OE2016. Previsões dependem "crucialmente" de hipóteses não asseguradas

Conselho de Finanças Públicas recomenda mais "prudência quanto à hipótese de crescimento da procura externa"

"As previsões incluídas no Projeto de Plano Orçamental dependem crucialmente de hipóteses cuja concretização não está assegurada", alerta o Conselho de Finanças Públicas no parecer ao plano orçamental ontem aprovado pelo governo socialista.

"Mesmo no curto prazo, a evolução mais recente em mercados importantes para as exportações portuguesas aconselha prudência quanto à hipótese de crescimento da procura externa", prossegue o parecer do CFP.

Riscos mais relevantes

Para o Conselho de Finanças Públicas, "os riscos mais relevantes do cenário respeitam às hipóteses de evolução dos preços e do seu impacto imediato na competitividade da economia e, por consequência, no crescimento do PIB e do emprego", isto desde que este impacto "não venha a ser corrigido por medidas posteriores".

Assumindo as dificuldades presentes em "todos os exercícios de previsão", o CFP explica que a sua análise ao plano orçamental parte do princípio que aconselha a "adoção de um cenário macroeconómico prudente", avançando de seguida para uma análise mais detalhada.

Procura externa

As "perspetivas muito moderadas" para o crescimento dos principais parceiros comerciais de Portugal, diz o CFP, fazem parte de um conjunto de "desenvolvimentos externos" que levam o Conselho de Finanças Públicas a concluir que as previsões assumidas pelo Ministério das Finanças sobre a procura externa podem ser demasiado otimistas.

"Estes desenvolvimentos externos tornam-se de difícil compatibilização com a hipótese de aceleração da procura externa em 2016 assumida pelo MF", refere o parecer.

Apontando também para os riscos que pairam sobre as economias emergentes - Angola, Brasil e China, sobretudo -, o CFP aponta que a "probabilidade de revisão em baixa do crescimento da procura externa em 2016 é, assim, particularmente elevada. Este é um risco negativo que pode traduzir-se num impacto significativo no crescimento das exportações com prejuízo do crescimento do PIB".

Inflação? "Difícil de compatibilizar"

Para o Conselho das Finanças Públicas, a previsão das Finanças para a inflação na economia portuguesa, de 1,4%, é "difícil de compatibilizar com a abertura da economia e com a evolução recente dos preços a nível nacional e internacional".

Sobre este ponto, o CFP lembra que o segundo semestre de 2015 ficou marcado por "um abrandamento das variações homólogas mensais, em concordância com o contexto dos preços a nível internacional", sendo que para a evolução da inflação convém não esquecer "que os principais parceiros comerciais portugueses continuam a experimentar processos de redução da inflação".

Se a estes dois fatores juntarmos o facto de as fortes quebras que o petróleo tem vindo a registar não estarem a ser compensadas, em termos de inflação, "pela inflação subjacente", sem bens energéticos, então o CFP conclui pela difícil compatibilização das previsões das Finanças com o enquadramento atual.

Deflator: "A maior dificuldade de explicação"

Para o Conselho de Finanças Públicas, "é a forte aceleração do deflator do consumo privado e do IHPC que suscita a maior dificuldade de explicação, tendo em conta o elevado grau de abertura da economia portuguesa".

Esta questão prende-se tanto com as previsões para a inflação como para a evolução das importações prevista. No caso do deflator do consumo público, diz o CFP, este deflator "é explicado pela evolução da política remuneratória no sector público". As dúvidas residem no lado dos privados.

"No caso do consumo privado, não obstante a pressão decorrente da previsão de aumento da remuneração média por trabalhador (2,1%) superior ao da produtividade (1,1%), a abertura da economia deve conduzir a que, a um aumento dos preços da produção nacional, corresponda o aumento das importações de bens transacionáveis, em particular provenientes da área do euro", diz o CFP.

Este será um outro factor a pressionar a inflação prevista pelas Finanças: "A diferença de preços tenderá a acentuar a importação de bens de consumo corrente, reduzindo assim a inflação interna."

"A previsão do aumento dos preços em consequência da pressão da procura interna decorrente do aumento do rendimento disponível não se afigura suficientemente plausível e suscita problemas quanto ao desempenho da economia e da política orçamental", acaba por rematar o Conselho de Finanças Públicas em jeito de conclusão.

 

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