Tratado Nuclear

Hiroshima assinala 75 anos de ataque nuclear com apelos ao desarmamento

hiroshima nuclear bomba
O que restou da cidade de Hiroshima após o ataque nuclear de 6 de agosto de 1945. (AP Photo/Stanley Troutman)

Hiroshima quer países, incluindo o Japão, a assinar tratado de proibição de armas nucleares e evitar de vez ataques como o de 1945. Guterres concorda

Hiroshima assinalou hoje o 75.º aniversário do bombardeamento atómico da cidade japonesa, com o autarca da cidade a criticar o Governo Japonês por se recusar a assinar o tratado de proibição de armas nucleares.

O apelo foi feito pelo presidente da Câmara de Hiroshima, Kazumi Matsui, a cerca de 800 pessoas reunidas no Parque da Paz da cidade, entre as quais primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, e sobreviventes do ataque nuclear contra a cidade a 06 de Agosto de 1945.

Apelo semelhante foi feito pelo secretário-geral das Nações Unidas, o português António Guterres, pedindo a todas as nações esforços redobrados para acabar com as armas nucleares.

Há precisamente 75 anos, em Hiroshima, às 08:15, hora local, era lançada a primeira bomba atómica em cenário de Guerra, pelo bombardeiro norte-americano Enola Gay. A bomba tinha o nome de código “Little Boy”, três metros de comprimento, 71 cm de largura e uma potência equivalente a 13 quilotoneladas de TNT, provocando a morte a 140.000 pessoas.

hiroshima

Memorial às vítimas em Hiroshima e local do discurso a propósito dos 75 anos do ataque nuclear. EPA/DAI KUROKAWA

Três dias depois, os Estados Unidos lançaram, a 09 de agosto de 1945, uma segunda bomba atómica sobre Nagasaki, à capitulação do Japão e ao fim da Segunda Guerra Mundial.

“Apelo ao Governo japonês para que atenda ao apelo do Hibakusha [pessoas afetadas pela explosão] para assinar, ratificar e tornar-se parte do Tratado de Proibição de Armas Nucleares”, disse o presidente da câmara.

O tratado foi aprovado na ONU a 07 de Julho de 2017 por 122 estados membros, mas para que entre em vigor precisa de ser ratificado por pelo menos 50 nações, e até agora apenas 40 o fizeram.

O Japão, tal como as potências nucleares, ficou de fora desta iniciativa, que adere ao Tratado de Não-Proliferação Nuclear, que restringe a posse de armas atómicas e que entrou em vigor há meio século após ter sido assinado pela grande maioria das nações do mundo, incluindo o Japão.

Estes dois tratados, sublinhou o autarca, são “instrumentos críticos para eliminar as armas nucleares”.

“Agora, mais do que nunca, os líderes mundiais devem reforçar a sua determinação para que este quadro legal funcione eficazmente”, insistiu, perante as cerca de 800 pessoas, um décimo dos participantes que assistiram no ano passado à cerimonia, que desta vez teve de ser reduzida devido ao risco de propagação da covid-19.

 EPA/DAI KUROKAWA

EPA/DAI KUROKAWA

O presidente da câmara de Hiroshima falou após a apresentação de oferendas de flores num memorial relativa à tragédia a que se seguiu um momento de silêncio enquanto um sino tocava, na mesma hora em que a bomba caiu sobre Hiroshima.

Numa mensagem posterior, o primeiro-ministro japonês evitou qualquer conversa sobre o Tratado de Proibição de Armas Nucleares, mas disse que o seu país lutará “com tenacidade” para alcançar um mundo livre de armas nucleares.

Neste domingo será a vez de se assinalar o 75.º aniversário Nagasaki.

“Assegurar que Hiroshima é irrepetível no mundo de hoje parece-me arriscado”

O historiador Fernando Rosas, em entrevista à TSF, acredita que a possibilidade de um conflito nuclear nos dias de hoje é maior do que “se quer admitir”. Rosas defende que um acontecimento das proporções de Hiroshima poderá não ser “irrepetível”.

À TSF o historiador explica que ” o mundo hoje está a correr um risco de guerra de grandes proporções, decorrente das novas disputas entre velhos imperialismos e imperialismos emergentes” e, por isso mesmo, “a possibilidade de um conflito de grandes dimensões degenerar num conflito nuclear é novamente muito maior do que aquilo que geralmente se quer admitir”.

Na visão do historiador, a memória da destruição pode não ser suficiente para travar um desastre destas proporções, já que “os ensinamentos que se tiram da guerra com os anos esquecem-se ou as circunstâncias fazem com que eles se diminuam ou se diluam”.

Apesar de acreditar que “toda a gente deve lutar” para que a tragédia não se repita, Fernando Rosas considera que não está em condições de o garantir: “Assegurar que Hiroshima é irrepetível no mundo de hoje parece-me arriscado.”

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
coronavirus lay-off trabalho emprego desemprego

Empresas com quebras de 25% vão poder pedir apoio à retoma

Balcão da ADSE na Praça de Londres em Lisboa.

( Jorge Amaral/Global Imagens )

ADSE quer 56 milhões do Orçamento do Estado por gastos com isentos

Fotografia: Miguel Pereira / Global Imagens

Quase 42 mil empresas recorreram a apoios que substituíram lay-off simplificado

Hiroshima assinala 75 anos de ataque nuclear com apelos ao desarmamento