Coronavírus

Desenvolvimento humano em regressão por causa de pandemia, diz a ONU

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Sala de aulas na Bélgica em tempos de covid-19. EPA/JULIEN WARNAND

Desenvolvimento humano está em declínio este ano, pela primeira vez em décadas, devido às consequências sanitárias, sociais e económicas da pandemia

De acordo com um estudo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), hoje divulgado, somente ações concertadas que promovam a equidade podem aliviar o impacto desta crise de desenvolvimento sem precedentes, que aumentou desigualdades, nomeadamente na área digital.

Desde que o conceito foi criado, em 1990, o índice global de desenvolvimento humano, que pode cair fortemente este ano, mede níveis de educação, saúde e padrões de vida.

“O mundo passou por muitas situações críticas nos últimos 30 anos, incluindo a crise financeira internacional de 2007-2009. Cada uma delas afetou fortemente o desenvolvimento humano, mas os ganhos gerais de desenvolvimento têm aumentado anualmente”, observa no estudo o diretor do PNUD, Achim Steiner.

“A covid-19, que afeta três áreas simultaneamente (saúde, educação e economia), pode inverter essa tendência”, concluiu Steiner.

Com o encerramento de escolas, as estimativas do PNUD sobre a taxa de “descolarização” (percentagem de crianças em idade escolar, ajustada para refletir aquelas que não têm acesso à Internet) indica que 60% das crianças não está a receber educação.

O estudo revela ainda que há uma diferença notável entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, no que concerne ao impacto da pandemia de covid-19.

Assim, 86% das crianças no ensino fundamental não estão efetivamente a receber educação, em países com baixo nível de desenvolvimento humano, contra apenas 20% nos países com alto nível de desenvolvimento humano.

O rendimento ‘per capita’ mundial também deve cair este ano em 04%, segundo as previsões do relatório da agência da ONU.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 323 mil mortos e infetou quase 4,9 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Mais de 1,8 milhões de doentes foram considerados curados.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano passou agora a ser o que tem mais casos confirmados (cerca de 2,2 milhões contra mais de 1,9 milhões no continente europeu), embora com menos mortes (mais 130 mil contra mais de 168 mil).

Para combater a pandemia, os governos mandaram para casa 4,5 mil milhões de pessoas (mais de metade da população do planeta), paralisando setores inteiros da economia mundial, num “grande confinamento” que vários países já começaram a aliviar face à diminuição dos novos contágios.

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