Mais de 2,2 milhões de portugueses com dados comprometidos no Facebook. Saiba se é um deles

Em Portugal mais de 2,2 milhões de contas de utilizadores do Facebook terão sido afetados e os seus números de telefone expostos. Depois da fuga dos dados de cerca de 533 milhões de utilizadores, a plataforma "Have I Been Pwned" diz-lhe se foi afetado.

Os dados pessoais de 533 milhões de utilizadores do Facebook, incluindo o número de telemóvel e o e-mail, foram revelados este fim de semana num banco de dados online. Esta é a mais recente fuga de dados a envolver a empresa que detém também WhatsApp e Instagram.

As reações têm-se multiplicado e foi Alon Gal, diretor de tecnologia da Hudson Rock, uma empresa de cibersegurança, quem denunciou a fuga na sua página do Twitter.

Depois disso Troy Hunt, especialista em cibersegurança, criou o "Have I Been Pwned", uma ferramenta que permite saber se já teve o seu e-mail ou informação pessoal comprometida na internet e se foi alvo nesta última fuga de dados e concreto.

Antes, os utilizadores do Facebook só podiam procurar endereços de e-mail para saber se os seus dados tinham sido comprometidos mas, devido à crescente procura, os utilizadores podem agora inserir o número de telemóvel para confirmar esta informação.

A base de dados contém informações de utilizadores em mais de 106 países. Entre estes, estão incluídos 32 milhões de utilizadores dos Estados Unidos, 11 milhões de Inglaterra e 6 milhões da Índia.

2,2 milhões de portugueses envolvidos

De Portugal, estarão comprometidos os dados de 2 277 361 contas de utilizadores - em todos estão disponíveis números de telefone dos próprios, inclusive de alguns famosos. Só em 25 439 contas estarão os endereços de email.

É essa a indicação do especialista em cibersegurança português, Tiago Henriques, cofundador da portuguesa BinaryEdge e atualmente acionista minoritário e líder de engenharia na Europa do unicórnio norte-americano da área dos ciberseguros, Coalition.

Existem, assim, utilizadores de 224 cidades portuguesas presentes e os concelhos com mais pessoas são Lisboa, Porto, Braga, Aveiro, Coimbra. O registo indica ainda que 1 090 426 são homens e 1 030 009 são perfis de mulheres.

Há 272 482 utilizadores marcados como casados, 185 879 como solteiros, 6188 indicam "é complicado". Os nomes mais frequentes são Ana, Pedro, João, Maria e Paulo.

Falámos com Tiago Henriques há duas semanas no podcast Made in Tech precisamente sobre cibersegurança, hackers e os projetos ambiciosos da BinaryEdge e Coalition.

O português que vive em Zurique há sete anos lembra que tal como aconteceu com a fuga de dados do Microsoft Exchange há umas semanas, esta fuga relacionada com o Facebook "vai ter efeitos nos próximos tempos para muitos utilizadores que é difícil quantificar", especialmente pela prática de phishing ou até de outros crimes cibernéticos.

O passo óbvio é mudar a password com regularidade e ativar sempre os dois passos de autenticação.

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Zuckerberg (fã de Signal) afetado

O Facebook já esclareceu que a falha em causa foi "encontrada e reparada" há mais de um ano e meio (os dados divulgados são dessa altura), mas a informação foi agora publicada gratuitamente num fórum de hackers, tornando-a amplamente visível e disponível.

Uma análise desta semana mostra que os próprios dados de Zuckerberg, CEO do Facebook, estavam entre os 533 milhões. Além do número de telefone, encontram-se ainda informações como a localização, detalhes do casamento, data de nascimento e identificação do utilizador.

Um investigador e especialista em cibersegurança revelou, entretanto, que a fuga permitiu perceber que Zuckerberg usa a aplicação Signal - app de mensagens criptografada rival do WhatsApp. "Mark Zuckerberg também respeita a sua própria privacidade, através de uma aplicação de mensagens que tem criptografia de ponta a ponta e não é propriedade do Facebook. Este é o número associado à sua conta do Facebook", escreveu Dave Walker no Twitter.

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Phishing na calha após divulgação de dados

A Kaspersky, uma empresa global de cibersegurança e privacidade digital, reagiu à polémica e Dmitry Galov, especialista em segurança da empresa afirma, "não é surpreendente vermos cibercriminosos a utilizar informações obtidas através de uma fuga de dados, em resultado de ataques de phishing direcionados, nos quais enviam emails maliciosos que parecem vir de um remetente de confiança - como, por exemplo, do endereço de email de um amigo do Facebook. Os cibercriminosos podem ainda utilizar a informação para se fazerem passar por pessoas cujos dados também foram roubados".

"A proteção de dados continua a ser uma questão sensível para as pessoas e organizações" começa por dizer Alexander Moiseev, CBO da Kaspersky. "Na verdade, a cibersegurança é um problema que preocupa mais da metade das organizações em todo o mundo (59%), de acordo com os dados do estudo realizado pela Kaspersky. No ano passado, uma em cada duas empresas (46%) foi vítima de uma violação de dados, após diferentes incidentes de cibersegurança."

Desta forma, e com as fugas de dados pessoais a serem cada vez mais recorrentes, a empresa de cibersegurança alerta para a necessidade de proteção e recomenda que "os utilizadores tomem precauções extra ao receberem emails de origem duvidosa, mesmo que finjam ser de alguém que conhecem ou em quem confiam".

"Nunca devem clicar em links ou anexos que vêm em emails e devem verificar sempre se há erros gramaticais ou ortográficos suspeitos. Para proteger as suas informações pessoais online, o melhor é limitar a informação que partilha nas redes sociais", advertem ainda.

(Atualização a 7 de abril: Entretanto, o Facebook reagiu lembrando num post que a vulnerabilidade já não existe e os dados que ficaram expostos são anteriores a setembro de 2019)

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