André Ventura diz-se "o político mais perseguido desde o 25 de Abril"

O candidato presidencial do Chega considerou hoje ser "o político mais ameaçado e perseguido desde o 25 de Abril", quando questionado pelos jornalistas sobre os insultos a adversários políticos que proferiu na quarta-feira à noite em Portalegre.

"É a campanha que os adversários têm feito contra mim em todo o lado. É 'racista', 'fascista', não há nenhum debate de ideias. O que disse foi que esses políticos estão ultrapassados", justificou, quando questionado pelos jornalistas hoje em Castelo Branco.

À chegada à zona de bares e restauração chamada Docas, em Castelo Branco, Ventura foi recebido com insultos de manifestantes, rapidamente abafados pelos seus cerca de 40 apoiantes, mais organizados e equipados com bandeirinhas da candidatura a puxaram pelo líder: "André, André, André".

"Dizem que eu insulto uma candidata quando ela diz que eu devia ser ilegal e nem sequer devia ter um partido político", afirmou, referindo-se à diplomata socialista Ana Gomes antes de ser rapidamente retirado do local pelos seguranças pessoais.

No comício noturno de quarta-feira, em Portalegre, Ventura proferiu insultos contra o líder comunista Jerónimo de Sousa e os candidatos Marcelo Rebelo de Sousa, João Ferreira, Marisa Matias e Ana Gomes.

O deputado único da força política da extrema-direita parlamentar aproveitou o facto de estar no distrito onde cresceu o ex-primeiro-ministro socialista José Sócrates (Covilhã), suspeito de crimes de corrupção, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais, para voltar a atacar o PS.

"Numa palavra: vergonha, vergonha", exaltou-se. "Não é a música do PCP nem os protestos de bandeiras coloridas nem das minorias subsidiodependentes, nem gritos ridículos que nos vão impedir. A nossa ordem é sempre a mesma: vão trabalhar", continuou.

Ventura recordou ainda a perda de mandato do autarca albicastrense Luís Correia no verão do ano passado decretada pelo Tribunal Constitucional devido a negócios da Câmara Municipal de Castelo Branco com uma empresa do seu próprio pai.

O socialista Correia cumpria o segundo mandato no município, que liderava desde 2013.

As eleições presidenciais realizam-se em plena epidemia de covid-19 em Portugal em 24 de janeiro, a 10.ª vez que os cidadãos portugueses escolhem o chefe de Estado em democracia, desde 1976. A campanha eleitoral começou no dia 10 e termina em 22 de janeiro.

Há sete candidatos: o incumbente Marcelo Rebelo de Sousa (apoiado oficialmente por PSD e CDS-PP), a diplomata e ex-eurodeputada do PS Ana Gomes (PAN e Livre), o deputado único do Chega, André Ventura, o eurodeputado e dirigente comunista, João Ferreira (PCP e "Os Verdes"), a eurodeputada e dirigente do BE, Marisa Matias, o fundador da Iniciativa Liberal Tiago Mayan e o calceteiro e ex-autarca socialista Vitorino Silva ("Tino de Rans", presidente do RIR - Reagir, Incluir, Reciclar).

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