Turismo

Turismo: Eurodeputados portugueses exigem mais dinheiro e coordenação

(Rui Oliveira/Global Imagens)
(Rui Oliveira/Global Imagens)

Eurodeputados do PS, PSD e PCP entendem que os 27 devem criar linha de apoio exclusiva para salvar o turismo. Conferederação quer lay-off até dezembro

Depois de um ano de 2019 “formidável”, o coronavírus colocou o turismo numa “paralisia”. As palavras de Nuno Bernardo, vogal da Comissão Executiva da Confederação do Turismo de Portugal (CTP) refletem os impactos da Covid-19 numa das atividades económicas que mais cresceram nos últimos anos. Para ajudar as empresas a sobreviver e a ultrapassarem a pandemia, os eurodeputados portugueses exigem mais dinheiro e coordenação entre os 27 países da União Europeia.

Estas foram as principais conclusões do debate virtual “O Turismo em tempo de Covid-19”, organizado esta quarta-feira pelo gabinete do Parlamento Europeu em Portugal e que contou com a participação dos eurodeputados Sara Cerdas (PS), Cláudia Monteiro de Aguiar (PSD) e João Ferreira (PCP), além de Nuno Bernardo, da CTP.

A representante do PS assinalou que “é preciso olhar para o turismo como uma indústria, para ter apoios mais consistentes”. Isso passa pela criação de uma “linha de financiamento específica”, em detrimento de “apoios específicos”, de acesso mais difícil. Sara Cerdas entende também que deve haver “uniformização das medidas de desconfinamento” e “maior coordenação entre os estados-membros”.

A eurodeputada do PSD considera que o fundo de recuperação que vier a ser aprovado pelo Conselho Europeu “deve ter 10%, 15% ou 20% das suas verbas alocadas ao turismo”. Além disso, o apoio do plano de recuperação europeu deve depois ter continuidade no próximo quadro comunitário (2021-2027). Cláudia Monteiro de Aguiar sustenta que o selo de segurança Clean & Safe deveria ser alargado a toda a União Europeia.

João Ferreira chamou a atenção que, “em alguns países, a resposta europeia é uma pequeníssima porção dos apoios atribuídos a nível nacional”, dando como exemplo o caso da Alemanha. A crise económica gerada pela pandemia também pode “aumentar as desigualdades” entre países, por causa do “aumento da concorrência e das diferentes condições de financiamento junto dos mercados internacionais”.

O eurodeputado do PCP defende também uma discriminação dos apoios conforme a dimensão das empresas: “Não podemos tratar da mesma maneira a micro e pequena empresa da cadeia multinacional. Cadeias hoteleiras não precisam de alguns dos apoios que têm sido mobilizados”.

O representante da CTP optou por deixar sugestões para o Governo e lembrou que se não houver mais nenhum alargamento do regime de lay-off “haverá uma grande crise social a partir de outubro”, ou seja, quando acabar a época alta. O sector do turismo “está praticamente sem receitas desde março”, recorda o responsável.

Nuno Bernardo defende, por isso, que “o lay-off simplificado possa ser prolongado até ao final deste ano”. O representante da CTP diz ainda que o turismo português poderá começar a ter alguma retoma a partir do próximo ano: “2021 será um ano muito envergonhado, com grande parte das empresas fechadas ate à Páscoa”. A mensagem, por isso, é: “temos de sobreviver até lá”. Só depois disso é que se poderá pensar na sustentabilidade.

Melhorar comunicação

O debate também serviu para refletir sobre as restrições que países como Reino Unido e Bélgica têm imposto sobre Portugal, através da imposição de quarentenas de 14 dias no regresso ou então desaconselhando viagens a solo português. Neste ponto, os eurodeputados dividiram-se.

Do lado do PS, Sara Cerdas lamentou a postura do Reino Unido e afirmou que “é diferente haver 2000 casos numa região como o Algarve do que numa comunidade local. Não temos transmissão comunitária”.

Cláudia Monteiro de Aguiar criticou a postura do ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva. “A diplomacia está a falhar e não podemos ter um ministro que reage daquela maneira ao Governo britânico. Não se pode sugerir aos turistas virem por Espanha.” Esta eurodeputada lembra ainda que “Portugal não está bem” ao nível da evolução dos casos, “sobretudo na região de Lisboa.

João Ferreira defende um aumento da quota do turismo nacional, por via do aumento do rendimento disponível. “Em 2019, mais de 40% dos portugueses não tinham rendimento para uma semana de férias; a média europeia era de 30%. Temos de defender os rendimentos da população.”

Nuno Bernardo afasta um cenário de vingança de alguns países europeus face ao sucesso do turismo português e entende que Portugal deve comunicar melhorar o atual estado sanitário. “Em Lisboa, temos um problema de comunicação, apesar de não haver quaisquer cercas. Em Barcelona, há cidades vizinhas com cercas sanitárias e não vejo qualquer perturbação no destino Barcelona.”

Se quiser ver o debate completo, poderá consultar esta página.

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