Portugal com pior registo mundial de novos casos diários. Já são 18% dos testados que têm covid

Portugal está nos piores registos mundiais em mortes e novos casos (por cada 1 milhão de habitantes) não só diariamente, como na média dos últimos sete dias. Estatísticas mostram cenário negro, até porque há cada vez mais pessoas testadas a darem positivo à covid-19 - são agora 18%, mais 80% do que no Natal - o que indicia que se houvesse mais testes seria maior o número de infetados.

Os números da pandemia em Portugal são negros e em crescimento constante deste final de dezembro numa altura em que, sabe-se, a nova estirpe do Reino Unido que é mais infecciosa já andava a circular pelo país.

E esses mesmos números, que são possíveis de consultar na plataforma da Universidade de Oxford Our World in Data, não enganam: Portugal é, ao dia de hoje (com dados até domingo) o pior país do mundo em novos casos de covid-19 por cada 1 milhão de habitantes diariamente e fica em segundo na média dos últimos sete dias, só atrás de Israel (e o valor é cada vez mais próximo, sendo o registo de sete dias o mais grave e preocupante).

O país supera assim República Checa, Irlanda, Reino Unido, Eslovénia, Estados Unidos, Espanha ou Suécia (por ordem) nas médias dos últimos sete dias.

Já na média de mortes por cada 1 milhão de habitantes, a nível diário e contando todos os países do mundo (e não apenas a Europa) Portugal (média de 15 mortes diários por cada 1 milhão de habitantes) só fica atrás da Eslovénia e na média dos últimos sete dias só fica atrás do Reino Unido e República Checa.

Outro registo relevante é perceber quando começou a dinâmica ascendente no país. Existiam a 25 de dezembro 70 mil casos ativos em Portugal, numa altura em que se sabe - foi anunciado na primeira semana do ano pelo Governo - houve bem menos testes diários realizados do que anteriormente.

O valor mais baixo foi a 29 de dezembro, com 65 mil casos ativos. Depois disso esteve sempre a crescer e a 1 de janeiro já estavam nos 75 mil casos ativos de pessoas com covid-19 em Portugal.

Ou seja, mais cinco mil casos do que havia no dia de Natal - um registo preocupante até porque continuava a crescer todos os dias. Portugal começava a trabalhar, segunda-feira, 4 de janeiro de 2021, já com mais de 80 mil casos ativos e ao nível do pior registo no país até então, registado a 24 de novembro e que culminou com um início de dezembro com recorde de mortes.

Ainda assim, não houve alteração de medidas na altura, nem reunião do Infarmed antecipada. Portugal entrava no fim de semana de 9 e 10 de janeiro com o valor recorde de 102 mil casos ativos, um aumento inédito de 36% de casos ativos no país em apenas 8 dias desde o início de 2021.

A reunião do Infarmed só chegou a terça-feira, 12 de janeiro, as novas medidas mais restritivas (com mais excepções do que as de março e abril) foram anunciadas dia 13 e que se pensou que estariam em vigor dia 14, só entraram em vigor sexta-feira dia 15. Os dados de domingo, 17 de janeiro, revelam que existem agora 134 mil casos ativos, mais 78,7% do que existiam a 1 de janeiro. Tudo indica serão anunciadas hoje, 18 de janeiro, novas medidas restritivas, três dias depois das anteriores terem começado a ser aplicadas.

18% dos testados dão positivo. Portugal é o 4º pior da Europa

Controlar a pandemia também está dependente do número de testes feitos - para travar surtos e cadeias de infeção. Portugal continua mal nesse registo mas parece ter melhorado nos últimos dias e está agora em sexto lugar a nível europeu em número de testes, ficando atrás de Dinamarca, Israel, Reino Unido, Áustria e Bélgica - a nível mundial fica atrás, por exemplo, dos EUA.

Noutro registo importante, o de percentagem de testes feitos que dão positivo, o caminho é mais complicado e parece mostrar, como diz ao Público o especialista Manuel Carmo Gomes, que os 10 mil casos atuais não são reais - por incapacidade de testagem em Portugal, que anda numa média de 47 mil por dia e devia andar nos 55 mil.

Os números indicam ainda que Portugal está com 18% de testes covid a darem positivo (36% pior do que acontecia a 1 de janeiro e 80% pior do registado a 25 de dezembro). Pior do que Portugal só mesmo Eslovénia (26%), Irlanda (20%) e Suécia (20%). O país está assim com pior registo do que EUA (15%) ou Reino Unido (9%), países muito maiores e com situação complicada mas com maior número de testes por cada mil habitantes. Aí brilham Áustria (1% de testes positivos), Dinamarca (2%), Noruega (3%), Finlândia (3%), Bélgica (5%) ou Grécia (6%).

A 1 de janeiro o registo português era já elevado, de 13,6% de testes covid a darem positivo - a 25 de dezembro era de 10% - e até pior do que acontecia a 1 de dezembro, em que era 13,1% o registo médio na altura.

O registo dos testes feitos para cada caso positivo em Portugal mostram essa tendência - no país por cada 5,6 testes feitos, um é positivo -, colocando Portugal na cauda europeia - pior só Eslovénia, Irlanda e Suécia.

Nesta categoria que mostra também se se fazem muitos testes, na Europa os que têm menos incidência do vírus por cada teste feito são a Áustria (216,6), a Dinamarca, Noruega e a Finlândia. As rainhas mundiais são Austrália, Singapura, Vietname, Mongólia e Nova Zelândia.

Há outros dados possíveis de tirar deste banco de dados, como o número de camas de hospitais disponível por cada mil habitantes, onde Portugal só tem 3,4, um dos piores registos a nível europeu - contra Alemanha (8), Áustria, Hungria, República Chega, França ou até Grécia, mas melhor do que Itália e Espanha.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de