Temido: "Esperam-se dias complicados" e de "pressão para o SNS". Testes rápidos aprovados

Marta Temido admite que se esperam "dias complicados" nas próximas semanas, que o SNS está sob pressão e deposita esperança nos testes rápidos da Cruz Vermelha, que vão começar agora a ficar disponíveis oficialmente.

A ministra da Saúde, Marta Temido, admitiu, esta sexta-feira, em conferência de imprensa, que os próximos dias se anteveem complicados e vão colocar sobre "elevada pressão" o Serviço Nacional de Saúde (SNS), aproveitando para anunciar que o Governo vai finalmente dar o aval final para a utilização dos testes rápidos antigénios já adquiridos pela Cruz Vermelha Portugal.

Até domingo o Governo comprometeu-se a finalizar a norma que estimula a forma como os 500 mil testes já adquiridos serão usados, inclusive pelo SNS, de forma faseada. "O ministério da Saúde aceitou a disponibilidade da Cruz Vermelha portuguesa para o fornecimento de testes rápidos. Estão pré-reservados um total de 500 mil testes. Vão ser recebidos em tranches, fatias, porções, de forma faseada ao abrigo de um financiamento europeu. A primeira fase de entrega, 100 mil testes, será na primeira semana de novembro e serão utilizados nas condições definidas pela norma de estratégia nacional de testes para a SARS-CoV-2 em contexto de surtos", disse a governante.

Temido também revelou na conferência de imprensa desta tarde que os médicos de saúde pública vão ser pagos por horas extra - o pagamento será feito referente ao período deste março - e abordou os limites de camas do SNS. Sobre a capacidade instalada do SNS, em especial a capacidade hospitalar: "quero recordar, e sublinhar, que os hospitais do SNS têm uma capacidade total de 21 mil camas que o número de camas disponíveis para internamento é dinâmico e relativamente flexível". A ministra acrescentou que, para efeitos de potencial resposta à pandemia, não se consideram as 21 mil camas, porque este número inclui camas em hospitais especializados, mas sim "cerca de 19.700 camas: são sensivelmente 34% no Norte, 21% no Centro, 46% em Lisboa e Vale do Tejo, 4% no Alentejo e 5% no Algarve".

Neste momento está a ser montado um hospital de campanha anexo ao Hospital de Penafiel, devido ao aumento de casos no concelho nos últimos dias. Já sobre os ventiladores, além dos 1142 ventiladores mecânicos disponíveis aquando da primeira vaga de pandemia: "atualmente temos mais 749 distribuídos", disse.

Como funcionam e o permitem os testes rápidos?

Os testes de leitura rápida representam um avanço tecnológico significativo e "podem fazer toda a diferença na luta contra a pandemia". "São testes que podem mudar o paradigma do diagnóstico atual à covid em Portugal não só pela rapidez, mas também pelo custo e a forma como permitem agilizar processos e chegar mais longe". Essa é a opinião de Ricardo Mexia, presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública (ANMSP) e médico e epidemiologista do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge.

Neste momento existem três empresas que já estão, oficialmente, a disponibilizar testes de leitura rápida no país, dois com um novo método, antigénio (pronto em 15 minutos) e outro com o método tradicional, de análise molecular (de 39 minutos). Este último tipo de teste rápido pertence à Bosch, que anunciou há perto de um mês que já está a disponibilizar a nível europeu o seu teste molecular de leitura rápida.

Gonçalo Órfão, especialista em imuno-hemoterapia e gestor do Programa Especial de Testes Covid-19 da Cruz Vermelha, explica ao Dinheiro Vivo que o potencial dos testes de leitura rápido "é enorme", "para travar cadeias de transmissão do vírus nas escolas, lares e locais de trabalho", admitindo que revelam já uma "eficiência muito grande" e "poupam dinheiro e tempo precioso, não só na logística - não é preciso levar os testes a um laboratório central -, mas também no tempo de espera". Além disso, podem ser feitos vários em simultâneo. "O tempo faz todo a diferença", admite.

A Abbott e Roche têm testes antigénios (onde é analisada uma proteína e não a genética) com resultados em 15 minutos e também aguardam normas da DGS para poder integrá-los de forma mais oficial - embora já possam ser adquiridos por empresas.

No caso da Bosch Portugal, é-nos indicado a chegada dos seus testes ao mercado nacional "irá certamente ajudar os profissionais de saúde, naquela que é a sua atividade diária, permitindo num curto espaço de tempo o acesso ao resultado do teste, minimizando assim os tempos de espera". A Bosch explica que este tipo rápido de testes ajuda a evitar o tempo de quarentena, dispensa laboratórios e a logística em torno de levar os testes até lá e "torna as viagens e o trabalho mais seguros".

Para já, a empresa alemã já está a testar os seus colaboradores nas diferentes localizações em Portugal (Braga, Ovar, Aveiro e Lisboa) - atualmente conta com mais de 6000 funcionários em termos nacionais. "Estamos a trabalhar noutras parcerias, mas até estar tudo acordado entre as partes não podemos mencionar", revela-nos a empresa há cerca de três semanas.

Com um preço um pouco abaixo dos 50 euros, a empresa alemã garante que são os testes de reação em cadeia da polimerase (PCR) - testes moleculares semelhantes aos atuais - mais rápidos do mundo. Requerem o dispositivo de análise Vivalytic e estão destinados "ao uso descentralizado em centros de teste móveis localizados em estações de serviço de rodovias ou nos aeroportos".

Com uma sensibilidade de 98% e uma especificidade de 100%, este tipo de testes são mais caros do que o outro tipo de testes rápidos, os antigénios, cujo preço oscila entre os 5 e €10 (para privados pode ser o dobro), mas têm maior eficácia nos resultados (os antigénios têm sensibilidade que ronda os 93,3%). A Bosch destaca ainda que os testes PCR são considerados o padrão de excelência dos métodos de teste, com maior eficácia de resultados do que os tais antigénios. Para desenvolver o seu teste, a Bosch Healthcare Solutions, subsidiária da Bosch, uniu esforços com a empresa alemã de biotecnologia R-Biopharm - um fornecedor líder de testes manuais de PCR altamente sensíveis.

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