Imobiliário

Preços das casas indiferentes à pandemia, com subida de 8% no primeiro semestre

Fotografia: Arquivo/ Global Imagens
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O valor médio de venda de casas entre janeiro e março situava-se nos 163 mil euros; entre abril e junho, seguiu-se um novo aumento neste valor médio.

A rede imobiliária Century 21 vendeu menos 788 casas nos primeiros seis meses em comparação com o mesmo período de 2019, mas em junho registou uma recuperação para níveis do ano passado. Já os preços não baixaram com a covid-19.

Apesar da quebra no número de operações e consequente quebra no volume de negócios, o valor médio dos imóveis transacionados pela rede imobiliária Century 21 nos primeiros seis meses do ano subiu 8% para os 166 359 euros, uma diferença de quase 12 mil euros em relação à média de 154 400 euros até junho de 2019.

Os preços não sofreram com a pandemia de covid-19. Comparando por trimestre, os números desta imobiliária continuam a mostrar uma trajetória ascendente. O valor médio de venda das casas entre janeiro e março situava-se nos 163 061 euros; entre abril e junho, seguiu-se um novo aumento neste valor médio, fixando-se nos 169 367 euros – uma diferença de mais de seis mil euros em três meses.

Ricardo Sousa, CEO da Century 21, não alimenta as esperanças de baixa de preços, tão desejada por quem procura casa para comprar. “No mercado imobiliário residencial os valores de venda são pouco elásticos e há uma grande resistência na descida de preços. Não é expectável uma alteração expressiva do valor real dos imóveis, nos próximos meses”, sublinha.

“Pelo que estamos a verificar na rede Century 21 Portugal, serão os proprietários com urgência em vender que irão fazer ajustes nos preços para conseguirem concretizar uma venda rápida dos seus imóveis. Já o mercado de arrendamento é normalmente mais flexível, muito responsivo às flutuações da procura, porque tem que se ajustar rapidamente ao rendimento disponível dos jovens e famílias que estão no mercado a procurar habitação”, explica o responsável.

Indicando que o “mercado imobiliário está ativo, regista uma procura estável e os bancos continuam a conceder crédito à habitação”, a imobiliária reconhece a existência de “um aumento do gap entre as expetativas de proprietários e compradores”, fortemente motivado pela esperança de revisão dos preços em baixa pela parte de quem compra.

Para os próximos tempos, as ondas de choque da pandemia poderão traduzir-se no aumento do tempo médio da venda de imóveis ou mesmo em “vendas rápidas de ativos imobiliários com desconto para recuperar a liquidez de alguns proprietários” ou até a venda de segundas residências.

Já no arrendamento, é esperada a transferência de imóveis do alojamento local para a modalidade de arrendamento de longa duração. A rede imobiliária estima ainda “um aumento da oferta residencial para a classe média portuguesa, em particular na Área Metropolitana de Lisboa”, tanto para arrendamento como para venda.

Para o resto do ano, a Century 21 Portugal afirma esperar a recuperação. “Estimamos registar um segundo semestre de 2020 com níveis semelhantes aos do mesmo período, do ano passado”, diz Ricardo Sousa.

Vendas suspensas com pandemia

A Century 21 transacionou 5 087 habitações até junho, menos 788 casas do que no mesmo período do ano passado. Apesar de ver a faturação recuar 7% em relação ao primeiro semestre de 2019, para os 19 milhões de euros, Ricardo Sousa destaca que “os resultados dos primeiros seis meses de 2020 foram mais positivos do que tínhamos estimado, sobretudo, no que se refere aos indicadores de operação do segundo trimestre”. Também os negócios mediados – onde está a incluída a partilha de operações com outras entidades – passou dos 869 milhões até junho de 2019 para os 800 milhões de euros até ao mês passado.

