Isabel dos Santos reage em Angola a “campanha de falsidades”

Ex-responsável da Sonangol refutou, acusação a acusação, as declarações do atual presidente da empresa e diz que está a ser vítima de uma campanha.

O conflito entre a empresária Isabel dos Santos e a nova administração da Sonangol, liderada por Carlos Saturnino, continua aceso e com explicações díspares sobre o que aconteceu.

A ex-responsável da petrolífera angolana, que passou 17 meses no cargo, deu uma entrevista em Angola, à estação TV Zimbo e a que o Dinheiro Vivo teve acesso. “Para mim o mais importante é repor a verdade, foi posta em causa a minha reputação e esse é o meu capital”, disse a empresária.

Sobre o facto da Procuradoria-Geral da República de Angola ter aberto um inquérito sobre o tema, Isabel dos Santos vê com naturalidade o processo devido à “gravidade das acusações”. Depois de várias entrevistas no exterior, de um comunicado de imprensa e da criação de um site para a sua defesa, falou agora no seu país, acusando Carlos Saturnino de “declarações caluniosas e falsas”.

A falta de documentos para sustentar as acusações foi uma das maiores críticas da empresária, que indica que Saturnino, se tinha dúvidas, devia ter pedido esclarecimentos, antes da famosa conferência de imprensa onde acusa a ex-gestora de práticas que prejudicaram a Sonangol, a maior petrolífera angolana.

Campanha difamatória

O que se seguiu foi uma explicação de como Isabel dos Santos acredita estar a ser vítima, em conjunto com o seu conselho de administração - “o mais jovem de sempre da empresa” -, de uma “campanha negativa”. “Uma das minhas administradoras foi presidente da Chevron, outro foi presidente da Exxo em Moçambique”, indica a gestora para justificar o talento da sua equipa, que “mexeu com muitos interesses”.

O corte de 40% dos custos de contratos levou a que “mexêssemos com interesses financeiros externos à empresa”, diz a empresária, acrescentando: “sem dúvida que isso alimentou estas campanhas”.

Explicações, acusação a acusação

Isabel dos Santos explica na entrevista que primeiro foi convidada como consultora, para ajudar no plano de reestruturação da empresa, em 2015, numa altura difícil em que os erros do passado ficaram “expostos devido à redução do preço do petróleo”. Só depois foi “surpreendida” com o convite para presidir à Sonangol.

De fora da entrevista acabou por ficar o tema da alteração, por parte da empresária, da administração da Esperaza Holding, uma empresa através da qual a Sonangol (e Isabel dos Santos) controlavam a Amorim Energia – que detém 33,3% da Galp. A medida foi contestada por Carlos Saturnino, que terá acionado mecanismos legais para travar essa ação, que terá “lesado os interesses da petrolífera”.

Aqui fica o resumo das acusações refutadas:

- “Não recebemos 145 meses de salários, é falso. Foram entre 17 e 18 meses” .

- “É falso que houvesse transferências de dinheiro após a cessação do contrato do meu conselho de administração, nem no dia 16 de novembro à noite nem do dia a seguir" .

- "Os dividendos da Galp - e respetivos impostos ao Estado holandês - foram mesmo pagos à Sonangol."

- Sobre a mudança dos depósitos para bancos onde Isabel dos Santos era acionista: “abrimos contas em muitos bancos, para incentivar a concorrência e resolvemos os problemas com a banca norte-americana, mas nos ‘meus’ só ficou 1 a 2% do dinheiro, 80% dos depósitos continuam no BAI ”.

- Sobre a falta de planos estratégicos de reestruturação deixados para a nova administração: “Fizemos mais de 600 reuniões, produzimos mais de 30 mil documentos e criámos soluções com consultoras que deixaram toda a informação disponível. As consultoras quiseram reunir-se com a nova administração para explicar o trabalho feito mas não houve resposta”.

- Sobre a falta de pagamentos de salários: “É falso, aliás pela primeira vez todos receberam sempre ao mesmo dia e legalizámos o fundo de pensões”.

- Sobre a redução da dívida da empresa ser só à custa do Estado: “Não foi só o empréstimo de 10 mil milhões de dólares do Estado que permitiu reduzir a dívida. O objetivo era que em 2019 a Sonangol deixasse de ter dívida à banca e depois passaria a pagar a dívida ao Estado”.

A empresária terminou a entrevista à TV Zimbo a explicar que 17 meses foi pouco para fazer uma grande diferença, mas defende que conseguiu estagnar as perdas, cortar os custos sem despedimentos e fez com que a empresa tivesse um lucro de 254 milhões de dólares em 2017. Isabel dos Santos espera, agora, que acabe o clima atual de acusações e acredita que Angola e a sua maior empresa “podem ter um futuro positivo”.

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