Coronavírus

Como as grandes empresas mundiais estão a responder ao vírus da China

A população de Macau acorreu em massa aos supermercados para comprar produtos alimentícios, poucas horas após o Governo de Macau ter anunciado medidas excecionais para combater o surto do novo coronavírus e ter apelado à calma. TATIANA LAGES / LUSA
A população de Macau acorreu em massa aos supermercados para comprar produtos alimentícios, poucas horas após o Governo de Macau ter anunciado medidas excecionais para combater o surto do novo coronavírus e ter apelado à calma. TATIANA LAGES / LUSA

Com o peso económico e a posição da China no seio da cadeia de abastecimento mundial, o coronavírus está a afetar milhares de empresas em todo o mundo.

A China elevou esta quarta-feira para 490 mortos e mais de 24.300 infetados o balanço do surto de pneumonia provocado por um novo coronavírus detetado em dezembro passado, em Wuhan, capital da província de Hubei (centro), colocada sob quarentena. Além do território continental da China e das regiões chinesas de Macau e Hong Kong, há outros casos de infeção confirmados em mais de 20 países, o último novo caso identificado na Bélgica. A Organização Mundial de Saúde declarou na passada quinta-feira uma situação de emergência de saúde pública de âmbito internacional, o que pressupõe a adoção de medidas de prevenção e coordenação à escala mundial.

Veja como é que algumas das grandes marcas multinacionais estão a responder à epidemia, que obrigou muitas empresas a permanecerem fechadas até, pelo menos, 10 de fevereiro.

– Turismo e Lazer

O setor das viagens é o mais afetado diretamente pela decisão da China de colocar em quarentena dezenas de cidades e proibir visitas por grupos de turistas estrangeiros, numa tentativa de conter o surto. E já há também muitos países, por seu lado, a incentivarem que os seus habitantes a evitarem viajar para a China.

Muitas companhias aéreas estão a cancelar voos. A Air Canada, Air France, British Airways, Delta e Lufthansa estão entre as principais companhias que cancelaram todos os seus voos para a China.

A Cathay Pacific de Hong Kong é a companhia aérea que está a sofrer o maior impacto financeiro, pedindo a toda a sua equipa, de 27.000 pessoas, para tirar licença sem vencimento.

Casinos de Macau, normalmente um “parque de diversões “para os ricos e esperançosos da China continental, fecharam as suas portas. O mesmo aconteceu com os parques temáticos da Disney em Xangai e Hong Kong.

A MSC Cruzeiros, a Costa Cruzeiros e a Royal Caribbean cancelaram as paragens dos seus navios na China.

Journalists talk on the phone to a passenger of the World Dream cruise liner, owned by Genting Hong Kong Limited, docked at the Kai Tak Cruise Terminal in Hong Kong, China, 05 February 2020. Genting announced that three passengers on a recent World Dream cruise had developed coronavirus symptoms following a cruise between 19 and 24 January 2020. The ship was denied port call in Taiwan and was forced to return to Hong Kong for an early arrival on 05 February. The virus originated in the Chinese city of Wuhan and has so far killed at least 493 people and infected over 24,000, mostly in China. EPA/JEROME FAVRE

EPA/JEROME FAVRE

Os cinemas da China foram forçados a encerrar, numa altura de estreias de grande sucesso durante as férias, por causa do ano novo lunar. A Imax Corp, sediada no Canadá, pode ser privada de 60 a 200 milhões de dólares em receitas perdidas de bilheteira, segundo analistas.

– Eletrónica

A gigante tecnológica Foxconn mantém as suas fábricas chinesas fechadas até meados de fevereiro e pede a alguns funcionários que fiquem longe por mais 14 dias, o período de incubação do vírus.

Isso pode afetar as cadeias de abastecimento mundiais de empresas tecnológicas que dependem da Foxconn para fabricar tudo, desde os iPhones da Apple até TVs e computadores portáteis.

Por seu lado, a Apple está a trabalhar em planos para compensar qualquer perda de produção dos seus fornecedores na China.

A LG Electronics, da Coreia do Sul, retirou-se do Mobile World Congress deste mês, em Barcelona, a principal feira da indústria de smartphones, de 24 a 27 de fevereiro.

  • – Automóveis

    Wuhan, a cidade chinesa é um centro para fábricas estrangeiras dos Estados Unidos, Europa, Japão e Coreia do Sul.

As férias prolongadas limitaram o impacto imediato na sua produção em Wuhan, mas crescem as preocupações sobre os efeitos, inclusive nos fornecedores de automóveis na China.

A Hyundai diz que está a suspender toda a produção na Coreia do Sul por falta de peças provenientes da China.

A Tesla, pioneira em carros elétricos, diz que o vírus pode atrasar uma aceleração planeada na produção, na sua nova fábrica em Xangai, e afetar potencialmente os ganhos deste trimestre.

  • – Alimentos e bebidas

  • A China continental é o segundo maior mercado da cadeia americana Starbucks, com mais de 4.000 pontos de venda. Metade deles fechados pelo surto.

O gigante da fast food McDonald’s fechou todos os seus restaurantes em Hubei, província de Wuhan, mas cerca de 3.000 na China permanecem abertos. Pizza Hut e a KFC também estão a sofrer encerramentos na província de Hubei, impostos pela sede chinesa, Yum China.

epa08175984 (FILE) - People queue to order food at a McDonald's restaurant in Beijing, China, 10 January 2017 (reissued 29 January 2020). McDonalds is to release their 4th quarter 2019 earnings report on 29 January 2020. EPA/ROMAN PILIPEY *** Local Caption *** 53225973

EPA/ROMAN PILIPEY

– Outras indústrias

A fabricante de aviões europeia Airbus interrompeu a produção na sua fábrica em Tianjin, leste de Pequim. O mesmo aconteceu ao grupo francês Safran, que fabrica motores de helicópteros e componentes de aviões, a partir de Tianjin, e de outras fábricas na China.

A fabricante de equipamentos pesados Caterpillar, que já sofreu com a guerra comercial entre a China e Estados Unidos, alertou para a “contínua incerteza económica global” este ano.

A Nike alertou para um “impacto material” nas operações na China continental, Hong Kong e Taiwan. A gigante de roupa e calçado desportivo fechou cerca de metade das suas lojas na China e assistiu a uma queda nas vendas das lojas que ainda estão abertas.

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