Depois do inesperado ano de 2020, conheça as tendências para 2021

Marian Salzman, uma das mais influentes comentadoras de tendências culturais do mundo e vice-presidente da comunicação da Philip Morris International, explora 11 perspetivas que vão influenciar as nossas escolhas de vida e comportamentos, num ano especialmente dedicado a "um novo normal".

As palavras resiliência e adaptação estarão na ordem do dia - e do ano de 2021, segundo o Relatório Anual de Tendências de Marian Salzman.

O ano de 2020, que tão promissor contávamos ser, acabou por se revelar num dos piores de que há lembrança. Para muitos, este ano não representou mais do que uma folha em branco que se espera esquecer rapidamente.

No entanto, e com a necessidade de ver o lado positivo das coisas, Marian Salzman acredita que 2020 serviu para nos focarmos mais no lado pessoal, recuperar e desenvolver o mundo virtual e fazer as pazes com a incerteza.

Assim, o que esperar para 2021? Que tendências deixarão marca e ajudarão a moldar a próxima "normalidade" que se vai formando à medida que avançamos para o nosso futuro pós-pandémico?

1. Ampliar o que importa

O período global de reflexão proporcionado pela pandemia deu-nos o tempo e o espaço mental para considerarmos como temos vivido - e se tem valido a pena. Neste ponto, em 2021 é a renovação dos estilos de vida e a reconsideração das ambições que marcará a agenda.

2. Tempo e Espaço

Quarentena e confinamento foram palavras de ordem em 2020. Esta experiência - especialmente no contexto do trabalho a partir de casa, deixou as suas marcas e obrigou a que as pessoas e as empresas repensassem as abordagens tradicionais no que respeita ao tempo e ao espaço.

Assim, 2021 poderá ser o ano em que os tradicionais horários se reformam e dão lugar a uma semana de trabalho autónoma e flexível em que os indivíduos programam as próprias agendas e se adaptam ao trabalho nas horas de maior produtividade.

3. O regresso ao "nós"

Numa era digital marcada pela sobrevalorização do individual, com selfies, marcas e playlists personalizadas, a pandemia veio despertar um indício de comunidade perdida no tempo.

Com a ausência forçada da presença física, priorizaram-se chamadas virtuais e tantas outras formas de uma aproximação desejada. Com esta bandeira vermelha a chamar a atenção para práticas que desvalorizávamos, em 2021, a procura será pelo convívio e pela reavaliação dos círculos sociais que se concentrarão ainda mais na intimidade e ligação.

4. O real torna-se irreal, o irreal torna-se real

Em tempos de falsificações profundas, é a autenticidade que atrai, mesmo quando a tendência é para viver cada vez mais num mundo virtual.

O equilíbrio é essencial e passa pela desintoxicação do digital. A ideia é a de uma mistura saudável e inteligente dos dois mundos, assumir o desenvolvimento tecnológico e tirar dele o melhor proveito mas conciliá-lo simultaneamente com o real.

5. A era dos drones e da tecnologia

Não é de agora que nos aproximamos a passos largos da automatização do trabalho, no entanto, esta pandemia veio acelerar o processo, não só com o teletrabalho, mas também com a lembrança da fragilidade do ser humano.

Procurando resolver esta vulnerabilidade, nasceu num hospital em Wuhan, na China, uma mercearia sem trabalhadores onde foram utilizados drones para entregar suprimentos médicos e kits de teste à covid-19 em Espanha, na Indonésia, e na China.

Isto faz-nos pensar, que outros trabalhos serão automatizados em breve?

6. Preparação preventiva

Vários são o que acreditam no dia do "juízo final" e, mesmo antes da covid-19, adotaram um estilo de vida defensivo baseado na proteção e no armazenamento.

Devido à pandemia, a tendência é para que este número continue em crescimento, não só no que respeita ao abastecimento de stocks mas também à preparação de espaços físicos, como casas ou ginásios, com equipamento médico para uma eventualidade ou mesmo com uma adaptabilidade fora do normal.

7. Redefinir o essencial

A ameaça existencial da covid-19 pôs em causa a pirâmide das necessidades de Maslow. Com mais pessoas a trabalhar e a frequentar a escola em casa, o que é essencial para 2021?

A banda larga universal é um luxo ou uma necessidade? Qual é a expectativa básica de saneamento e cuidados de saúde públicos numa altura em que as pandemias se espalham rápida e letalmente através de comunidades e países?

Os acontecimentos de 2020 puseram em evidência disparidades de riqueza e de acesso que durante muito tempo foram consideradas como uma preocupação secundária. Em 2021, a atenção estará voltada para um maior apoio à justiça social e económica, partilha de recursos, e discussões sérias de conceitos que em tempos teriam sido descartados como radicais, tais como um rendimento básico universal.

8. Salvos pela internet - mas a que custo?

O nosso quotidiano depende cada vez mais de aplicações e lojas virtuais que, rapidamente, suprimem até as necessidades mais básicas como cozinhar.

Com o passar do tempo, tem-se vindo a perder alguma perícia e talvez até algum sentido de responsabilidade. Como contra tendência, a solução parece passar em parte pelo aumento da procura do ensinamento de competências que os pais transmitem aos filhos.

9. Empresas como agentes de mudança

Não são uma surpresa as empresas que têm um propósito para lá dos lucros, no entanto, a pandemia da covid-19 veio acelerar ainda mais esse processo. Existe a sensação crescente de que os desafios que o mundo enfrenta são demasiado complexos para que os governos possam resolvê-los sozinhos.

Nas primeiras semanas de confinamento, vimos empresas, grandes e pequenas, a produzir ventiladores e equipamento de proteção pessoal e a apoiar clientes e comunidades de outras tantas formas. Em 2021, podemos esperar mais do mesmo, mas com uma novo ênfase em parcerias público-privadas.

10. Repensar a habitação

Será que em 2021 iremos assistir a uma inversão da migração que acontece há décadas para as grandes cidades? As novas tecnologias e a adaptação ao teletrabalho vieram permitir às cidades mais pequenas, e mesmo às zonas rurais, competir pelos residentes.

A curto prazo, podemos esperar uma continuação da tendência para casas mais pequenas mesmo em locais mais distantes, no entanto, a longo prazo, as cidades menos dominadas por superfícies comerciais procurarão criar novas formas de atrair residentes, incluindo a aposta em mais espaços verdes, habitação mais acessível e infraestruturas mais inteligentes.

11. Estabelecer a paz na incerteza

As máscaras faciais são uma medida inteligente e preventiva para a saúde pública ou um passo em direção ao totalitarismo? Será que as primeiras vacinas disponíveis serão seguras? Podemos contrair a covid-19 mais do que uma vez? Será que a economia e as empresas no geral irão recuperar totalmente?

2020 foi um ano cheio de incertezas que deixará seguramente as suas marcas. À medida que as pessoas procuram a recuperação do controlo, procuram também uma segurança muito maior na hora de arriscar.

Ao mesmo tempo, veremos um enfoque intensificado no ensino à distância e no teletrabalho, que visam também desenvolver a capacidade de resiliência, autonomia e criatividade.

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