Poupança para a Vida

Luís Leon: “É necessário reestruturar a economia”

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Considerando que o problema da poupança é algo que não se coaduna com ciclos políticos, o que pode ser feito para estimular a poupança?
Primeiro é preciso haver uma consciência nacional de que é preciso estimular a poupança, depois ter consciência de que temos um país de rendimentos muito baixos. Para cerca de metade do país – aquela que não tem rendimento suficiente para pagar IRS – não é possível poupar porque o rendimento é esgotado no consumo. Não deixa de ser curioso que nos anos da crise – o momento em que se retiraram mais rendimentos aos portugueses – foi quando mais pouparam. Porque aqueles que tinham mais capacidade de fazer alguma poupança apertaram mais o consumo e aumentaram a poupança. Mas convém lembrar o que aconteceu ao PIB.… E que quando se corta no consumo há uma retração do produto, das receitas fiscais, que não ajuda à execução orçamental e ao ajustamento que Portugal ainda está a fazer. Por isso, se me pergunta o que é que se pode fazer no curto prazo: muito pouco.

E no longo?
No longo prazo é preciso reestruturar a economia portuguesa. Nós posicionámo-nos na Europa a 15 como um país de salários relativamente modestos para com isso atrair investimento estrangeiro e ter menos desemprego. No novo xadrez europeu e nesta nova economia global, Portugal terá de ter empresas maiores, de maior valor acrescentado, com profissionais com mais competências. E isso passa invariavelmente por educação, formação profissional dos quadros e pela reformulação das nossas empresas. O que não acontece em dois, três ou quatro anos.… Estamos a falar de alterações que deverão decorrer no espaço de uma geração. Foi o que fez a Irlanda há uns 30 anos.

Isso também ajuda a explicar a taxa de poupança mais alta?
O PIB per capita é superior. O que se passou foi que a Irlanda fez um investimento menor em infraestrutura e um investimento maior em educação e em qualificação profissional. Portugal tem esse caminho para fazer. É crítico e fundamental que as famílias portuguesas percebam que o futuro dos seus filhos está na educação.

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