de agir de forma imprudente ao permitir que o seu foguetão caísse na Terra, aparentemente sem controlo, no domingo, após colocar uma parte da sua estação espacial em órbita.

A agência espacial chinesa explicou que a maior parte dos detritos do foguetão 5B Longa Marcha arderam perto das Ilhas Maldivas." A China tem acompanhado de perto a sua trajetória e emitido declarações antecipadas sobre a situação de reentrada", disse a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Hua Chunying.

"Não houve relatos de danos no terreno. A China também compartilhou os resultados das previsões de reentrada por meio de mecanismos de cooperação internacional", disse.

Este domingo o administrador da NASA, Bill Nelson, acusou a China, numa declaração oficial, de "não cumprir os padrões responsáveis" na gestão de detritos espaciais e do que se espera a nível de exploração espacial (e do tratamento dado aos restos dos foguetões).

O 5B Longa Marcha tinha mais do que 20 toneladas de peso, bem acima das habituais 10 toneladas da maioria dos foguetões que facilita depois a sua desintegração na atmosfera terrestre sem nunca chegar à superfície.

Tudo indica que os restos do foguetão chinês passou mesmo por Lisboa na madrugada de sábado para domingo, antes de cair nessa mesma noite perto das Maldivas, como se pode ver no vídeo.

A questão do lixo espacial promete ser um tema relevante para os próximos anos, não só por detritos de foguetões, mas pelos milhares de satélites (no ativo ou já reformados) na órbitra terrestre que não só podem colocar em risco missões espaciais, como prejudicam a visibilidade dos telescópios e correm alguns riscos de cair na superfície terrestre.

Estima-se que existam mais de 26 mil objetos na órbitra terrestre só perto de três mil estarão ativos e os próximos anos vão elevar este número de forma exponencial.

A primeira estação espacial chinesa

O foguetão carregou a secção principal da estação espacial Tianhe, ou Harmonia Celestial, que foi colocada em órbita, em 29 de abril.

Imagens da zona onde o foguetão chinês 5G Longa Marcha terá caído este fim de semana © DR

A China planeia mais 10 lançamentos, para completar a construção da sua estação.

Os foguetes espaciais geralmente voltam para a Terra logo após a descolagem. A agência espacial da China não explicou por que motivo o Longa Marcha foi colocado temporariamente em órbita.

Hua Chunying, a porta-voz chinesa, garantiu que Pequim está a ser tratado injustamente e apontou para a reação aos destroços de um foguetão lançado pela empresa aeroespacial norte-americana SpaceX, que caiu na Terra, em Washington, e na costa do Oregon em março. Na altura, ambos foram destroços muito pequenos - bem mais pequenos do que os restos do foguetão chinês - que conseguiram passar pela atmosfera, sem explicação oficial pela SpaceX.

"A imprensa norte-americana usou uma retórica romântica como 'estrelas cadentes que iluminaram o céu noturno'. Mas quando se trata do lado chinês, é uma abordagem completamente diferente", acusou.

Certo é que a tecnologia da SpaceX procura reutilizar os foguetões até por questões de custo e está a ser usada pela NASA.

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