Ikea France responde em tribunal por sistema de vigilância ilegal para controlar os funcionários

A filiar francesa da Ikea está atualmente em tribunal, acusada de ter criado um sistema de vigilância ilegal para controlar os seus funcionários, e justiça pede uma pena "exemplar".

O julgamento da filial francesa daIkea começou no passado dia 22 de março e já fez correr muita tinta na imprensa francesa. Este é, atualmente, um dos julgamentos mais mediáticos em França depois de esta filial ter sido acusada da criação de um sistema de vigilância ilegal para controlar os seus funcionários.

Agora, e de acordo com a informação avançada pelo The New York Times, o caso tem no centro da acusação o surgimento de um dispositivo USB que contém um número considerável de e-mails, que detalham o esforço dos executivos da Ikea France para obter informações sobre funcionários, candidatos a empregos e até mesmo clientes.

"Diga-me se essas pessoas são conhecidas pela polícia", podia ler-se, citado pelo mesmo jornal, numa das mensagens enviadas por um executivo a um investigador particular, que procurava, de forma ilícita, antecedentes de centenas de candidatos a empregos na Ikea.

A filial da gigante sueca de venda de móveis e produtos para a casa, que está a ser processada como pessoa jurídica e é legalmente representada pela CEO e CFO Karine Havas. Quanto à pena, a justiça francesa já veio "exigir" que esta seja exemplar, nomeadamente uma multa de, pelo menos, dois milhões de euros e um ano de prisão efetiva para um dos seus antigos dirigentes.

Em tribunal, terão ainda de responder outras 15 pessoas, incluindo gerentes de loja, policias e ex-executivos, como o ex-CEO Stefan Vanoverbeke e o seu antecessor Jean-Louis Baillot.

O assunto deste processo é o da "proteção das nossas vidas privadas em relação a uma ameaça, a da vigilância em massa", declarou a procuradora Paméla Tabardel perante o Tribunal de Versalhes, perto de Paris, solicitando que a resposta penal envie uma "mensagem forte" destinada a "todas as sociedades comerciais".

Os factos em julgamento ocorreram entre 2009 e 2012 - ano em que foi denunciado por um sindicato -, mas as práticas ilegais remontam a 2000. No entanto, apenas os últimos três anos são considerados devido à prescrição.

Alegadamente, e de acordo com a TSF, a IKEA pagou mais de 600 mil euros para manter este esquema. Os responsáveis pelos recursos humanos recomendavam a demissão ou sinalizavam o "risco" de determinadas pessoas com base nas informações recolhidas.

Entre os exemplos, está um funcionário que costumava ser um "empregado exemplar", mas passou a participar em protestos, enquanto outro terá sido investigado para tentar averiguar como obtivera dinheiro para comprar um BMW descapotável novo.

O antigo responsável pela segurança da Ikea, Jean-François Paris, foi o único dirigente a admitir em tribunal os "controlos massivos" dos empregados. A procuradora reclamou três anos de prisão, dos quais dois com pena suspensa.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de