Guterres recebe prémio da CPLP pela promoção da língua portuguesa

O prémio, criado em 2011, seria atribuído pela primeira vez no ano seguinte ao antigo Presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, vai receber esta segunda-feira em Lisboa o prémio José Aparecido de Oliveira, atribuído pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), pelo contributo para a promoção da língua portuguesa.

Os chefes de Estado e de Governo da CPLP tomaram esta decisão em julho de 2018, na cimeira de Santa Maria (Sal, Cabo Verde), "pela atuação singular, com projeção internacional, na defesa e promoção dos princípios e valores da CPLP, bem como pelo elevado contributo na promoção e difusão da Língua Portuguesa", adianta a organização lusófona num comunicado.

O antigo primeiro-ministro português e ex-alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados, António Guterres, participou, enquanto primeiro-ministro de Portugal, na cimeira constitutiva da CPLP, a 17 de julho de 1996, e recebe esta segunda-feira este prémio numa cerimónia em Lisboa em que estará presente o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

 

O prémio homenageia a ação do embaixador José Aparecido de Oliveira, que "marcou, de forma indelével, o surgimento da CPLP, convertendo em realidade um sonho acalentado pelos povos dos países de língua portuguesa, espalhados por quatro continentes, e fazendo do seu autor um arauto do futuro", acrescenta o comunicado.

O secretário-geral da ONU afirmou que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) é "um dos mais fortes pilares do apoio" às Nações Unidas e destacou o papel do multilateralismo na resposta aos "enormes riscos" mundiais.

A resposta da comunidade internacional a esses riscos deve ser feita, não através "de expressões de nacionalismo e de isolacionismo que não têm qualquer sentido", mas reafirmando "uma ordem multilateral" que Guterres considerou ser hoje "mais indispensável do que nunca para a resolução dos problemas mundiais".

Na cerimónia da entrega do prémio, que teve lugar na sede da CPLP em Lisboa, o responsável da ONU lamentou ainda que a "erosão" das relações internacionais se traduza num aumento da desconfiança entre os Estados e entre os povos, "o que torna cada vez mais difícil a defesa da paz e a segurança" e a promoção de uma "globalização que seja justa".

Para Guterres, a CPLP tem "condições excecionais" para "fazer pontes" e ser mensageira de uma ordem internacional baseada no Direito, pois inclui países de todos os continentes e assenta num quadro de relações de cooperação e amizade entre todos os seus Estados, sendo descrita como "um símbolo de harmonia".

O ex-primeiro-ministro português adiantou que o prémio pecuniário, no valor de 30 mil euros, vai ser entregue ao Conselho Português para os Refugiados pelo seu papel "na generosa política" que Portugal adotou abrindo as suas portas à proteção de refugiados.

"Não somos dos países que tem maior número de refugiados, mas as fronteiras sempre estiveram abertas e os refugiados sempre encontraram em Portugal um povo amigo e acolhedor", vincou, elogiando esta maneira de estar no mundo "que tem sido posta em causa com manifestações de xenofobia e racismo e violações do direito internacional dos refugiados" e incapacidade para compreender os valores da solidariedade internacional.

A secretária-executiva da CPLP, Maria do Carmo Silveira, salientou que Guterres é "um exemplo" a ser seguido em tempos de ameaças aos valores e conquistas alcançadas ao longo da segunda metade do século XX pelo trabalho realizado à frente das Nações Unidas e na defesa destes valores.

O prémio, criado em 2011, seria atribuído pela primeira vez no ano seguinte ao antigo Presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.

Em 2014, receberam a distinção o antigo Presidente e primeiro-ministro timorense Xanana Gusmão e a Igreja Católica Timorense, enquanto em 2016 os distinguidos foram o antigo chefe de Estado português Jorge Sampaio, o ex-secretário executivo da Comissão Económica das Nações Unidas para África Carlos Lopes e o embaixador Lauro Barbosa da Silva Moreira, diplomata de carreira do Brasil e primeiro representante permanente junto da CPLP.

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