Brilhante Dias: "O investimento chinês continua a ser bem-vindo"

Secretário de Estado da Internacionalização garantiu a empresários chineses que país continua aberto a receber mais capitais de Pequim.

A "porta da China não vai fechar", e também em Portugal "o investimento chinês continua a ser bem-vindo". Os dois países reiteraram esta quinta-feira que continuam empenhados em aprofundar as relações de investimento na abertura de um encontro entre empresários da China e dos países de língua portuguesa que decorre no Centro de Congressos de Lisboa.

"Portugal é hoje no quadro da União Europeia o país que tem, em função do seu PIB per capita, a maior intensidade de investimento com a República Popular da China. Esta abertura, esta necessidade e oportunidade de catalisar os ativos portugueses com recursos financeiros e capital com origem na República Popular da China foi algo que aconteceu nos últimos anos em Portugal, mas que, desde o o ponto de vista político, sempre sublinhámos e continuamos a sublinhar: Portugal é um país aberto", declarou o secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias.

O país conta nos últimos anos com um volume de investimento direto externo de 9,1 mil milhões de euros, de acordo com os dados que têm sido avançados pelo embaixador da China em Portugal, Cai Run. Os valores referem-se à entrada de empresas de capitais chineses, desde 2011, em empresas como a REN e EDP, no setor energético, mas também na banca e seguros, com a chegada da Fosun à Fidelidade e BCP. A oferta pública de aquisição da totalidade dos capitais da EDP pela China Three Gorges é a mais recente iniciativa de investimento chinês em Portugal, num momento em que a nível da União Europeia se discute uma vigilância mais apertada a processos de compra de participações de empresas europeias em sectores de alta tecnologia e outros considerados críticos do ponto de vista da segurança.

Mas, "o investimento chinês continua a ser bem-vindo", reforçou esta manhã Brilhante Dias, juntando que Portugal pretende também "continuar a reforçar o papel de Macau como plataforma única de relação entre os países de língua portuguesa e a República Popular da China".

O encontro de empresários ocorre no quadro do Fórum de Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, instituição com sede em Macau e que reúne representantes dos diferentes países em iniciativas para fomentar o crescimento das relações de investimento e comércio do grupo.

O Fórum está sob tutela do Ministério do Comércio da China, cuja vice-ministra, Gao Yang, afirmou também esta manhã que a China "irá persistir o caminho de abertura ao mundo". "A porta da China não vai fechar", indicou, aludindo a um discurso do Presidente chinês Xi Jinping este ano, por ocasião do fórum asiático Boao. A China tem insistido no tom multilateralista e de abertura em oposição ao discurso vincadamente protecionista assumido pela presidência americana de Donald Trump com um aumento das tensões comerciais entre os dois países.

Apesar disso, a China mantém-se ainda assim como um dos países mais fechados ao investimento externo, com vários sectores vedados ao investimento direto externo e com barreiras alfandegárias que limitam também, por exemplo, as exportações de alguns bens agroalimentares portugueses para o país. É o caso das exportações de carne de porco, cuja facilitação o governo português negoceia há vários anos.

Desde abril, o governo chinês comprometeu-se a abrir vários novos sectores ao investimento externo. Nomeadamente, o automóvel e também segmentos do sector financeiro. A realização, pela primeira vez, de uma feira de importações da China - a decorrer em Xangai, em novembro - é também apontada por Pequim como um passo de abertura. Portugal irá estar representado. Segundo o Ministério do Comércio da China, estarão presentes 150 mil compradores. "A porta da China não vai fechar", assegurou aos empresários portugueses e dos restantes países dem língua portuguesa, a vice-ministra do Comércio da china.

Na sessão desta manhã foram assinados 25 memorandos de entendimento entre empresas e instituições da China e dos países representados, embora o conteúdo destes não tenha sido disponibilizado. Foi ainda assinada uma nova convenção para evitar dupla tributação e evasão fiscal entre Portugal e a região administrativa especial de Macau. O entendimento atualiza um acordo anterior com a nova norma comum de troca de informações financeiras da OCDE.

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