Eleições legislativas 2019

Parlamento ganha três novos partidos. Costa disponível para geringonça 2.0

(Gerardo Santos / Global Imagens
(Gerardo Santos / Global Imagens

O PS vence, mas sem maioria e aponta para um novo acordo de incidência parlamentar mais alargado, que inclua o PAN e o Livre.

Nunca o Parlamento teve tantos partidos representados, passando de sete para dez forças políticas (temos de contar com o Grupo Parlamentar “Os Verdes” que integram a coligação da CDU com o PCP). O Livre, a Iniciativa Liberal e o Chega elegeram um deputado cada, acrescentando novas cores ao espetro político parlamentar. Mas nem todos farão parte de uma futura nova solução de apoio a um governo socialista.

“Os portugueses gostaram da geringonça”, afirmou António Costa e por isso o PS vai “procurar renovar esta solução política”, disse, lembrando que “os partidos que apoiaram a atual solução política consolidaram a sua posição eleitoral”. Sublinhou o reforço do PAN. E anunciou que quer falar com o Livre que conseguiu eleger a deputada Joacine Katar Moreira, pelo círculo de Lisboa.

A nova composição parlamentar obriga António Costa a dialogar com mais forças políticas e já deixou isso claro no discurso da vitória. “O nosso objetivo é garantir tudo o que alcançámos e decidir com os portugueses fazer ainda mais e melhor.”

Ainda faltam atribuir quatro mandatos: dois pelo círculo da Europa e outros dois Fora da Europa.

Assunção Cristas não resiste e anuncia saída
Foi a maior queda em termos de deputados no Parlamento. O CDS perdeu 13 parlamentares, uma hecatombe, e ficou reduzido a cinco elementos, recuando aos tempos em que era chamado o “partido do táxi”.

E teve uma consequência imediata: Assunção Cristas anunciou a saída da liderança do partido ao não se recandidatar no próximo congresso, ainda a ser marcado pelo Conselho Nacional.

“Dei o meu melhor. Decidi não me recandidatar”, disse numa declaração curta na sede nacional dos democratas-cristãos, em Lisboa, assumindo o resultado “com humildade democrática”.

PSD pior do que em 2005
As sondagens começaram com expectativas baixas, subiram nas duas últimas semanas de campanha, mas não foi suficiente para que o resultado ficasse abaixo do de Santana Lopes em 2005, quando o PSD deu a primeira e única maioria absoluta ao PS com José Sócrates. Nesse ano, os sociais-democratas conseguiram 28,8% dos votos. Em 2019, ficaram-se pelos 27,9%.


“Não está nem perto de ser o desastre que se anunciou”, afirmou Rui Rio, sublinhando que o resultado obtido pelo partido é “semelhante ao de 2015”. O líder do PSD culpou os comentadores, os resultados de sondagens e a “conjuntura externa que favoreceu o crescimento económico sem o governo ter de fazer grande coisa”, bem como “comparações injustas” com o período da troika, para justificar a queda no número de votos.

PCP perde cinco deputados. BE mantém. PAN quadruplica
A CDU não conseguiu travar a erosão de votos e acabou com menos cinco deputados, como o caso de Heloísa Apolónia, dos Verdes, que ao fim de 24 anos abandona a vida parlamentar.

“Uma redução de deputados, que é assumida, é um facto negativo e que não se pode ignorar”, mas resulta de uma “campanha contra a CDU” e é um resultado que fica “longe das vozes que davam o partido como morto”, sublinhou Jerónimo de Sousa.

O líder comunista deixou a porta aberta a entendimentos de incidência parlamentar, mas não se comprometeu com nenhuma nova geringonça com o PS. A CDU, afirmou, “contribuirá para a aprovação de medidas que considere positivas” e dará “combate a todas as medidas negativas”.

As exigência imediatas vão para um aumento do salário mínimo até aos 850 euros, a universalização das creches públicas grátis para crianças até aos três anos” e “reforço do investimento” no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

O Bloco de Esquerda, que mantém o número de deputados, foi mais claro em relação a apoiar o governo do PS e ainda sem os resultados fechados Catarina Martins afirmou que Costa tem duas opções para governar: “Procurar uma solução de estabilidade ou realizar negociações ano a ano a cada orçamento”. E deixou um caderno de encargos para a próxima legislatura para assegurar uma nova geringonça.

Foi um dos melhores resultados da noite eleitoral. O partido Pessoas Animais e Natureza passou de um único deputado a quatro com a eleição de mais uma deputada em Lisboa (Paula Sousa Real, que se junta a André Silva), Bebiana da Cunha, pelo Porto e Maria Rodrigues pelo círculo de Setúbal.

O PAN, que se estreou em 2015, passa agora a ter um grupo parlamentar e já disse “sim” a um possível acordo de incidência parlamentar para viabilizar um governo PS.

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As novas cores parlamentares
O Parlamento português ganha na próxima legislatura três novas forças políticas, com a extrema-direita a estrear-se na Assembleia da República. André Ventura, líder do Chega, foi eleito pelo círculo de Lisboa, com 1,3% dos votos.

Em estreia absoluta, o partido Iniciativa Liberal (IL) conseguiu eleger o cabeça-de-lista por Lisboa, João Cotrim de Figueiredo. O ex-presidente do Turismo de Portugal e antigo diretor-geral da TVI entra para o Parlamento tendo recolhido 1,29% dos votos.

Também novidade é a entrada do partido Livre, fundado por Rui Tavares, que teve votos suficientes para conseguir a entrada da cabeça-de-lista por Lisboa, Joacine Katar Moreira.

Veja ainda a fotogaleria da noite eleitoral, os vencedores, os derrotados

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