Apps de rastreio podem baixar 15% dos casos e 11% das mortes, diz estudo

Estudo da Google e de Oxford indica que casos de covid-19 podem cair 15% se 15% da população usar a app de rastreio. Portugal já tem 5,35% numa semana

Apesar de se saber que as apps de rastreio (mais invasivas a nível de dados pessoais) na Coreia do Sul e em Singapura foram eficazes para ajudar a reduzir o número de casos da pandemia, na maioria dos restantes países onde foi lançada ainda há muitas dúvidas sobre a sua eficácia.

Um estudo divulgado agora (que será ainda revisto) pela Google e pela Universidade de Oxford revela que estas apps, mesmo na versão europeia, com menos dados recolhidos, podem ter um impacto significativo mesmo se poucas pessoas num país as utilizarem, revelam os investigadores que dizem mesmo que "podem reduzir drasticamente a disseminação do coronavírus".

Uma app usada por 15% da população - a versão portuguesa, Stayaway Covid, lançada há uma semana, já conta com 535 mil downloads e 5,3% da população -, com uma base sólida de funcionamento, pode levar a uma queda de 15% nas taxas de infecção e de 11% nas mortes por vírus, explica o estudo.

Os resultados usaram um modelo estatístico da Google, numa experiência onde foi simulada a propagação da Covid-19 baseada nas interações domésticas, no trabalho, na escola e em encontros sociais em alguns condados do Estado de Washington, nos Estados Unidos.

Apple já permite rastreio sem app

Entretanto, Apple e Google preparam-se para disponibilizar uma opção nos seus sistemas operativos para smartphone - iPhone e Android - que não requer sequer o uso de app para que seja feito o rastreio por Bluetooth. Essa opção tem de ser validada por cada governo de cada país.

No caso da Apple, com a atualização desta sexta-feira do sistema operativo iOS 13 (é agora a versão 13,7), já existe um ícone para rastreio automático sem app disponível nas definições dos iPhone, onde se pode selecionar a app de rastreio ativo (se tivermos, por exemplo, a portuguesa e espanhola) e partilhar diagnóstico de covid-19 com a autoridade competente - aparecendo que em Portugal é a DGS. Não há é espaço para colocar a indicação ou o código de que temos covid - para isso, pelo menos em Portugal, ainda é necessária a app Stayaway Covid.

Veja mais aqui

(vídeo explicativo que publicámos antes da disponibilização da app, com um dos programadores do INESC TEC a explicar o seu funcionamento)

E como funcionam este tipo de apps?

No caso europeu e português - a Stayaway Covid - são apps de uso voluntário que prometem que todos os (poucos) dados registados são anónimos. Rastreia os contactos que o utilizador teve com pessoas que poderão ter estado a menos de dois metros de distância durante mais de 15 minutos nas últimas 48 horas, no caso português.

O sistema usado para rastreamento é com a tecnologia de Bluetooth Low Energy (BLE) – e não a georeferenciação, para reduzir os dados pessoais e de localização amealhados dos aparelhos – para comunicar com outros telemóveis que têm a app instalada. Ou seja, só funciona se tiver o seu Bluetooth ligado (nos iPhone aparece mesmo uma indicação ao desligar o Bluetooth alertando que, assim, está a impedir o uso normal da app de rastreamento - isto para quando sair de casa).

Para que tudo funcione, as pessoas que estão infetadas com covid-19, recebem no seu teste oficial um código que devem colocar na app e têm 24h para o fazer, depois fica inutilizado para evitar, dentro do possível, maus usos. Dessa forma, as pessoas com quem estiveram em contacto nos últimos dias – sejam conhecidas ou não -, recebem um alerta que estiveram na proximidade de alguém com a doença.

Os dados ficam armazenados no telefone do utilizador durante 14 dias e são depois destruídos e a entidade que fica encarregue da gestão dos dados pessoais dos utilizadores que descarregam a app é o Ministério da Saúde, que garante que não são registados quaisquer dados pessoais dos utilizadores.

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