As profissões mais procuradas e os salários pagos em 2020

Comerciais e profissionais de Tecnologias da Informação são os perfis que estão no topo da lista de prioridades de recrutamento este ano, correspondendo à necessidade de 30% dos empregadores ouvidos pela Hays, especialista em recrutamento de profissionais especializados, segundo o Guia do Mercado 2020.

A lista de profissões mais procuradas prossegue com engenheiros (22%), marketing e comunicação (14%), administrativos/suporte (14%), logística/supply chain (13%), financeiros (12%), RH/Payroll (8%), apoio ao cliente/contact center (8%), hotelaria/turismo (7%), consultores (7%), retalho/loja (7%), ciências da vida/saúde (6%), procurement (6%), jurídicos/legal (4%), controlo de crédito/cobranças (3%) e auditores (1%). No gráfico abaixo é possível ver a evolução dos perfis mais procurados pelas empresas, desde 2013.

Para a managing director da Hays Portugal, Paula Baptista, "estamos numa altura bastante positiva, pois não só temos mais profissionais qualificados a viver em Portugal disponíveis para mudar de emprego, como também temos mais profissionais qualificados a viver fora de Portugal a querer regressar. A imagem que tinham de Portugal melhorou e a vontade de viver em Portugal aumentou. Assim, tornou-se um país mais atrativo para voltarem a procurar emprego. Não obstante, as empresas terão de apostar em pacotes salariais mais atrativos e em projetos inovadores", pode ler-se no Guia de Mercado.

Este ano não será muito diferente do anterior, nas perspetivas de contratação no setor das Tecnologias de Informação. As funções mais procuradas são funcionais ERP, business intelligence analyst, front-end developers, full-stack developers Java/C#.NET, mobile developers, machine learning engineer/AI e data scientist/Data Eng. Segundo a Hays, "a dificuldade em recrutar irá manter-se nesta área pela 'pool de talento' ser reduzida e os candidatos cada vez menos recetivos ou disponíveis para uma mudança".

À semelhança das TI's, no setor de Marketing e Vendas as tendências de contratação deverão manter-se. Os mais procurados são key account managers, customer marketing managers, export managers, marketing & communications managers, trade marketing specialist e marketing manager.

O setor da Indústria e Logística segue a mesma linha de contratações de 2019. Os perfis mais solicitados são, sobretudo, supervisores de produção, engenheiros de automação e robótica, supervisores de turno e responsáveis de manutenção.

Há necessidades diferentes a nível regional de profissionais. No norte, os perfis de engenharia (exceto TI) estão em grande destaque este ano (34%), seguindo-se Tecnologias da Informação (30%) e comerciais (30%). No centro, os engenheiros (exceto TI) estão também no topo (36%), mas logo de seguida são precisos comerciais (30%) e Tecnologias da Informação (27%). A sul, as Tecnologias da Informação lideram (30%), seguindo-se comerciais (29%) e marketing e comunicação (16%) para completar o top três (ver gráficos abaixo com as dez mais procuradas).

O tipo de empresa que pretende contratar procura também perfis diferentes. Os profissionais de Tecnologias da Informação correspondem mais às necessidades das microempresas e startups, enquanto as multinacionais, as grandes empresas nacionais e as PMEs procuram comerciais em primeiro lugar.

Os salários das profissões mais procuradas

O setor das Tecnologias da Informação continua bastante dinâmico, à semelhança dos anos anteriores. São cada vez mais as empresas que apostam nas novas tecnologias e na transformação digital. "Apesar de toda a inflação e pressão salarial que se tem sentido nesta área, para grandes players internacionais, Portugal continua a ser atrativo e a ter salários mais competitivos que outros países. O que torna os nossos profissionais tão interessantes são, sem dúvida, a Educação e Cultura. Por isso, prevê-se que os salários vão continuar a crescer em 2020 face ao dinamismo que se vive na área e pelo facto de ser o candidato a liderar o mercado de TI", destaca a Hays.

Por exemplo, um administrador de redes, em média, deverá ganhar em Lisboa 22.500 euros se tiver menos de dois anos de profissão e 37.000 euros se tiver mais de dez de experiência. No Porto, os valores serão mais baixos, rondando os 22.000 e os 34.000 euros, respetivamente. No caso de um analista-programador, os valores médios em Lisboa situam-se entre 28.000 e 47.600 euros (para o mesmo perfil de experiência), e no Porto entre 21.000 e 30.800 euros. Um business analyst ficará entre 23.000 e 40.000 euros em média em Lisboa, e 22.000 e 29.000 euros no Porto. Um data cientist/data engineer ficará em média com 35-36..000 euros em Lisboa e entre 25.000 e 35.000 euros no Porto. Um programador front-end deverá ficar em média com 31.500 e 47.600 euros em Lisboa de remuneração, e 22.400 e 39.200 no Porto.

O setor de marketing e vendas destaca-se pelo "bom momento das exportações, a consolidação da área digital, o foco em employer branding e o interesse crescente em sustentabilidade. Se os primeiros três geraram necessidades de recrutamento específicas, o quarto fez-se sentir de forma transversal nas prioridades das empresas e na forma como pensam a sua estratégia de investimentos e recrutamentos", considera a Hays.

Olhando para os salários, um account manager deverá ganhar, em média, 30.200 euros em Lisboa e 25.000 no Porto. Já os valores para um key account manager situam-se em 42.500 e 50.200 euros em Lisboa e 40.000 a 50.000 no Porto. Um responsável de marketing digital deverá ganhar em média entre 30.800 euros e 42.000 tanto em Lisboa como no Porto.

O setor da Indústria e Logística tem grande dificuldade em contratar perfis que acompanhem a aposta na indústria 4.0. "Existe um claro gap no mercado de profissionais com skills de robótica e automação. Grande parte das indústrias estão a começar a apostar em inovação tecnológica, digitalização e automatização dos seus processos. O que leva a uma necessidade de recrutar perfis capazes e com conhecimentos na área. Esta tendência impacta não só a nível de recrutamento, mas também na necessidade das empresas apostarem na formação dos seus colaboradores para se adaptarem a este novo paradigma. É necessário ainda perfis com competências comportamentais ao nível de adaptação e resiliência para conseguirem lidar de uma forma positiva com a mudança e influenciarem as suas equipas", segundo a Hays.

Outros exemplos salariais, desta vez no setor da Indústria e Logística, são os de supervisor de produção que deverão auferir em média entre 22.400 euros e 32.200 em Lisboa, e 22.600 a 30.800 euros no Porto. Um responsável de manutenção deverá ter um salário médio entre 42.000 euros e 45.000 em Lisboa, e 21.000 euros e 32.500 euros no Porto. No caso de um engenheiro de processo/automação, o salário médio deverá rondar valores entre 28.000 euros e 42.000 em Lisboa, e 28.000 a 35.000 euros no Porto.

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