Covid-19: Escolas da ilha de São Miguel em ensino à distância até à Páscoa

Todas as escolas da ilha de São Miguel vão ficar na próxima semana no regime de ensino à distância, medida que visa travar a disseminação da infeção pela estirpe inglesa do SARS-CoV-2, anunciou na quinta-feira o Governo açoriano.

"Quanto às escolas, foi decidido que todos os estabelecimentos de ensino da ilha de São Miguel ficam em regime de ensino à distância na próxima semana", afirmou o secretário regional da Saúde e Desporto, Clélio Meneses, numa conferência de imprensa, em Angra do Heroísmo.

Dos 114 casos ativos de infeção pelo novo coronavírus que provoca a doença covid-19 registados na ilha São Miguel, 96 são da estirpe britânica, um dos motivos que levou o executivo açoriano a suspender o ensino presencial na semana antes das férias da Páscoa.

"Parte substancial destes novos casos, 96 em 114, são da estirpe denominada inglesa, que tem um elevado grau de transmissibilidade nas faixas etárias mais novas", salientou Clélio Meneses.

Dos seis concelhos da ilha de São Miguel, três estão no nível mais baixo de risco de transmissão do novo coronavírus (Nordeste, Ribeira Grande e Vila Franca do Campo), enquanto Povoação está em baixo risco, Ponta Delgada em médio risco e Lagoa em alto risco.

O secretário regional da Saúde salientou, no entanto, que há alunos que "mesmo residindo em concelhos de baixo risco ou muito baixo risco frequentam escolas que estão em concelhos de médio ou alto risco".

Outro dos motivos apresentados pelo governante foi o facto de faltar uma semana para as férias da Páscoa, não havendo atualmente "uma exigência de avaliação presencial tão intensa como no resto do período letivo".

"É preciso termos a noção de que partimos na última semana com zero internamentos nos Açores e neste momento temos sete internamentos no Hospital do Divido Espírito Santo [em Ponta Delgada], o que quer dizer que temos claros e evidentes sinais de alerta, que têm de ser tidos em conta", acrescentou.

Também o presidente da Comissão de Acompanhamento da Luta contra a Pandemia nos Açores, Gustavo Tato Borges, realçou que um dos grupos etários em que surgiu um aumento de novos casos, nas últimas duas semanas, foi o das crianças até nove anos.

"Os únicos grupos etários que aumentaram a proporção de casos foram, de facto, entre os 0 e os 9 anos e entre os 40 e os 49 anos", afirmou, justificando o recurso ao ensino à distância e o encerramento de creches e ateliês de tempos livres em São Miguel.

As medidas de contenção aplicadas a cada nível de risco de transmissão são atualizadas às 00:00 de sábado, havendo alterações na Ribeira Grande, que baixa de alto para muito baixo risco, e em Lagoa, Ponta Delgada e Povoação, que aumentam o nível de risco.

Todos os restantes concelhos dos Açores estão em nível de muito baixo risco de transmissão do novo coronavírus.

Mantém-se a obrigatoriedade de realização de testes de despiste antes do embarque à saída de São Miguel para qualquer uma das restantes ilhas.

A avaliação dos níveis de risco nos Açores tem por base um modelo alemão, de semáforos, e é calculado em função do número de novos casos por 100 mil habitantes num período de sete dias.

Existem cinco níveis de risco: muito baixo (menos de 25 casos por 100 mil habitantes), baixo (entre 25 e 49 casos por 100 mil habitantes), médio (entre 50 a 74 casos por 100 mil habitantes), médio alto (entre 75 e 99 casos por 100 mil habitantes) e alto (mais de 100 casos por 100 mil habitantes).

Os Açores têm atualmente 115 casos ativos de infeção pelo novo coronavírus que provoca a doença covid-19, dos quais 114 em São Miguel e um na Terceira.

Desde o início da pandemia foram diagnosticados na região 4.040 casos, tendo ocorrido 3.788 recuperações e 29 óbitos. Saíram do arquipélago sem terem sido dadas como curadas 67 pessoas e 41 apresentaram comprovativo de cura anterior.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.682.032 mortos no mundo, resultantes de mais de 121,2 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 16.743 pessoas dos 816.055 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

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