As mulheres devem banir por completo os homens das suas vidas, diz livro francês polémico

Não é todos os dias que um livro agita as lides políticas, culturais e profissionais em França. Le Génie Lesbien, da ativista Alice Coffin teve esse efeito.

Chama-se Le Génie Lesbien ('o génio lésbico' - tradução livre) e é o livro mais polémico dos últimos tempos em França. Escrito por Alice Coffin, a ativista feminista e que é uma ecologista eleita para vereadora em Paris, propõe-se "a eliminar os homens das nossas mentes, das nossas imagens e das nossas representações".

A autora depois explica que já eliminou o que vem de homens da sua vida: não lê os livros, não ouve músicas, não vê filmes feitos pelo sexo oposto. Precisamos, explica a autora, "de eliminar os homens de nossas mentes". A reação foi imediata. Não de homens (como diria a autora, "quem precisa ouvir deles?"), mas de outras feministas francesas. Marlène Schiappa, ex-ministra da igualdade de género do presidente Macron, acusou Coffin de defender "uma forma de apartheid" em considerações "perigosas". Já Sonia Mabrouk, uma locutora de rádio, perguntou à autora se ela não estava a promover o "obscurantismo" e uma "forma de totalitarismo". A Universidade Católica de Paris, onde lecionava Coffin, recusou-se a renovar seu contrato.

A França foi onde se desenvolveu a teoria feminista do pós-guerra e, mais recentemente, viu o movimento #MeToo gerar polémica, por haver ativistas feministas contra ele. Certo é que a taxa homicídio por violência doméstica é bastante alta no país, que vê agora uma geração mais jovem reagir com maior fervor contra esses números. Macron tem posto em prática medidas para combater o sexismo e a violência contra as mulheres, mas feministas consideradas mais radicais como Coffin não os valorizam, apelidando-as de tímidos. A verdadeira 'guerra' travada por homens contra mulheres, argumenta Coffin, que ganhou novas perspetivas enquanto estudava nos Estados Unidos, requer mais militância.

A vereadora denúncia a forma como o poder ainda protege os predadores e coloca-se assim na frente do que parece ser um novo feminismo francês. Agnès Poirier, autora de um livro sobre intelectuais da esquerda, reage indicando que Simone de Beauvoir, a filósofa, escritora e ativista dos direitos das mulheres no início do século XX, teria achado a cruzada contra os homens "totalmente ridícula". Beauvoir, que era bissexual e viveu durante décadas num relacionamento aberto com Jean-Paul Sartre, contrariou as convenções e deu voz às mulheres francesas, no entanto, manteve homens e mulheres na cama - e na discussão social.

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