Coronavírus

App portuguesa coloca médicos e enfermeiros a ajudar pessoas isoladas

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Ilustração: Mónica Monteiro

App portuguesa que coloca médicos ou enfermeiros disponíveis a comunicar e ajudar famílias isoladas em casa fica pronta na próxima semana

Uma iniciativa da empresa portuguesa OutSystems, que juntou a sua comunidade de milhares de programadores para criar soluções para os efeitos da pandemia que o país e o planeta vivem nesta altura, já tem uma app prática que promete juntar toda a comunidades médica na luta atual de forma virtual, ‘aproveitando’ mesmo o facto de existirem já dezenas de médicos isolados nas suas casas, em quarentena.

E como funciona? A nova app, que ainda está a ser desenvolvida usando a tecnologia low-code da OutSystems vai possibilitar aos médicos e enfermeiros, para já do grupo Lusíadas Saúde que tenha tempo disponível (podem inclusive ser alguns dos que se encontra em quarentena nas suas casas) a “comunicar e ajudar diversas famílias que manifestem sintomas e/ou necessitem de ajuda, desde recomendações a acompanhamento” [uma espécie de consultas remotas, ou telemedicina, mas não vinculativa], diz-nos Gonçalo Gaiolas, vice-presidente da OutSystems.

A parceria com o grupo Lusíadas Saúde é só o ponto de partida, já que “o objetivo é que esteja disponível para todos os cidadãos poderem utilizar e que todos os médicos e enfermeiros que desejem ajudar o consigam fazer”. A empresa adianta mesmo: “a app não é para os Lusíadas ou para a OutSystems, e para todos e contra a única coisa que agora interessa combater”.

Em breve mais hospitais vão-se juntar e “todos os médicos e enfermeiros poderão simplesmente aceder à app e, ao registarem-se, conseguem logo começar a ajudar todos os que tiverem com alguns sintomas e tenham dúvidas”.

E quando fica pronta?

“Estamos todos numa luta contra o tempo… e a tentar fazer os possíveis para lançarmos já na próxima semana, mas a aplicação é complexa e estamos a tentar garantir que vai ser capaz de dar resposta a todos os que precisarem”, adianta-nos Gonçalo Gaiolas.

Já sobre quantas pessoas será possível atender por dia, numa altura em que se estima existirem já milhões de portugueses isolados, ou perto disso, nas suas casas e milhares com sintomas que podem suscitar dúvidas entre constipação, gripe ou Covid-19: “dependerá sempre “de quantos médicos e enfermeiros se juntem para ajudar (e depois da sua velocidade em responderem às dúvidas)”.

“Estamos a preparar tudo para que toda a gente que precise de orientação possa ser ajudada, mas isso dependerá dos nossos super-heróis que possam estar disponíveis”, explica o responsável OutSystems.

Programa disponível para todos

Todas as ideias que estão a ser desenvolvidas no âmbito do projeto – disponível aqui – vão ficar ao serviço da comunidade. Das 319 ideias que já deram entrada na plataforma e que também podem ser ‘exportadas’ para outros países, existem projetos variados, desde soluções para a monitorização de material médico, um jogo de lavagem de mãos, uma forma de facilitar a entregas de alimentos, um calendário para o planeamento de voluntariado em farmácias ou chatbots para perguntas frequentes sobre o vírus.

O uso de inteligência artificial é uma constante em vários projetos, incluindo na resposta às questões que as pessoas possam ter (com os chatbots). Também já há ideias para jogos sociais de modo a cativar as pessoas a cumprirem o isolamento nas suas casas, mas também incentivarem vizinhos a fazer o mesmo e partilharem dicas para compras na zona – usando o conceito de gamification – tudo através de uma app.

Paulo Rosado, o fundador e CEO da OutSystems, dizia em comunicado na terça-feira, quando o projeto foi anunciado: “fomos inspirados por pedidos e sugestões da nossa comunidade global de developers e pelos nossos colaboradores para ajudarmos na luta contra o coronavírus”, admitindo que “em todo mundo, as pessoas estão a pensar em formas de como os sistemas digitais podem ajudar a facilitar as adversidades causadas pelo Covid-19.”

(atualizado às 14h10 com informação extra sobre os médicos e enfermeiros que podem aderir)

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