Um quarto dos portugueses foi alvo de ataques online em 2020, avança estudo

Para a Sophos, empresa especialista em cibersegurança, os portugueses não reconhecem ainda o perigo dos ciberataques, que ocorrem cada vez mais em território nacional e só 46% considera que não está vulnerável a ciberataques.

Conduzido pela Sophos, que diz ser líder global em software e hardware de segurança, o seu primeiro estudo em Portugal que avaliou o nível de cibersegurança da população nacional revelou que quase metade desta não tem grandes preocupações quanto a ciberataques.

Paradoxalmente, o mesmo relatório aponta que 28% dos portugueses já sofreram um incidente na internet no último ano ou 51% já conheceram alguém que foi vitima do mesmo fenómeno. Para o Chet Wisniewski, Principal Research Scientist da Sophos, a pouca preocupação dos portugueses relativamente à sua vulnerabilidade de vir a sofrer um incidente cibernético é "uma atitude muito perigosa e idealmente deveríamos ver o oposto".

A Sophos alerta ainda que "a quantidade e a gravidade dos ciberataques têm vindo a aumentar exponencialmente, o que exige, mais do que nunca, que os cidadãos estejam conscientes dos riscos que correm em todos os momentos".

Ainda em 2020, o Centro Nacional de Cibersegurança já tinha avisado que em Portugal tinham-se registado mais 79% situações criminosas online em relação ao ano anterior e que o fenómeno tenderá a crescer nos próximos tempos, especialmente devido às "vulnerabilidades provocadas pelo trabalho remoto". De facto, o relatório da Sophos também identificou que os casos de ciberataques foram mais comuns entre as pessoas em teletrabalho.

Esta tendência crescente pode ser explicada pela pouca ou nenhuma formação que os portugueses têm sobre o assunto. A investigação adianta mesmo que apenas 1 em cada 5 portugueses chegou a ter algum tipo de formação na área, um valor muito distante da média mundial e "excecionalmente baixo para a altura em que vivemos", segundo Wisniewski, que defende ser fundamental que as empresas implementem programas de sensibilização sobre a matéria o mais rapidamente possível. No ano passado, um outro estudo, que analisou cerca de 50 países, apontou desde logo que Portugal "tinha pouca consciência dos riscos cibernéticos".

Mesmo assim, a Sophos percebeu que 74% dos inquiridos afirmou ter um nível médio de conhecimento sobre como se proteger na internet, adotando alguns hábitos de cibersegurança, como a utilização de antivírus (62%), escolher palavras-chave fortes e variadas (61%), autenticação de dois fatores (51%) ou ferramentas de filtro de email e anti-spam (49%).

Porém, "o facto de apenas 62% dos portugueses utilizar antivírus não é positivo", lembra Wisniewski, "esta medida é bastante básica e o número deveria ser muito mais próximo dos 100%".

O estudo tentou analisar ainda as tendências de segurança adotadas pelos utilizadores portugueses nos dispositivos móveis, cada vez mais usados no dia-a-dia. Os resultados mostram que a maioria (90%) tem algum tipo de serviço de proteção no telemóvel, como um antivírus, aplicações de limpeza de ficheiros ou sistemas de bloqueio. 78% dos inquiridos também afirmaram ser cuidadosos em relação às descargas no telemóvel, só recorrendo aos downloads de sites oficiais e fidedignos.

Ricardo Maté, Director General South EMEA da Sophos, que registou um crescimento anual de 24% na Zona Ibérica, afirma que o estudo agora disponível ao público "é muito importante, na medida em que nos auxilia a perceber o estado do mercado em Portugal e a continuar a trabalhar de forma eficiente para o servir".

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