Conversas grupo SIMAB

A engenheira que trocou a eletrónica pelos legumes

Sandra Figueiredo, responsável pela empresa Maria Augusta Nunes Ribeiro & Filhas"
(Diana Quintela / Global Imagens)
Sandra Figueiredo, responsável pela empresa Maria Augusta Nunes Ribeiro & Filhas" (Diana Quintela / Global Imagens)

Nos anos 80, a mãe de Sandra Figueiredo deu os primeiros passos, criando a empresa que a filha acabaria por tomar as rédeas.

Decorria a década de 80 do século XX quando a mãe de Sandra Figueiredo mostrou ter “uma visão extraordinária”, como descreve a filha. Começou a trabalhar com chefs de cozinha de hotéis em Lisboa, preparando alguns alimentos. “Na altura era muito vulgar vender ervilhas e favas ainda na vagem, a minha mãe já as descascava e vendia assim.” Foram os primeiros passos do que haveria de ser uma empresa de quarta gama. A agora sócia-gerente recorda na sua infância ver os empregados a descascar ervilhas, favas, grelos, espinafres… Quando a mãe faleceu, há dois anos, Sandra Figueiredo não hesitou. “Larguei toda a minha vida e agarrei a empresa que a minha mãe fundou.”

Engenheira de telecomunicações no ramo da eletrónica, Sandra Figueiredo, de 45 anos, assume não só funções administrativas, como, sempre que necessário, está presente na produção. As origens da empresa Maria Augusta Nunes Ribeiro Esteves & Filhas remontam à avó e bisavó da sócia-gerente, que já comercializavam frutas e legumes. “A minha mãe, desde muito cedo, começou com uma banca no mercado 21 de Janeiro [em Lisboa]”, recordou. A relação com alguns chefs permitiu o crescimento do negócio. Em novembro de 1991 nasceu a empresa. Mais tarde, a irmã Elvira Figueiredo acabaria por ter a sua própria empresa de quarta gama.

São uma vintena os clientes com maior peso na faturação. “Nós continuamos nos três catering de aviação que existem em Portugal. Temos hotéis e restaurantes e depois temos uma cadeia de distribuidores dentro do MARL que vêm aqui comprar e levam o nosso produto”, explicou. É também no Mercado Abastecedor da Região de Lisboa, onde a empresa está instalada desde 2010, que Sandra Figueiredo vai buscar os produtos. “É uma grande vantagem estarmos juntos dos nossos fornecedores. A capacidade de compra, a logística associada, é tudo muito mais fácil. Nós conseguimos chegar primeiro aos produtos mais frescos.”

Quando se questiona qual é o fator diferenciador da Maria Augusta Nunes Ribeiro Esteves & Filhas, a resposta é imediata. “A forma artesanal como fazemos as coisas. Marca a diferença. Nós temos algumas máquinas que nos ajudam na produção, mas maioritariamente os produtos são feitos pela nossa mão.” No entanto, os recursos humanos acabam por ser uma das dificuldades. “É bastante difícil as pessoas serem assíduas e responsáveis. Contratamos e hoje aparecem e amanhã não”, desabafou. “Na quarta gama, quando entra alguém, tem pelo menos uma semana de formação. Tem de se saber cortar, lavar, acondicionar. Muitas vezes termina a formação e a pessoa acaba por ir embora e temos de voltar a contratar e a formar.”

Atualmente conta com 23 empregados. Para 2020, Sandra Figueiredo tem um plano a concretizar: “Vamos apostar bastante na fruta. Até agora tinha sido muito os legumes. Cubos de fruta, aqueles copinhos prontos a comer, como abacaxi, meloa, quivi, laranja, melão…”

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
coronavirus turismo turistas

ISEG. Recessão em Portugal pode chegar a 8% este ano

A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho. JOÃO RELVAS/LUSA

Pedidos de lay-off apresentados por 33.366 empresas

coronavirus lay-off trabalho emprego desemprego

Rendimento básico incondicional? “Esperamos não ter de chegar a esse ponto”

A engenheira que trocou a eletrónica pelos legumes