Revolução 4.0

Pandemia reforça aposta nos produtos à distância de um clique

Entrada no DOTT já levou empresas a criar equipas específicas para o comércio online. FOTO: Pedro Correia/GI
Entrada no DOTT já levou empresas a criar equipas específicas para o comércio online. FOTO: Pedro Correia/GI

A crescer nos últimos anos, o comércio online registou uma autêntica explosão em tempos de pandemia e é, cada vez mais, uma aposta para muitas empresas, tanto as multinacionais como as empresas familiares.

Fechados em casa, os portugueses têm recorrido ao comércio digital para satisfazer necessidades. Das compras de supermercado, a prendas de aniversário, passando por material informático, quase tudo passou a ser adquirido no e-commerce. Não sendo uma tendência nova, a atual situação vem destacar vantagens para as empresas e os consumidores, mas coloca desafios às empresas, a quem compete reformular operações, estratégias de marketing e cadeias de logística.

Prestes a completar um ano, o DOTT, marketplace 100% português, assistiu a um acréscimo de procura sem precedentes em março. “Sentimos crescimento tanto do lado dos buyers como por parte das empresas, em que tivemos um crescimento gigantesco. Isto também é um reflexo do estado do país”, assume Gaspar d’Orey, CEO do DOTT. Ao contrário de outras estruturas, o DOTT não assume o papel de retalhista o que, para Gaspar d’Orey, é uma vantagem: “Somos 100% marketplace. Isto faz que nós nunca façamos concorrência aos produtos dos nossos sellers. O alinhamento de interesses com as empresas é perfeito.”

Atualmente agrega cerca de 800 empresas e as regras do DOTT são relativamente simples: só empresas podem colocar produtos, os quais têm de ser novos (está excluída a venda em segunda mão), tendo a empresa de apresentar uma listagem dos produtos que pretende comercializar, bem como o stock e preço de cada um. “É um processo bastante simples. Temos empresas familiares e multinacionais a fazerem exatamente o mesmo processo”, afirma Gaspar d’Orey, que sublinha a postura de “zero fricção” assumida pelo DOTT. “O seller pode ‘pausar’ em qualquer altura, pode colocar o stock que entender. Só tem de dizer quantas unidades estão disponíveis e o DOTT trabalha com essa informação que pode ser transmitida numa base horária, diária, semanal, mensal. Mas não há stock obrigatório”, explica o CEO, que assume também a recolha, entrega e acompanhamento dos produtos.

Este marketplace nacional já agrega cerca de 800 empresas. Todos os produtos têm de ser novos e não há stock obrigatório.

Perante o acréscimo de procura registado nas últimas semanas, Gaspar d’Orey e a sua equipa avançaram com ações viradas para as empresas. “Fizemos parcerias com instituições – Câmara de Lisboa, Câmara do Porto, AIP, ANJE, Portugal Sou Eu – para dar condições especiais às empresas que se queiram juntar ao DOTT de forma mais rápida e dar-lhes acesso direto a toda a equipa para agilizar a conversão ao online”, explica o responsável.

A AMF Safety Shoes é uma empresa presente no DOTT desde a primeira hora, mas a aposta no e-commerce é anterior. “Vendemos online há oito anos, mas só houve um investimento efetivo neste canal desde há três anos, com a alocação de uma equipa específica responsável por criar conteúdos, dar apoio às vendas, apoio ao cliente e com um orçamento próprio”, explica o CEO Albano Fernandes.
Com uma faturação que atingiu os 14 milhões de euros em 2019, a AMS Safety Shoes tem na distribuição o seu principal canal de venda. “A venda online funciona como um complemento. E isso traz-nos um desafio que é saber ajustar o online ao nosso canal de distribuição”, explica o responsável.

Esse ajustamento passou por uma concertação de preços juntamente com os distribuidores e justificou a recusa em integrar estruturas como a Amazon. “Não aceitámos porque isso não nos permitiria ter o controlo dos preços e a salvaguarda dos nossos distribuidores”, assume Albano Fernandes.
Além da constituição de uma equipa própria, a aposta no e-commerce obrigou a mudanças na operação da empresa. “Além do stock permanente, que também satisfaz as compras online, temos um produto de produção rápida para o qual foi criado um canal especial nas linhas de produção, em que todos os dias são verificadas as vendas do dia anterior e estamos a produzi-las no dia seguinte.”

A Polisport, empresa especializada em acessórios para bicicletas e motos, também tem vindo a reforçar a presença online. A empresa está presente na Amazon, que não usa enquanto marketplace. “A relação é de fornecedor-cliente e, embora seja um cliente recente, está a crescer 30% ao trimestre”, explica Paulo Freitas, chief operating officer da empresa, para quem a vantagem da Amazon é o imediatismo e a facilidade de gestão. “A desvantagem é a margem, que é baixa”, diz. Além disso, a Polisport também está presente em plataformas online, que funcionam como intermediários.

A partir do próximo ano, a Polisport contará com um canal próprio de e-commerce. As vantagens são múltiplas: um maior controlo sobre o preço e os conteúdos associados aos produtos, margens maiores, um contacto direto com o cliente final e uma perceção mais clara do resultado dos investimentos.
De modo a proteger a relação com os distribuidores, a Polisport prepara-se para diferenciar as gamas que serão distribuídas no seu canal de e-commerce, tendo inclusive avançado com um novo produto: uma cadeira porta-bebé dobrável. Ao nível das operações serão criadas equipas próprias, estando ainda a ser feito um trabalho de imagem da marca – “a grande força das vendas online” -, com a estratégia de marketing a ser redirecionada para o consumidor final. Além disso, há uma definição clara das diferentes gamas de produtos. A par de tudo isto será criado um centro logístico na Europa que se junta ao já existente nos Estados Unidos.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
O primeiro-ministro, António Costa (E), conversa com o ministro de Estado e das Finanças, João Leão (D), durante o debate e votação da proposta do orçamento suplementar para 2020, na Assembleia da República, em Lisboa, 17 de junho de 2020. MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Bruxelas agrava projeção de contração em Portugal para 9,8%

Fotografia: Orlando Almeida/ Global Imagens.

SATA pede auxílio ao Estado no valor de 163 milhões de euros

Comissão Europeia, Bruxelas (REUTERS)

Bruxelas revê estimativas. Economia da zona euro deverá recuar 8,7% em 2020

Pandemia reforça aposta nos produtos à distância de um clique