Ocean Talks

A necessidade de cuidar dos oceanos apresentada em três perspetivas

Realizou-se no Museu do Mar Rei D. Carlos em Cascais a Ocean Talks 2019. 
Joana Garoupa; Jorge Freire; Rui Rosa; Patricia Furtado de Mendonça; Nuno Lourenço  
( Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens )
Realizou-se no Museu do Mar Rei D. Carlos em Cascais a Ocean Talks 2019. Joana Garoupa; Jorge Freire; Rui Rosa; Patricia Furtado de Mendonça; Nuno Lourenço ( Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens )

Segunda edição das Ocean Talks decorreu em Cascais. Conferência deixou alertas e informações sobre o que está a ser feito tecnologicamente, mas também sobre as formas de todos se ligarem mais aos oceanos

Como uma lula pode ser encontrada numa zona do oceano com falta de oxigénio, enquanto os tubarões têm de procurar zonas com mais, acabou por ser um momento marcante nas Ocean Talks, que se realizaram ontem no Museu do Mar, em Cascais. Um exemplo que captou as atenções para um assunto muito sério e que está a prejudicar a vida marítima, num fórum que contou com diferentes perspetivas de se relacionar com o mar, mas com a finalidade comum de alertar para a necessidade de cuidar, conhecer e respeitar os oceanos.

“Um milhão de espécies estão ameaçadas de extinção: degradação do habitat, pesca excessiva, poluição e alterações climáticas.”
Rui Rosa
Professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa

“Um milhão de espécies estão sob ameaça de extinção.” Rui Rosa, professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, deixou o alerta e falou sobre uma das áreas a que se tem dedicado, uma que também pode contribuir para este risco. As emissões de CO2 são a principal causa para que a hipoxia nos oceanos, verificada em zonas mais profundas, esteja a crescer verticalmente, levando muitas espécies a procurar zonas mais próximas da superfície. O exemplo dos tubarões foi dado como aviso de como ficam em maior risco de ser apanhados em anzóis.

Rui Sousa alertou para a degradação do habitat, da poluição, das alterações climáticas e para a pesca excessiva. “Estamos a dizimar stocks marítimos”, frisou, referindo como a pesca de arrasto “apanha tudo o que vem à rede”.

“Quando experimentei a dança aquática percebi como o oceano poderia falar através de nós.”
Patrícia Furtado de Mendonça, Acqua Mater

Numa vertente mais tecnológica das Ocean Talks, fórum promovido pela Fundação Galp, Nuno Lourenço, do CEiiA, mostrou como se tem investigado os mares, realçando como “há um conjunto de plataformas e sensores que estudam os oceanos”. Tal como Rui Rosa, referiu o impacto da pesca, pois são capturados cada vez peixes mais pequenos. O lixo, o aumento da temperatura, tudo está a ter influência nas espécies.

Para o gestor de desenvolvimento do CEiiA, há que encontrar novas formas de estudar um ambiente tão complexo. Está em elaboração um veículo autónomo que poderá ser uma importante referência. Nuno Lourenço falou da importância de conhecer o fundo marinho, através da cartografia e da observação direta. Há ainda projetos de microssatélites ou drones, por exemplo, tudo para que seja possível gerar mais big data e implementar medidas ajustadas à realidade. “A palavra-chave é conhecimento”, disse, acrescentando que a Unesco e as Nações Unidas criaram uma década para o oceano, pretendendo que entre 2021 e 2030 seja mais limpo, mais saudável, previsível e seguro.

“Há um conjunto de plataformas e sensores que estudam os oceanos. A palavra-chave é conhecimento.”
Nuno Lourenço , Gestor de desenvolvimento do CEiiA

Com uma perspetiva “fora da caixa”, como a própria referiu, Patrícia Furtado de Mendonça também pretende que se dê mais atenção aos oceanos. Porém, deixou de lado os aspetos mais científicos, apressando-se a dizer que não era bióloga nem tinha qualquer formação em engenharia ambiental. A antiga atriz da Globo há muito que deixou as telenovelas para se dedicar à sua grande paixão: os oceanos. E foi na sua experiência pessoal que centrou a sua intervenção.

Patrícia Furtado de Mendonça quer sensibilizar crianças e adultos através de uma ligação mais íntima com a água. Através da sua empresa Acqua Mater tem participado em projetos de consciencialização e até foi em Portugal, na Madeira, que descobriu a importância que os oceanos tinham para si. Em Itália, onde foi estudar teatro, experimentou a dança aquática em apneia. “Foi aí que percebi como o oceano poderia falar através de nós”, contou. Para Patrícia Furtado de Mendonça, todos trazemos o mar em nós. “O cérebro é como os corais, o coração pulsa como uma medusa”, exemplificou. Considera que se tem memórias genéticas que podem ser despertadas na água, tendo mesmo feito uma tese sobre memórias marinhas.

Ter este tipo de relação com os oceanos ajuda a que se queira cuidar deles, numa altura tão dramática. “Se não fizermos nada, em 2050 haverá mais plástico nos oceanos do que peixe”, afirmou, referindo um dos vários problemas em causa. E deixou uma última mensagem: “As nossas origens são oceânicas. O mar é a grande mãe.”

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