Confirmada a primeira morte por coronavírus em Portugal

A vítima é Mário Veríssimo, 80 anos, antigo massagista do Estrela da Amadora e amigo de Jorge Jesus.

A ministra da Saúde, Marta Temido, anunciou esta segunda-feira à tarde, em conferência de imprensa, a primeira morte por Covid-19 em Portugal. O paciente, de 80 anos, que tinha "várias patologias associadas" e que estava internado no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, é a primeira vítima mortal confirmada no País.

Na realidade, a vítima é Mário Veríssimo, antigo massagista do Estrela da Amadora, avança o DN, que sofria de uma doença pulmonar e chegou ao hospital só com um pulmão a funcionar. Este doente foi notícia há três dias quando Jorge Jesus, treinador do Flamengo, disse numa conferência de imprensa que tinha perdido um amigo devido ao covid-19. Na altura, o técnico sabia que Veríssimo estava com uma saúde bastante precária e tinha recebido uma informação errada, mas a morte acabou por acontecer esta segunda-feira.

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Segundo o boletim diário da Direção-Geral de Saúde, divulgado ao início da tarde, há 331 casos confirmados de coronavírus em Portugal. Regista-se assim um aumento do número de doentes em 86, face a domingo.

Segundo a DGS, dos 331 doentes com Covid-19 139 estão internados e 18 deles encontram-se nos cuidados intensivos. Do total de casos confirmados, três já recuperaram. Neste momento, há ainda 374 casos suspeitos a aguardar os resultados das análises laboratoriais.

A ministra da Saúde agradeceu aos profissionais de saúde do Hospital de Santa Maria no apoio ao doente que faleceu e agradeceu também a todos os profissionais de saúde "pelo enorme esforço diário" para garantir que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) continua a funcionar. Marta Temido transmitiu também as condolências à família e amigos.

As reações de Marcelo e António Costa

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, lamentou hoje a morte da primeira vítima em Portugal da pandemia do Covid-19, e apresentou "sentidos pêsames" à família.

"O Presidente da República apresenta os seus sentidos pêsames à família da primeira vítima mortal da pandemia do Covid-19 em Portugal, cujo falecimento acaba de ser confirmado pelas autoridades de Saúde".

O primeiro-ministro apresentou também as condolências à família, através de uma mensagem publicada na rede social Twitter. António Costa diz que primeira morte deve servir para tomar consciência dos riscos.

Estrela da Amadora lamenta a morte de Mário Veríssimo

Numa mensagem publicada na rede social Twitter, o Estrela da Amadora lamentou a perda do antigo massagista, um histórico do clube.

Os conselhos da DGS para as empresas

A Direção-Geral da Saúde emitiu recomendações às empresas por causa do coronavírus, aconselhando-as a definir planos de contingência para casos suspeitos entre os trabalhadores que contemplem zonas de isolamento e regras específicas de higiene, evitando reuniões em sala.

Na orientação publicada na página da internet, a DGS diz que as empresas devem estar preparadas para a possibilidade de parte (ou a totalidade) dos seus trabalhadores não irem trabalhar, devido a doença, suspensão de transportes públicos ou encerramento de escolas e que devem avaliar as atividades imprescindíveis na empresa e os recursos essenciais para as manter.

Aconselha ainda as empresas a recorreram a formas alternativas de trabalho, como o teletrabalho, reuniões por vídeo e teleconferências, assim como o acesso remoto dos clientes. Para este efeito, as companhias devem "ponderar o reforço das infraestruturas tecnológicas de comunicação e informação", refere a DGS.

Para restringir o contacto direto com os casos suspeitos que possam surgir, as empresas devem criar áreas de isolamento com ventilação natural, ou sistema de ventilação mecânica, e revestimentos lisos e laváveis, sem tapetes, alcatifas ou cortinados.

Estas áreas deverão estar equipadas com telefone, cadeira ou marquesa, água e alguns alimentos não perecíveis, contentor de resíduos (com abertura não manual e saco de plástico), solução antisséptica de base alcoólica, toalhetes de papel, máscaras cirúrgicas, luvas descartáveis e termómetro.

Nesta área, ou próximo, deve existir uma instalação sanitária devidamente equipada, nomeadamente com doseador de sabão e toalhetes de papel, para a utilização exclusiva do trabalhador com sintomas/caso suspeito, acrescenta.

A empresa deverá incluir no seu plano de contingência procedimentos básicos para higienização das mãos (devem ser lavadas com água e sabão e/ou desinfetadas), regras de etiqueta respiratória (evitar tossir ou espirrar para as mãos), de colocação de máscara cirúrgica (incluindo a higienização das mãos antes de colocar e após remover a máscara) e de conduta social que incluam alterações na frequência e/ou a forma de contacto entre os trabalhadores e entre estes e os clientes, evitando o aperto de mão, as reuniões presenciais e os postos de trabalho partilhados.

Os planos de contingência devem ainda identificar os profissionais de saúde a contactar, mantendo acessíveis na empresa os contactos do Serviço de Saúde do Trabalho e, se possível, do(s) médico(s) do trabalho responsável(veis) pela vigilância da saúde dos trabalhadores.

Segundo esta orientação da DGS, as empresas devem ainda disponibilizar em sítios estratégicos (zonas de refeições, registos biométricos e zonas de isolamento) máscaras cirúrgicas para utilização do trabalhador com sintomas (caso suspeito) e para serem utilizadas, enquanto medida de precaução, pelos trabalhadores que prestam assistência ao/s caso/s suspeito/s, assim como toalhetes de papel para secagem das mãos.

As autoridades recomendam ainda o planeamento da higienização e limpeza dos revestimentos, equipamentos e utensílios, assim como dos objetos e superfícies como corrimãos, maçanetas de portas e botões de elevador.

Os planos devem ainda prever procedimento de vigilância de contactos próximos do caso suspeito, designadamente trabalhadores que estejam no mesmo posto de trabalho (gabinete, sala, secção, zona até 2 metros) ou que estiveram face-a-face com o caso confirmado ou que esteve com este em espaço fechado.

Perante um caso confirmado por COVID-19, a DGS diz ainda que devem ser ativados os procedimentos de vigilância ativa dos contactos próximos (familiares e amigos).

Segundo esta orientação da DGS, o período de incubação estimado do novo coronavírus é de dois a 12 dias. Como medida de precaução, as autoridades recomendam a vigilância ativa dos contactos próximos durante 14 dias desde a data da última exposição ao caso confirmado.

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