Os resultados avançados pela Century 21 já mostram os efeitos da pandemia de covid-19, especialmente nos últimos meses. O confinamento que entrou em ação em Portugal em março colocou visitas e escrituras em pausa, levando mesmo algumas famílias a repensar negócios devido à perda de rendimentos. “A principal razão da quebra de facturação prende-se com a suspensão dos processos de compra, durante os meses de março e abril, que se refletiram na diminuição de escrituras em abril e maio. Contudo, em junho, as dinâmicas de procura, negociação e realização de transações já atingiram, praticamente, os mesmos níveis de 2019”, explica Ricardo Sousa.

Renda média cai entre abril e junho

Comparando com o primeiro semestre de 2019, o mercado de arrendamento sofreu uma quebra de 18%. A nível nacional, o valor médio de renda fixou-se nos 833 euros, um crescimento residual de 1% em relação à média de 822 euros de renda entre janeiro e junho do ano passado. Já na análise por trimestre, os efeitos da covid-19 foram sentidos entre abril em junho, quando a renda média nacional passou dos 839 euros (entre janeiro e março) para os 772 euros.

Ricardo Sousa avança que, tendo em conta a elasticidade deste tipo de mercado, que reage rapidamente às alterações, nos próximos meses “os preços vão continuar a ajustar-se em baixa”. O CEO da Century 21 Portugal explica que desde o ano passado que está a assistir a “muitos pequenos proprietários que tinham os seus imóveis no alojamento local que começaram a transitar para o arrendamento tradicional, um movimento que agora acelerou. Assistimos também a mais investidores institucionais a apostar em soluções built to rent, criando assim um aumento da oferta e, sobretudo, uma oferta mais ajustada às necessidades e capacidades dos portugueses que optam por arrendar.”

Segmento internacional foi o mais castigado

Contrariando a tendência do último ano, o segmento de vendas internacionais da rede imobiliária foi aquele que enfrentou o decréscimo mais significativo. Devido ao contexto da pandemia, as transações deste segmento caíram 33% em relação ao primeiro semestre do ano passado, registando 709 transações de clientes internacionais até junho.

“As preocupações de segurança na mobilidade entre países – mesmo numa fase já de desconfinamento dos principais países europeus – conjugadas com os elevados níveis de incerteza da actividade económica gerados pela pandemia são os principais factores que influenciam a suspensão das decisões dos investidores estrangeiros e as consequentes dinâmicas do segmento internacional”, indica a Century 21 Portugal.

Com menos transações do segmento internacional, o segmento nacional ganhou peso, representando 86% das transações feitas até junho, uma subida de 5% face ao período homólogo de 2019.

A curto prazo, é expectável que a procura internacional continue em baixa, prevê a empresa, mas que o interesse em Portugal continuará a existir. “Neste momento, o que estamos a verificar é uma suspensão da procura, contudo o interesse por Portugal mantém-se. O nosso país mudou de escala e tem hoje uma notoriedade e credibilidade internacional como nunca antes registadas. Estamos bastante otimistas com a evolução do mercado internacional, que irá recuperar rapidamente com a abertura de fronteiras, e com o levantamento das restrições temporárias de mobilidade”, diz Ricardo Sousa.

Período de adaptação e gestão de expectativas

O confinamento obrigou o setor a encontrar alternativas, mas a rede imobiliária defende que o setor está a demonstrar “resiliência e estabilidade”.

“A pandemia que se está a atravessar é a prova de como as empresas conseguiram reinventar a sua forma de funcionar e alterar os seus procedimentos, para superarem um desafio de uma amplitude absolutamente inédita, na história da humanidade. A Century 21 Portugal já tinha em curso uma estratégia de transformação digital, que foi acelerada pelo contexto da pandemia, o que permitiu que a rede continuasse em plena atividade, mesmo durante o estado de emergência.”

“A estratégia passou pela reformulação da abordagem operacional da rede para repensar e implementar novas formas de se relacionar e interagir com colaboradores, clientes e stakeholders. No período de confinamento, foram introduzidas inovações disruptivas nos processos tradicionais ao modelo de negócio da Century 21 Portugal, para permitir a realização de uma transação imobiliária de forma totalmente digital, aumentando a proximidade e a eficiência dos consultores imobiliários”.

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