Tóquio 2020 é já a edição de verão dos jogos olímpicos mais cara de sempre

Foram os primeiros jogos olímpicos a serem adiados por causa de uma pandemia e agora estão prestes a tornarem-se os mais caros em toda a história da competição. Depois de uma década em preparações, a pandemia veio e trocou as voltas a Tóquio.

Dinheiro Vivo
Anéis olímpicos no exterior do museu olímpico de Tóquio, no Japão. © Charly TRIBALLEAU / AFP

Passado um ano de muitas incertezas, polémicas e recuos, os jogos olímpicos de Tóquio 2020 iniciaram-se na passada sexta-feira, 23 de julho de 2021, e são já considerados os mais dispendiosos alguma vez feitos durante o verão, segundo um estudo da Universidade de Oxford. As estimativas ficam por agora abaixo dos 21,9 mil milhões de dólares (cerca de 18,58 mil milhões de euros) gastos em Sochi, na Rússia, na edição de inverno, há sete anos.

Em 2013, Tóquio ganhava a rifa para ser a cidade anfitriã daquele que é o maior evento multidesportivo com representação a nível mundial. Naquela altura, as previsões apontavam para custos que chegavam aos 7,3 mil milhões de dólares (5,9 mil milhões de euros), porém, mesmo antes do deflagrar da pandemia, este valor já tinha aumentado em 70%. Isto não foi suficiente para soar alarmes, já que quase todos os jogos olímpicos ultrapassam o budget inicial. O problema é que nenhum tinha sido, até agora, atravessado por uma crise sanitária.

A 11 de março de 2020, é declarada, pela Organização Mundial de Saúde, a situação pandémica devido ao novo coronavírus e apenas treze dias depois eram adiados os jogos olímpicos pelo governo japonês. Segundo as contas do Comité Olímpico Internacional (IOC), este atraso ia custar cerca de 800 milhões de dólares.

Bent Flyvbjerg, o autor do estudo da Universidade de Oxford, afirma que o orçamento previsto já foi arrasado em mais de 200%, especialmente devido aos contratempos impostos pelo covid-19. As despesas do evento rondam agora entre os 15 e 20 mil milhões de dólares.

Sem qualquer público permitido, estes valores terão mais tarde de ser, em grande parte, suportados pelo governo japonês, já que com nenhum bilhete vendido - uma das principais fontes de receitas do evento - , calcula-se uma perda de cerca de 800 milhões de dólares (678 milhões de euros). Para além dos outros dois mil milhões de dólares (1,7 mil milhões de euros) previstos pela entrada de turistas na cidade, que injetariam dinheiro em setores como o hoteleiro, a restauração ou até mesmo comprando merchandising.

O cancelamento esteve em cima da mesa, mas para o presidente do Comité Olímpico, Thomas Bach, nunca foi opção. O responsável chegou a admitir que teria sido mais fácil, mas insistia que o seu trabalho era "organizar os jogos e não cancelá-los", afirmou em entrevista à L"Equipa. Outros defendem antes que os jogos prosseguiram para evitar que o IOC tivesse que reembolsar quatro mil milhões de dólares (3,39 mil milhões de euros) aos patrocinadores e praticamente 75% do total de receitas.

Também o primeiro-ministro japonês, Yoshihide Suga, acredita que o país tem todas as condições para continuar com o evento, mesmo depois de haver um pico de casos de covid-19 no país, devido à variante delta e ser obrigado a acionar um novo estado de emergência. "Enquanto nação anfitriã, eu acredito que temos de cumprir a nossa obrigação para o resto do mundo", explicou à NBC.

Contudo, a maioria dos japoneses não partilha da mesma opinião e 83% destes preferiam que os jogos olímpicos não se realizassem, tendo em conta que apenas um pouco mais de 20% da população está vacinada.

Ainda é cedo para prever se haverá algum surto devido ao evento de competição, mas ao contrário do "risco zero" prometido por Thomas Bach, uns dias antes da cerimónia de abertura três atletas testavam positivo.

E as controvérsias não ficam por aqui. A fevereiro de 2021, Yoshiro Mori, o chefe da organização dos jogos, foi demitido depois de dizer que "as mulheres falavam demasiado" numa conferência e, mais tarde, sairia de cena também o diretor criativo, Kentaro Kobayashi, associado a piadas antissemitas.

Tendo em conta todas estas questões, foram já vários os patrocinadores a deixar o barco. A Toyota foi a primeira a desvincular-se dos jogos. Seguiram-se a NEC, Panasonic e a Fujitsu.

Os jogos de Tóquio terminam a 8 de agosto e a 24 de agosto iniciam-se os Paraolímpicos, com fim marcado para 5 de setembro.

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