Espanha

Investidura de PM espanhol depende de acordo à esquerda

Imagem de maio de 2019: Pedro Sánchez (PSOE) com Pablo Iglesias (Unidas Podemos) (REUTERS/Juan Medina)
Imagem de maio de 2019: Pedro Sánchez (PSOE) com Pablo Iglesias (Unidas Podemos) (REUTERS/Juan Medina)

Líder do PSOE, Pedro Sánchez, só conseguirá ser indigitado primeiro-ministro se chegar a acordo com Pablo Iglesias, líder do Unidas Podemos.

O primeiro-ministro socialista espanhol, Pedro Sánchez, vai tentar esta semana ser reconduzido no lugar, mas ainda tem de chegar a um acordo de última hora à sua esquerda, para uma solução que evite novas eleições que ninguém deseja.

“Estamos convencidos de que alcançaremos um acordo”, afirmou no sábado a vice-secretária-geral do Partido Socialista Espanhol (PSOE), Adriana Lastra, um dia depois de o líder do Unidas Podemos, Pablo Iglesias, ter anunciado que renunciava a ser ministro num eventual Governo de coligação liderado por Pedro Sánchez.

O candidato do PSOE, com uma maioria escassa no parlamento, vai tentar ser investido primeiro-ministro numa primeira votação que terá lugar na terça-feira e em que precisa do apoio da metade (175) mais um dos membros da assembleia (350), um cenário que só é possível se chegar a acordo com o Unidas Podemos e outras formações regionais.

Pedro Sánchez terá uma segunda oportunidade 48 horas depois, na quinta-feira, quando já só precisa de ter mais votos a favor do que os que se manifestarem contra a sua investidura.

“Qualquer cenário é possível”, disse à agência Lusa o professor de Meios de Comunicação e Política na Universidade de Navarra Carlos Barrera, acrescentando que o Unidas Podemos tem a “chave” para investir como chefe de Governo o candidato do PSOE.

A perspetiva de criar um governo de coligação entre forças da esquerda espanhola ganhou novos contornos na sexta-feira, depois de Pablo Iglesias ter anunciado, numa mensagem publicada na rede social Twitter, que renunciava integrar o Conselho de Ministros.

O apoio da extrema-esquerda é essencial para que Sánchez consiga formar um Governo, que preferia que fosse apenas da responsabilidade do PSOE, o partido mais votado nas eleições de 28 de abril último, mas com apenas 123 deputados num total de 350.

Os analistas concordam que a coligação de partidos da extrema-esquerda tem todo o interesse em permitir a investidura de Sánchez, pois caso contrário seria responsabilizada pelo seu falhanço e o mais penalizado em caso de eleições antecipadas, que se realizariam em novembro.

O primeiro-ministro do atual Governo de gestão acusou na passada segunda-feira o Unidas Podemos de ser responsável pela rutura das negociações para assegurar a sua investidura e quinta-feira recusou a possibilidade de o líder dessa formação, Pablo Iglesias, fazer parte do futuro Governo espanhol.

“Um Governo que inclua [Pablo] Iglesias [como vice-presidente] não funcionaria, e estaria paralisado pelas próprias contradições internas” desse executivo, afirmou Pedro Sánchez.

No mesmo dia, uma maioria de 70% de inscritos no Podemos (o principal partido da coligação Unidas Podemos) deu numa consulta interna o seu apoio à estratégia de Pablo Iglesias, que até sexta-feira fazia depender o seu apoio a Sánchez da sua nomeação para uma pasta ministerial.

Os partidos de direita, Partido Popular (PP), Cidadãos (liberais) e Vox (radicais), já disseram que vão votar contra, o que implica que, para ser eleito, Sánchez depende de um acordo que ainda tem de negociar com o Unidas Podemos e algumas outros partidos regionais.

A ERC (Esquerda Republicana da Catalunha, independentista), o PNV (Partido Nacionalista Basco) e o Compromís (nacionalistas valencianos) já indicaram não se opor à formação de um Governo socialista.

O professor de Comunicação Política Internacional na Universidade Europeia José María Peredo Pombo está convencido de que o PSOE vai acabar por conseguir que uma “parte importante” dos deputados permita a investidura de Sánchez.

Para este catedrático, a Espanha passou nos últimos anos de um sistema “bipartidário imperfeito”, em que o PSOE e o PP se intercalavam no poder, para um sistema “multipartidário imperfeito”, com o aparecimento de mais três partidos com mais de 10% dos votos (Cidadãos, Unidas Podemos e Vox).

“Creio que vai haver uma solução imperfeita, mas a realização de eleições significaria o fracasso da nova classe política espanhola, que se regenerou nos últimos anos”, afirmou José María Peredo Pombo.

Nas legislativas realizadas em 28 de abril último, o PSOE obteve 123 deputados (28,68% dos votos), o PP 66 (16,70%), o Cidadãos 57 (15,86%), a coligação Unidas Podemos 42 (14,31%) e o Vox 24 (10,26%), tendo os restantes deputados sido eleitos em listas de formações regionais, o que inclui partidos nacionalistas e independentistas.

No caso da realização de eleições, seria a quarta vez em quatro anos que os espanhóis seriam chamados a votar para o parlamento.

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