Interior do país deve apostar na inovação tecnológica e nos mercados externos

Primeira edição das Conferências do Centro contou com a presença do CEO da Delta Cafés, que defende que a dinamização das economias locais é essencial para o desenvolvimento do país.

A primeira edição das Conferências do Centro, em Alvaiázere, realizou-se hoje, dia 26 de novembro, e resultou num consenso sobre a importância da criação de "marcas inovadoras" na região que "acrescentem valor e diferenciação social e ecológica".

O empenho na "modernização tecnológica das empresas", na "capacitação de mão-de-obra qualificada", e na "internacionalização de produtos" - endógenos ou não - foram as principais soluções apontadas para estimular a economia nas regiões de baixa densidade.

As propostas foram de Rui Nabeiro, CEO da Delta Cafés - um grupo que, a partir de Campo Maior e com um produto importado, se tornou líder ibérico no seu setor -, de António Trigueiros de Aragão, administrador das Fábricas Lusitana - líder nacional de farinhas alimentícias, e com fábricas na Beira Baixa, em Alcains -, e de João Torres, secretário de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor.

"A dinamização dos territórios do interior, valorizando e promovendo a economia local, é essencial para o desenvolvimento do país", afirmou o secretário de Estado João Torres.

Luís Matos Martins, CEO dos Territórios Criativos, a empresa de consultadoria e de apoio ao empreendedorismo que organiza estas conferências, defendeu a "importância da convergência de estratégias entre marcas e a partilha de experiências de marketing, comerciais, de investigação de base tecnológica, etc.".

"O café é importado, não é endógeno", defende Rui Nabeiro, "na Europa não se produz café, exceto nos Açores: a Delta contribuiu para o crescimento da sua região, criando postos de trabalho, porque diversificou os seus produtos e inovou-os constantemente".

António Trigueiros sublinhou porém a importância da "inovação, consistência e equilíbrio, sem nunca defraudar o consumidor", e afirmou ainda que "é fundamental apostar, antes de tudo, na educação e investigação, assim como investir em infraestruturas tecnológicas para poder atrair mão-de-obra qualificada para o interior".

Paulo Fernandes, presidente da Câmara do Fundão, explicou também durante a sua intervenção como é que a cereja daquela região conseguiu atingir um impacto de quase 20 milhões de euros na economia local. "Criar esta marca foi uma decisão difícil, já que pôs em causa um modelo organizacional centrado numa cooperativa com perto de 200 comerciantes. A gestão era pouco viável. Mas conseguimos criar uma história de sucesso utilizando os instrumentos da gestão empresarial", afirmou.

Por fim, o secretário de Estado do Comércio afirmou que "esta pandemia veio comprovar a importância da autonomia estratégica dos territórios - países e/ou regiões - para fazer face às necessidades mais básicas dos cidadãos". Segundo João Torres, cada um dos 308 municípios de Portugal pode contribuir para o desenvolvimento social e económico do país "promovendo a coesão social e territorial num país com tantos desafios pela frente: a digitalização, a demografia, as desigualdades...".

A primeira edição das Conferências do Centro, uma iniciativa promovida pela Câmara Municipal de Alvaiázere e pelos Territórios Criativos, teve como tema de estreia os "Produtos Endógenos - O Rosto dos Territórios", e foi transmitida online numa sessão aberta por Célia Marque, presidente da Câmara Municipal de Alvaiázere e anfitriã do evento.

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