Revolução 4.0

Falta de formação certificada em BIM preocupa profissionais

(Reinaldo Rodrigues/Global Imagens)
(Reinaldo Rodrigues/Global Imagens)

Há um número crescente de instituições a dar formação em BIM. Contudo, não há uma certificação que garanta “um selo de qualidade” ao conhecimento adquirido

De caráter essencial, a formação em BIM está hoje disponível em vários formatos: integrada no ensino superior, nos cursos ministrados na Ordem dos Engenheiros e através dos serviços prestados por empresas de consultoria.

Para Luís Poças, professor da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), tão importante como a formação de base, é a necessidade de reskill. “Há a ideia de que uma formação centrada no BIM pode resultar em consequências muito positivas e numa inovação grande na construção. Essa é uma visão muito limitada, já que o BIM é uma capacidade transversal, útil em conjunto com outras valências tradicionais da construção”.

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Há hoje um número crescente de instituições que integram conteúdos na área do BIM nos seus cursos de Engenharia e Arquitetura . No caso da FEUP existe uma disciplina de quinto ano – que pode ser frequentada tanto pelos alunos da faculdade como, de forma isolada, por outras pessoas com necessidades de formação na área. A Universidade do Minho, por sua vez, além da cadeira associada ao mestrado em Engenharia Civil vai passar a ter um mestrado centrado apenas nas temáticas de BIM.

Luís Poças refere que não há hoje suficiente formação por parte do corpo docente. “O corpo docente não está dimensionado para dar cadeiras na área do BIM nas universidades. E por seu turno, as universidades e os cursos nesta área já estão muito pressionados em termos do número de horas letivas que podem proporcionar”, alerta.

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Atualmente não existe certificação na formação dada em BIM o que, refere Luís Poças, é uma das preocupações dos profissionais da área. Cláudia Antunes, BIM consultant da empresa Stratbond, partilha a preocupação. “Isso é algo que só vai acontecer quando for criado o capítulo português da Building Smart, a entidade que normaliza as entidades relacionadas pelo mundo a nível internacional”, explica. “Cada país tem o seu capítulo nacional cujo objetivo é criar e apoiar a implementação efetiva do BIM, a normalização e o processo de interoperabilidade”, diz, para quem a reativação do capítulo português – já existiu em 2009 – poderá vir a dar um novo fôlego ao setor.

A Stratbond Consulting é uma das empresas que disponibiliza serviços de formação, através do serviço StratBIM. “O StratBIM surgiu um pouco como um exercício interno que procurava olhar para o futuro em termos de mercado em que poderíamos apoiar as empresas e este processo de revolução do setor”, recorda Cláudia Antunes.

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O StratBIM assenta em três pilares: divulgação da metodologia BIM, formação e implementação, com um maior peso dado aos dois primeiros. “Havia, e continua a existir, um défice de formação, transversal a toda a cadeia de valor da construção: desde autarquias, ensino superior, empresas de construção civil, de materiais, arquitetos, engenheiros. Era necessário formar”, assume Cláudia Antunes, que aponta três aspetos fundamentais que constituem um desafio tanto para a formação como para a adoção da metodologia BIM: mudança da cultura das organizações, o aspeto financeiro e o planeamento estratégico para minimizar o impacto da mudança.
“Por norma o que pesa mais é o cultural. A resistência à mudança tem sido o mais difícil”, afirma a consultora, que aponta ainda para a necessidade “de maturidade de todo o setor” para o delinear de uma estratégia que permita adequar os requisitos e o desenvolvimento dos programas de formação.

BIM em análise na Tektónica

O BIM foi o tema em análise numa das Tek Talks que decorreram na Tektónica, que este ano decorreu entre 8 e 11 de maio, na FIL. Frederico Ramos, head of architecture da ARC IDC, José António Ribeiro, da Mota Engil, Miguel Azenha, professor da universidade do Minho e Nuno Peres Alves, advogado e sócio da Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados, puseram em destaque as vantagens e desafios colocados às empresas, o muito que há a fazer ao nível da recapacitação dos recursos humanos e as alterações legislativas necessárias. E, se as “dores de crescimento” podem ser algumas, todos concordaram que o BIM é o primeiro passo inevitável para o futuro do setor da construção.

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