Esperança de vida em Portugal recua 10 meses na maior queda desde 1973

A esperança de vida à nascença recuou em Portugal em quase 10 meses, o pior registo desde 1973, em tempos de Guerra do Ultramar. Não havia um recuo há 24 anos. Na maioria dos Estados-membros da União Europeia (UE) estagnou ou recuou, de 2019 para 2020, segundo dados provisórios do Eurostat.

As maiores quebras na esperança de vida à nascença de 2019 para 2020 registaram-se em Espanha (-1,6 anos), na Bulgária (-1,5), na Lituânia, Polónia e Roménia (-1,4 cada).

Em Portugal, o indicador recuou -0,8 anos, ou seja quase 10 meses, em 2020 face a 2019 dos 81,9 anos para os 81,1. É o maior recuo desde 1973. Mesmo durante a crise financeira de 2011 e o período de intervenção da troika a esperança de médica de vida em Portugal continuou a crescer e só estagnou entre 2016 e 2017, mas nunca recuou.

De acordo com dados do Pordata é preciso recuar a 1996 para encontrar um ano em que a esperança média de vida recuou, mas apenas por pouco mais de um mês. Na altura era de 75,3 e no ano anterior tinha sido 75,4.

E se na década de 1980 o crescimento foi constante e acelerado, na década de 1970 a história foi diferente e mais inconstante. Houve uma queda acentuada de 1970 para 1971 da esperança média de vida em Portugal, de 67,1 anos para 66,8 mas, depois, um aumento elevado em 1972 (68,5).

Verificou-se logo de seguida uma nova queda abrupta em 1973 (para 67,6 anos, menos 11 meses do que no ano anterior). O início do década de 1970 foi o mais intenso da Guerra do Ultramar (1961-1974) que vitimou mais de 8800 soldados portugueses e estima-se que mais de 60 mil angolanos, moçambicanos e guineenses.

O resto da década de 1970 e nas seguintes registou-se um período de crescimento quase sempre constante na esperança média de vida em Portugal, até ao recuo significativo verificado em 2020 com a pandemia.

Só Dinamarca e Finlândia subiram

Sem calcular uma média para a UE, o gabinete estatístico europeu destaca que, em 2020, a pandemia da covid-19 fez recuar a esperança de vida à nascença na maioria dos Estados-membros, com a exceção da Dinamarca e da Finlândia, onde subiu ligeiramente.

A esperança de vida à nascença tem aumentado durante a última década na UE, sendo que as estatísticas oficiais revelam que a esperança de vida aumentou, em média, em mais de dois anos por década desde os anos 1960.

Contudo, os últimos dados disponíveis sugerem que a esperança de vida estagnou ou até diminuiu nos últimos anos em vários Estados-membros da UE, tendência agravada em 2020 com a pandemia, onde o indicador recuou em 20 Estados-membros, estagnou em Chipre e na Letónia e aumentou na Dinamarca e Finlândia, não havendo dados para a Irlanda.

(17h20 - Correção dos valores absolutos dos meses de recuo da esperança média de vida em Portugal)

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