Meditação

No mundo tecnológico é possível meditar. Com ou sem aplicações

Monge Jogn Paramai durante o Digital Freedom Festival, em Riga, na Letónia, onde realizou várias sessões de meditação e de mindfulness. Fotografia: DR
Monge Jogn Paramai durante o Digital Freedom Festival, em Riga, na Letónia, onde realizou várias sessões de meditação e de mindfulness. Fotografia: DR

O Dinheiro Vivo entrevistou o monge tailandês John Paramai durante o evento de tecnologia Digital Freedom Festival, na Letónia.

O que faz um monge budista num festival de tecnologia? Essa foi a resposta que o tailandês John Paramai procurou dar quando passou pelo Digital Freedom Festival, na Letónia. Durante dois dias, este antigo polícia foi o responsável por várias sessões de meditação e de mindfulness, que serviram para os participantes relaxarem e limparem a mente de preocupações.

Em entrevista ao Dinheiro Vivo durante o evento, o monge tailandês partilhou connosco a sua visão sobre a entrada das novas tecnologias no mundo da meditação e revelou que ele próprio está a criar uma aplicação para smartphones.

John Paramai, que é um dos responsáveis pela organização Peace and Revolution, diz que é possível meditar mesmo numa viagem de comboio ou de avião.

Qual a diferença entre meditar no mundo digital ou no mundo tecnológico?

A meditação resume-se a duas coisas: ficar fora da mente e como alcançar isso. No mundo tecnológico, as pessoas meditam através de aplicações móveis. Fazem-no online, de forma estruturada ou não. No mundo normal, as pessoas vão a um mosteiro ou falam com um professor e aprendem a meditar. Há alguém com quem se possa falar.

É correto que as pessoas meditem através destas aplicações?

Eu próprio estou a criar uma aplicação para meditação. É um bom passo para começar a explorar a meditação. Nos dias de hoje, as pessoas estão a tornar-se cada vez mais tecnológicas e têm cada vez menos tempo. Estamos muito conectados à vida digital. Por isso é que podemos fazer algo como uma abordagem híbrida a esta situação. Estamos a construir uma página na Internet em que é possível receber aconselhamento personalizado.

O que terá de único uma app criada pelo monge?

Para já, tenho um website, que tem vários coach que dão conselhos e dicas, o que não existe em mais lado nenhum. Estes coach são devidamente treinados. Na nossa aplicação, não sabemos ainda se poderemos ter esse aconselhamento personalizado mas é certo que o nosso guia para a meditação será único. É um método que mais ninguém tem.

A depressão existe porque pensamos constantemente e estamos sempre a voltar aos mesmos pensamentos e a desgastar-nos. É como o momento em que um computador fica sem memória interna e precisa de ser formatado. A nossa mente, de vez em quando, também precisa disso.

Quais são os limites da meditação, tendo em conta alguns problemas psicológicos mais sérios?

Há três tipos de pessoas que não podem meditar: os mortos, os que nunca tentaram e os que têm graves problemas mentais. Se compararmos os humanos com os computadores, temos o hardware e o software. O software pode ser reparado; se o hardware tiver falhas, a meditação não é recomendada para esse tipo de situações.

Os esgotamentos ou depressões estão a tornar-se cada vez mais comuns. De que forma a meditação pode prevenir ou ajudar a lidar com estas situações?

Se nos prepararmos muito bem, não teremos depressão. A depressão existe porque pensamos constantemente e estamos sempre a voltar aos mesmos pensamentos e a desgastar-nos. É como o momento em que um computador fica sem memória interna e precisa de ser formatado. A nossa mente, de vez em quando, também precisa disso.

Quanto tempo é necessário para meditar? No limite, podemos meditar no trabalho?

A meditação tem bastantes efeitos quando fechamos os olhos porque a nossa atenção deixa de ir para os nossos cinco sentidos, que são necessários quando estamos a fazer algo. Na meditação, precisamos de toda a atenção para nós próprios e não para esses sentidos. Mas também é possível prestar alguma atenção a nós próprios enquanto estamos a comer, por exemplo, embora não seja uma meditação tão profunda. Podemos ter até 20%/30% para a nossa mente nesses momentos.

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Receia que as aplicações móveis possam destruir os princípios básicos da meditação e que ela possa ser vista como um mero negócio?

Não acredito que vá destruir totalmente a meditação mas pode desviar as pessoas dos métodos mais aprofundados. Recomendo que as pessoas meditem, mesmo com estas aplicações móveis. Não há um tempo mínimo para meditar bem: tanto pode ser cinco ou dez minutos por dia – como sugerem as aplicações; 30 minutos – como nos atletas profissionais; ou mesmo uma ou duas horas – se se quiser um processo mais profundo.

Os nossos dias parecem sempre tão cheios. De que forma as pessoas podem encontrar tempo para meditar?

Passem menos tempo nas redes sociais ou durmam um pouco menos. É muito importante encontrar tempo para nós próprios. Em média, as pessoas passam duas horas por dia nas redes sociais, pelo que não há desculpa para não haver tempo para meditar.

*Jornalista viajou a convite da agência de investimento da Letónia

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