Há acordo para 'geringonça' à direita nos Açores com PSD, CDS e PPM

PSD, CDS e PPM anunciam acordo para formar governo nos Açores, numa espécie de 'geringonça' à semelhança do que aconteceu nas Legislativas de 2015 e que levou o PS ao governo depois do PSD/CDS terem ganho as eleições. Chega e Iniciativa Liberal podem 'ajudar' a viabilizar solução.

Foi numa conferência de imprensa conjunta registada pela Lusa com os três líderes regionais de PSD, CDS e PPM que foi feito o anúncio do acordo para os seus partidos formarem um novo governo regional. Para que isso aconteça precisam que três deputados viabilizem o novo governo.

Se tudo se confirmar, José Manuel Bolieiro, líder do PSD/Açores, será o novo líder do governo regional e foi precisamente ele que anunciou o acordo para "governo de base parlamentar" no que chama de "solução profundamente autonómica". Devem seguir-se acordos parlamentares com Chega (que tem dois deputados eleitos) e Iniciativa Liberal (que tem um), mas não foram divulgados pormenores sobre essas negociações que até podem incluir o PAN.

Artur Lima, do CDS, explica que o seu partido "diz presente" no que chama "o primeiro passo para o futuro dos Açores. Tentaremos fazer o melhor". Já o PPM admitiu empenhamento para "construir uma solução governativa que seja inclusiva e que possa responder aos anseios da sociedade".

Este sábado o Conselho Regional do PSD/Açores mandatou o presidente do partido na região, José Manuel Bolieiro, para "negociar" com o CDS-PP e o PPM. "O conselho regional deliberou por unanimidade e aclamação mandatar o presidente do PSD/Açores para negociar com o CDS e o PPM", indicava na altura fonte da agência Lusa.

Apesar de ter sido o PS a vencer as eleições - em minoria relativa - de domingo, 25 de outubro, uma união de direita pode levar a um novo governo.

Se sexta-feira passada o presidente do PS, Carlos César, considerou que Vasco Cordeiro, do PS-Açores, tem o "direito e dever" de "formar governo" nos Açores em consequência das eleições de domingo, mesmo havendo um bloco de direita com mais deputados eleitos. "Vasco Cordeiro tem, como já disse, uma missão complexa à sua frente para formar governo e, mais ainda, o direito e o dever, determinado pelos resultados do sufrágio, de o fazer. Fê-lo, na própria noite eleitoral, na procura de uma solução de estabilidade e de segurança para os Açores. Mas essa é, também, uma responsabilidade de outros partidos que queiram, efetivamente, colocar os Açores e os açorianos primeiro", escreveu César no Facebook, também antigo presidente do Governo dos Açores.

Vitória com minoria relativa

O PS venceu as eleições regionais nos Açores, elegendo 25 dos deputados à Assembleia Legislativa Regional, mas um bloco de direita, numa eventual aliança (no executivo ou com acordos parlamentares) entre PSD, CDS-PP, Chega, PPM e Iniciativa Liberal poderá funcionar como alternativa de governação na região, visto uma junção de todos os parlamentares eleitos dar 29 deputados (o necessário para a maioria absoluta).

O PAN, que também elegeu um deputado, pode também viabilizar parlamentarmente um eventual governo mais à direita.

A lei indica que o representante da República nomeará o novo presidente do Governo Regional "ouvidos os partidos políticos" representados no novo parlamento açoriano.

Segundo indicação dada à Lusa por fonte do gabinete do representante da República, Pedro Catarino só poderá ouvir os representantes dos partidos políticos eleitos no domingo uma vez publicados os resultados oficiais em Diário da República, o que ainda poderá demorar alguns dias.

A assembleia de apuramento geral dos resultados só iniciou os seus trabalhos "às 09:00 do segundo dia posterior ao da eleição" (terça-feira passada), tendo de concluir o apuramento dos resultados oficiais "até ao 10.º dia posterior à eleição".

Esses dados serão posteriormente enviados à Comissão Nacional de Eleições (CNE), que terá oito dias para enviar "um mapa oficial com o resultado das eleições" para publicação em Diário da República.

Depois da tomada de posse do próximo Governo dos Açores, haverá um prazo máximo de 10 dias para o programa do executivo ser entregue à Assembleia Legislativa.

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