Morreu ex-ministro Jorge Coelho. Tinha 66 anos

Político e ex-ministro do PS tinha 66 anos.

DN/Dinheiro Vivo
Jorge Coelho © GLobal Imagens

Jorge Coelho, militante destacado do PS, morreu aos 66 anos, depois de ter tido um enfarte, segundo apurou o DN/Dinheiro Vivo junto de fontes socialistas.

Antigo ministro socialista, tinha abandonado no final de julho o seu espaço de comentador político na Circulatura do Quadrado (TSF e SIC Notícias), ao fim de doze anos, porque "já não acompanhava todos os temas da atualidade", uma vez que agora se dedicava sobretudo à queijaria que tinha em Mangualde. Um dos seus queijos foi mesmo premiado internacionalmente em 2019. O Vale da Estrela conquistou a medalha de prata no "Mondial du Fromage", um dos concursos mais conceituados da Europa.

Marcelo recorda "amigo" que "influenciou a vida do país"

Em declarações à SIC Notícias, o Presidente da República recordou-o como "amigo", sublinhando a sua "perspicácia analítica" toda ela "feita de intuição" e a forma como "influenciou a vida do país". Marcelo Rebelo de Sousa recordou também a sua "afabilidade" e a capacidade de, através disso, fazer pontes para lá do PS.

"Foi uma figura presente na vida pública durante três décadas", afirmou, recordando as diversas funções que ocupou, de deputado a ministro e incluindo conselheiro de Estado.

Jorge Coelho foi ministro das Obras Públicas e também da Administração Interna nos dois Governos de António Guterres, entre 1995 e 2002, estando nesse lugar quando caiu a Ponte de Entre-os-Rios, o que o levou a afastar-se da pasta assumindo de imediato a responsabilidade política. "A culpa não pode morrer solteira", disse, então.

Natural de Mangualde, Jorge Coelho era uma das mais influentes figuras dentro do partido, em que se filiou em 1982, onde assumiu vários cargos. Foi durante muito tempo conhecido como o "senhor do aparelho"

A sua biografia de 2014, escrita por Fernando Esteves, descreve-o mesmo como "O Todo-poderoso" - é esse o título. O subtítulo é "o político mais influente dos últimos 20 anos" e o livro fala das suas ligações à maçonaria.

No ano que entrou para o PS, este engenheiro, foi chamado para o governo chefe do gabinete do Secretário de Estado dos Transportes do IX Governo, Francisco Murteira Nabo. Antes de iniciar funções no governo de Guterres, foi secretário no governo de Macau, então sob administração portuguesa, até 1991.

Foi Coelho que primeiro utilizou a expressão, em 2001, "quem se mete com o PS, leva!". Aconteceu num discurso de campanha do PS, em resposta a uma crítica do Bastonário da Ordem dos Advogados da época, António Pires de Lima, que acusou o governo socialista de interferir nos tribunais e na justiça.

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