Coronavírus

Ramalho Eanes pede aos “velhos” para cederem ventilador aos mais jovens

António Ramalho Eanes.
António Ramalho Eanes.

"Isto vai fazer com que repensamos o próprio Estado e as próprias funções do Estado", afirmou o antigo Presidente da República, à RTP.

“Temos de pensar menos no eu e mais no nós”, pediu António Ramalho Eanes, esta quarta-feira à noite, durante a entrevista com Fátima Campos Ferreira, na RTP1. A propósito do Estado de Emergência, o antigo Presidente da República lembrou que “o medo é razoável mas que é de nossa obrigação ultrapassá-lo” neste contexto de epidemia.

A entrevista daquele que foi o primeiro Presidente da República no pós-25 de abril pode ser resumida à expressão “nós, os velhos”. Aos 85 anos, Ramalho Eanes apela aos mais velhos para darem o exemplo. “Entendo que a situação de crise presente afeta todos e temos de pensar não emotivamente, mas que afeta todos por igual, novos e velhos. E não vai acabar agora. (…) Nós – e eu falo porque sou um velho – nós, os velhos, temos de pensar que a nossa situação é igual à dos outros e se alguma coisa há é a obrigação suplementar de dizer aos outros que isto já aconteceu, que se ultrapassou, vai ser ultrapassada e nós, os velhos, vamos dar o exemplo. Não saímos de casa, respeitamos os conselhos médicos e, se for necessário, chegamos ao hospital e oferecemos o ventilador ao homem que tem mulher e filhos.”

Ramalho Eanes relembrou ainda a situação de crise que os profissionais de saúde atravessam, que classifica como “impensável”, para logo a seguir recordar a situação que se vive em Espanha e Itália, os países mais afetados pela pandemia de covid-19, de onde chegam imagens de hospitais e profissionais de saúde saturados.”Em Itália e Espanha, e aqui se calhar também, o médico muitas vezes tem de escolher entre aquele a quem aplica o ventilador e aquele a quem não aplica. Aquele a quem pode proporcionar a vida e aquela a quem retirar a vida. É uma situação que não quereriam nunca estar a viver.”

Em relação ao esforço de reorientação da produção, Ramalho Eanes lembra que é possível construir ventiladores rapidamente, referindo o exemplo do CEiiA, em Matosinhos, que ao longo de seis meses quer garantir ao país uma produção de 10 mil ventiladores.

Ramalho Eanes pediu ainda mais solidariedade neste contexto de pandemia. “A globalização trouxe uma interdependência sentida mas não trouxe uma solidariedade, como diz Morin”, relembrou o político. “Esta crise demonstra que nenhum país por si consegue resolver os problemas”.

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