Eficácia do teletrabalho no topo das preocupações dos líderes nas empresas

A pandemia veio mudar a forma como trabalham, seja em casa ou no escritório, reconhecem 290 líderes empresariais. Competências que permitem comunicar e gerir bem equipas à distância são as mais valorizadas num inquérito da CEGOC.

Comunicar eficazmente à distância, gerir equipas remotamente e gerir a eficácia pessoal no teletrabalho são as grandes preocupações dos líderes das empresas nesta altura, marcada pela pandemia de covid-19. A conclusão é do estudo "Novo Normal - Quais são os novos desafios das organizações?, levado a cabo pela CEGOC, que inquiriu 290 profissionais em posições de chefia nas empresas, entre "CEOs, especialistas, responsáveis de equipas e colaboradores. Todos os participantes trabalham em organizações portuguesas e ocupam funções de relevo nas áreas de RH, L&D, Inovação, Formação e Desenvolvimento de Competências, Gestão, Liderança, Vendas, Finanças, Marketing e Comunicação, entre outras", explica a CEGOC. O inquérito decorreu nos meses de março e abril deste ano.

Dos inquiridos, 88% assumiu como a prática e competência mais valorizada o "comunicar eficazmente apesar da distância física", 75% apontou "gerir equipas remotas: passar do controlo e da microgestão para uma relação baseada na confiança e no empowerment" e 68% sublinhou a importância de "gerir a eficácia pessoal no teletrabalho - uma forma de trabalhar destinada a tornar-se estrutural no futuro".

Serão estas respostas reveladoras de que nem tudo corre bem com o teletrabalho nas empresas? "Acredito que mais do que revelarem dificuldades por parte das empresas, estes resultados revelam sobretudo vontade de incrementar competências e novas práticas nestas áreas estruturais do teletrabalho, uma prática que, como bem lembramos todos, até ao final de 2019 era maioritariamente privilegiada (e dominada!) por profissionais de TI, freelancers ou equipas dispersas geograficamente", sublinha Catarina Correia, head of marketing & communication na CEGOC. "Entendo estes resultados como mais um sinal positivo de que os portugueses estão preparados para continuar a trabalhar remotamente (e desenvolver as competências relacionadas) e de que as organizações e os seus líderes parecem querer responder em conformidade - mesmo que paralelamente procurem formas de desenhar o "escritório do futuro" e preparar o regresso dos "teletrabalhadores" a um novo espaço de trabalho com novas medidas de higiene e segurança", acrescenta.

Para esta responsável, a maior surpresa quanto aos resultados do inquérito "foi verificar que tanto líderes como colaboradores estão muito atentos à profunda transformação que vivemos e que exige que as equipas desenvolvam um novo leque de competências não apenas técnicas, como sociais, emocionais e comportamentais (soft skills)".

"Aqui refiro-me não só aos 59% dos inquiridos que admitiram ver na formação 100% digital a resposta mais eficaz para a sua requalificação profissional; como ao final do estudo, no qual 16% das sugestões apresentadas voluntariamente pelos participantes incidiram novamente na importância do reforço estratégico dos planos de formação e requalificação profissional dos colaboradores para atualização/reforço de competências-chave (agilidade, criatividade, sentido de inovação ou liderança remota) para encarar os novos desafios presentes e futuros", diz Catarina Correia.

A responsável sublinha que os participantes, nas sugestões finais, sugeriam "classes virtuais, sessões de eCoaching, atividades práticas on-job, novas soluções de aprendizagem de curta duração, mais interativas e com possibilidade de personalização de acordo com as necessidades de cada indivíduo".

Para a CEGOC, "a pandemia e o "novo normal" impactaram profundamente a perceção dos líderes sobre as suas organizações, os seus colaboradores, a sua atividade, o seu país e o próprio mundo global e altamente digitalizado em que se inserem". Prova disso, afirma, "é que mais de metade dos inquiridos que participaram neste estudo estejam hoje muito mais conscientes sobre a necessidade de delinearem e colocarem em prática um plano de ação que abarque várias áreas prioritárias - e que vão desde aprender a liderar em contexto virtual, vender à distância, gerir o stress induzido pela rápida mudança dos hábitos e das formas de trabalhar, acompanhar a nova gestão de Pessoas e RH ou reinventar os "escritórios do futuro" para a sua plena preparação e integração nesta nova realidade", sublinha Catarina Correia.

No regresso aos escritórios, o estudo aponta para a preocupação em garantir a saúde dos trabalhadores estabelecendo novas regras de higiene: "50% acham extremamente importante que se reinvente o espaço de trabalho não só a nível de mobiliário, disposição de postos de trabalho, aumento das reuniões por videoconferência e os eventos online, mas também ao nível de novas normas de utilização de máscara, arejamento e desinfeção de espaços e acesso a casas de banho ou refeitórios, por exemplo".

Mas há também vontade em que o teletrabalho continue: "Grande parte dos inquiridos gostariam de continuar a trabalhar em regime de teletrabalho e esperam que esta seja uma modalidade adotada no futuro pelas organizações de forma voluntária (conferindo mais autonomia aos colaboradores e poupando-os de tempo investido em deslocações) e não por imposição governamental derivada da crise sanitária", sublinha a Catarina Correia.

No futuro, na ótica da CEGOC, tendo em conta outros estudos que já realizou, predominará um modelo híbrido de trabalho, "que combine dias de trabalho no escritório com dias em teletrabalho, conjugando assim a flexibilidade e as potencialidades tecnológicas do trabalho remoto (ferramentas e plataformas de colaboração, conversação, análise e apresentação de dados, entre outras) com o elemento humano, que vai continuar a ser imprescindível (numa primeira reunião de vendas ou num momento de celebração entre colegas, para citar alguns exemplos)".

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