Ministro da Administração Interna demite-se. Costa já aceitou pedido

"Mais do que ninguém lamento esta trágica perda irreparável", disse Eduardo Cabrita, referindo-se ao acidente mortal na A6. "Eu aceitei o seu pedido de exoneração", disse António Costa minutos depois aos jornalistas.

Bruno Contreiras Mateus
Ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita © EPA/ANTONIO PEDRO SANTOS

O ministro da Administração Interna anunciou esta sexta-feira, em conferência de imprensa, a sua demissão. Eduardo Cabrita demite-se no dia em que o seu motorista foi acusado de homicídio por negligência na sequência do atropelamento mortal de um trabalhador na autoestrada A6, dia 18 de junho, segundo despacho de acusação do Ministério Público divulgado hoje, e horas depois de ter reagindo dizendo "eu era o passageiro", o que gerou uma onda de indignação.

"Mais do que ninguém lamento esta trágica perda irreparável", disse agora Cabrita, falando de "aproveitamento político de uma tragédia pessoal". Sobre o despacho de acusação, o ministro da Administração Interna manifestou "confiança no Estado de direito". "Ninguém está acima da lei e é exatamente neste quadro que todo o esclarecimento dos factos deverá ser efetuado", acrescentou.

"É por isso que hoje não posso permitir que este aproveitamento político absolutamente intolerável seja utilizado no atual quadro para penalizar a ação do Governo, contra o primeiro-ministro, ou mesmo contra o PS. Por isso entendi solicitar a exoneração hoje das minhas funções de ministro da Administração Interna ao senhor primeiro-ministro", declarou Eduardo Cabrita.

<strong>"Eu aceitei o seu pedido de exoneração", disse Costa</strong>

Minutos depois, o primeiro-ministro disse aos jornalistas que "a justiça seguirá o seu caminho". "Eu aceitei o seu pedido de exoneração", disse António Costa numa curta declaração, acrescentando que "nos próximos dias" indicará o nome do sucessor. "Foi o dr. Eduardo Cabrita que me solicitou hoje o pedido de exoneração", face à acusação do despacho do Ministério Público. "Ele mandou-me uma mensagem a pedir a exoneração e eu disse sim, senhor."

O carro onde seguia o ministro da Administração Interna ia em excesso de velocidade, a 166 quilómetros/hora, segundo o despacho de acusação do DIAP de Évora. "De acordo com a acusação, o arguido conduzia, naquela ocasião e lugar, veículo automóvel em violação das regras de velocidade e circulação previstas no Código da Estrada e com inobservância das precauções exigidas pela prudência e cuidados impostos por aquelas regras de condução", diz comunicado do DIAP de Évora.

"Como resultado da conduta do arguido, o veículo embateu num indivíduo que procedia ao atravessamento da via, provocando-lhe lesões que lhe determinaram a morte", continua o despacho, que acusa o motorista do ministro de homicídio por negligência.

(Notícia atualizada às 18h15 na sequência das declarações do primeiro-ministro)

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