Venezuela

ONU pronta para enviar ajuda humanitária de emergência para Venezuela

António Guterres, secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
António Guterres, secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

Ajuda foi pedida por Juan Guaidó, mas organização alerta que para avançar precisa do consentimento do governo liderado pelo contestado Nicolás Maduro

“Numa carta, enviada em resposta a Juan Guaidó a 29 de janeiro, o secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou que as Nações Unidas estão prontas para aumentar as suas atividades na Venezuela em termos de assistência humanitária e de desenvolvimento”, afirmou esta quinta-feira, em declarações à agência noticiosa francesa France Presse (AFP), um porta-voz daquela organização internacional em Genebra (Suíça).

“No entanto, acrescentou que, para isso, as Nações Unidas precisavam do consentimento do governo”, prosseguiu o mesmo porta-voz, frisando: “É urgente aumentar a ajuda humanitária”.

Atualmente, existem agências da ONU que estão presentes na Venezuela, como o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS, a estrutura regional para o continente americano da Organização Mundial de Saúde), que gerem programas de assistência ao desenvolvimento ou de prevenção.

Segundo o mesmo porta-voz, estas agências estão a trabalhar no terreno para tentar conseguir intensificar o seu apoio.

Mas, por exemplo, o Programa Alimentar Mundial (PAM), agência responsável pela entrega de alimentos em países em crise ou em conflito, não está presente na Venezuela, que enfrenta uma grave crise económica e social que já levou cerca de 2,3 milhões de pessoas a fugirem do país desde 2015, segundo dados das Nações Unidas.

O presidente da Assembleia Nacional (parlamento), Juan Guaidó, que se autoproclamou no passado dia 23 de janeiro Presidente interino da Venezuela e que tem vindo a ganhar o reconhecimento de vários países, alertou para a necessidade da chegada de uma ajuda humanitária de emergência ao país e tem tentado mobilizar apoios nesse sentido.

O parlamento venezuelano, a única instituição na qual a oposição tem maioria, aprovou esta semana um plano estratégico para a distribuição de alimentos e remédios enviados pelos Estados Unidos e pelo Canadá a partir da Colômbia e do Brasil, países que fazem fronteira com a Venezuela.

Segundo Juan Guaidó, “há entre 250 mil a 300 mil venezuelanos que correm o risco de morrer”.

Na quarta-feira, os Estados Unidos acusaram o Presidente Nicolás Maduro de “bloquear” a ajuda humanitária enviada para o país, referindo que a população está “desesperada” por auxílio.

“O povo venezuelano necessita desesperadamente de ajuda humanitária. Os Estados Unidos e outros países estão a tentar ajudar, mas o exército da Venezuela, sob as ordens de Maduro, estão a bloquear a ajuda que chega em camiões e navios”, disse o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, numa publicação na rede social Twitter.

O secretário de Estado defendeu ainda que o povo precisa de ser ajudado.

“O regime de Maduro deve permitir que a ajuda chegue a um povo com fome”, acrescentou, na mesma altura, Mike Pompeo.

Acreditando que as necessidades não cobertas no país são “enormes”, o Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICR) duplicou o seu orçamento anual para a Venezuela, mas fez questão de afirmar que se recusa a ser arrastado para divisões políticas.

Frisando a “neutralidade” da organização, a Cruz Vermelha venezuelana afirmou, esta semana, que está pronta para distribuir ajuda humanitária, a partir do momento em que ela entre no país.

Atualmente, “estão cerca de 2.600 voluntários e funcionários da Cruz Vermelha no terreno” para gerir oito hospitais, 33 centros de atendimento ambulatório e para “assegurar os primeiros socorros”, precisou, também em declarações à AFP em Genebra, um porta-voz da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV/CV).

“Eles também trabalham com as comunidades e as populações deslocadas no fornecimento de água, no melhoramento das condições de higiene e de saneamento, na prevenção de doenças e na preparação para situações de urgência”, acrescentou o porta-voz da FICV/CV.

Presente desde 2015 em certas regiões na Venezuela, a Médicos sem Fronteiras (MSF) também assegurou que as equipas da organização não-governamental (ONG) “estão prontas para reagir se necessário”, segundo afirmou hoje também à AFP o porta-voz da organização, Etienne L’Hermitte.

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