Conferência Ageas Seguros

Falta de recursos humanos é transversal independentemente do trabalho “ser sexy”

Mesa redonda do Fórum PME Global Ageas Seguros.
(Paulo Jorge Magalhães/Global Imagens)
Mesa redonda do Fórum PME Global Ageas Seguros. (Paulo Jorge Magalhães/Global Imagens)

Fórum PME Global da Ageas Seguros em Viana do Castelo debateu dificuldades e oportunidades das empresas de vários setores antes e após a pandemia.

A falta de recursos humanos parece ser transversal a vários setores de atividade empresarial, independentemente do aparente grau de atratividade do setor. Esta foi uma das evidências que resultou de uma mesa redonda sobre subordinada ao tema “Panorama atual sobre a produtividade nas empresas”, realizada quinta-feira em Viana do Castelo, no âmbito do Fórum PME Global da Ageas Seguros. A iniciativa, que avança agora para um segundo ciclo de conferências (agora em streaming), após uma primeira edição com seis sessões em vários pontos do país, juntou num mesmo debate, moderado pelo jornalista Camilo Lourenço, representantes de três setores: construção civil, soluções de engenharia e novas tecnologias. E as intervenções surpreenderam os presentes por várias razões, uma delas a dificuldade transversal na captação de mão-de-obra.

O empresário de construção civil, José Gigante, sócio-gerente da Irmãos Gigante, de Viana do Castelo, foi o primeiro a surpreender com o otimismo no toca ao momento da sua empresa. “A construção civil não podia estar melhor. Está bom para trabalhar e há muito mercado, mas também não conseguimos responder a todos os pedidos porque há muita falta de mão-de-obra especializada. Há muita obra e falta de gente”, disse, referindo que tal acontece “porque a área da construção civil nunca foi valorizada, nem bem vista”. “Posso dizer que há mais de 15 anos que não nos aparece na nossa empresa um homem com menos de 35, 40 anos. Não há jovens para trabalhar”, indicou.

Camilo Lourenço, brincou: “Não é sexy?”. E José Gigante, respondeu: “Dizemos isso muitas vezes. É uma arte não valorizada. Não é bonito dizer-se que se é pedreiro. É preferível dizer-se que se é técnico manobrador de máquinas”. O empresário comentou que, ainda assim, a Irmãos Gigante, possui “uma equipa estável de 20 trabalhadores”. “Os nossos empregados, são nossos amigos”.

Carlos Palhares, CEO e fundador do Grupo Mecwide, Engineering Challenges, agarrou a mesma ideia. “Sofremos do mesmo problema que a construção civil: não há mão-de-obra qualificada suficiente no nosso setor, que até é bem pago, mas não é sexy”. “Nós empresários temos que tornar a indústria sexy e mostrar aos jovens que esta não é tão má assim. É muito difícil aparecer um serralheiro ou um soldador. O jovem queixa-se que gostava de ter o salário do serralheiro ou do soldador, mas não gosta das botas de biqueira de aço. Se calhar temos de desenhar novas botas e trazê-los para a profissão”, considerou Carlos Palhares, referindo, contudo, que a sua empresa possui “uma escola de soldadura” e já tem atraído “alguns jovens”.

“Esta crise apanhou-nos numa conjuntura política mundial de fracos líderes. O nível de liderança política vai afetar as empresas”.
Carlos Palhares
Fundador e CEO do Grupo Mecwide

Criado em 2009, o Grupo Mecwide atingiu em 2019 um volume de negócios de 52 milhões de euros e laborava para o objetivo dos “60 milhões” este ano, quando foi travada pela crise pandémica. Indicou como uma das alterações positivas inerentes à pandemia “a aceleração da indústria 4G”. “Havia pessoas de uma geração mais velha com dificuldades em perceber o que era uma videochamada e hoje são os primeiros a dizer que é porreiro trabalhar assim. Há mudanças que vieram para ficar. Eu se calhar vou viajar menos. Passava a vida lá fora e estou a ver aqui uma oportunidade de reduzir custos”, comentou.

Abel Aguiar, Diretor Executivo para parceiros e PME da Microsoft Portugal, focou também a “aceleração digital com o confinamento”, indicando que, na sua empresa, “muitos projetos ficaram parados e aceleraram todos os que tinham a ver com colaboração remota, produtividade de equipas e automatização”. Falou de “uma nova apetência para a transformação tecnológica”, que surgiu nos últimos três meses, para “uma mudança de paradigma, que estava há anos para acontecer”. E provocou surpresa: “Queria deixar uma nota sobre a falta de recursos especializados. No IT (Tecnologias de Informação) não é diferente. Embora sendo sexy, não é diferente em relação ao pedreiro e ao soldador. Infelizmente para todos nós, Portugal está abaixo da média da Europa dos 28, a produzir recursos de Tecnologias de Informação, a sair da faculdade”. “É um problema transversal e à medida que as empresas precisam cada vez mais de tecnologia, precisamos cada vez mais de recursos. Estamos com um deficit muito grande cá”, concluiu.

“É mais fácil trazer trabalhadores de fora, do que criá-los cá.”
Abel Aguiar
Diretor Executivo para parceiros e PME da Microsoft Portugal

 

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